O Movimento de Cidadãos Independentes diz-se preparado para “vencer” as próximas autárquicas de outubro, em Anadia. Embora o nome dos candidatos permaneça no segredo dos deuses, é certa que esta candidatura terá como homem forte e rosto mais visível, o atual presidente da Câmara Municipal de Anadia, Litério Marques, impedido de se recandidatar ao cargo de presidente por ter atingido o número de mandatos permitidos por lei. Eleito, ao longo de cinco mandatos, sempre pelo PSD, tornou público que irá encabeçar um Movimento, inédito no concelho, já que de todos são conhecidas as divergências que o separam da Concelhia do PSD e do seu presidente, José Manuel Ribeiro.
Aliás, esta candidatura está a ser vista por muitos como a resposta de Litério Marques à candidatura de José Manuel Ribeiro, mas também uma reação à postura do Partido, na escolha dos candidatos aos órgãos autárquicos.
“Como militante e presidente da Câmara, há mais de duas décadas, contactei as estruturas do Partido para manifestar a minha total disponibilidade para colaborar na escolha de pessoas experientes como candidatos aos diversos órgãos autárquicos do concelho. Sem qualquer resposta, tomo conhecimento através dos jornais que a Distrital do PSD homologou uma candidatura de um cidadão que há precisamente quatro anos recusou. Imagine-se, por unanimidade e aclamação”, diz, em tom crítico. Por isso, adivinha-se uma “guerra” política entre aqueles que estão com a Concelhia do PSD, liderada por José Manuel Ribeiro e aqueles que, embora sociais-democratas ou não, não se reveem nessa mesma candidatura.
Certo é que vão acompanhar Litério Marques nesta corrida à Câmara alguns dos atuais membros do executivo anadiense, bem como outros autarcas do concelho, que começam também a escolher de que lado vão estar.
Litério Marques garante que o Movimento não é seu, mas sim “de todos os cidadãos que não se revêem nas pessoas que estão na Concelhia e que desejam para o concelho o caminho de progresso e sucesso que começámos a trilhar há alguns anos atrás”. Por isso, mostra-se muito agradado com as manifestações de apoio recebidas, “são pessoas que não reivindicam qualquer lugar na lista, apenas nos apoiam por nos conhecerem e acreditarem no nosso trabalho”. A candidatura, que diz ser “apartidária”, nasce de um movimento cívico de cidadãos, que procuram exercer a sua cidadania em plena democracia. Perante a acusação de estar a pressionar alguns presidentes de Junta a ficarem do seu lado, nega determinantemente tal acusação, ainda que admita que estes e outros boatos comecem a aparecer, como já vem sendo hábito: “já se sabe que, de quatro em quatro anos, surgem cartas anónimas e boatos sobre a minha pessoa, numa tentativa de desacreditar e denegrir a minha pessoa”.
Convites recusados. Embora não possa ser candidato à presidência da Câmara Municipal por ter atingido o limite de mandatos, não nega ter sido sondado e até convidado a encabeçar candidaturas noutros concelhos limítrofes, graças à longa experiência de vida autárquica que possui. “Não aceitei, por uma questão de princípio. O limite de mandatos é para todos e para cumprir”, refere.

Rutura com o PSD. Embora continue a afirmar que o PSD é e será sempre o seu Partido, lamenta a rutura instalada com a Comissão Política local do PSD, liderada por José Manuel Ribeiro e com a Comissão Política Distrital do PSD Aveiro, liderada por Ulisses Pereira.
Litério Marques diz mesmo que, ao longo destes 20 anos de vida autárquica deu mais ao partido do que recebeu dele, contrariando, assim, algumas afirmações de que estaria, com esta lista de independentes, a desafiar o PSD, mas também a deitar por terra um apoio inequívoco que recebera sempre por parte do Partido Social Democrata. “Nunca me servi do PSD, pelo contrário, o PSD é que se tem servido de mim todos estes anos”, refere, dando nota de que parte para uma nova campanha política, sem receios: “levo a votos uma equipa de pessoas de vários quadrantes políticos, que se revêem no nosso projeto de desenvolvimento e progresso para o concelho”.
Quanto à Concelhia “laranja”, lamenta nunca ter havido uma crítica positiva ou negativa ao trabalho do executivo que lidera. “Fomos desprezados ao longo deste mandato. Nunca foram solidários ou críticos em relação ao nosso trabalho, o que lamento profundamente”. Por isso, entende que o PSD é que afrontou uma equipa eleita democraticamente pelo povo e não o contrário.
Contactado por Jornal da Bairrada, José Manuel Ribeiro não se quis pronunciar.

Catarina Cerca
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