Publicado em 02 Março 2009.
No rescaldo do Sanguedo – Aguinense
A revolta dos bairradinos
Manuel Zappa
Depois do nulo no jogo da primeira volta, a crença de adeptos, jogadores, treinador e dirigentes do Aguinense, de que o seu clube era capaz de ultrapassar o Sanguedo e conquistar o seu primeiro tÃtulo, em 43 anos de existência, era enorme, depois de, na época de 84/85, esse feito lhe ter fugido para o Fermentelos, numa final que contou ainda com o Argoncilhe.
Razões mais do que suficientes conferiam-lhe o estatuto de que, mesmo jogando no terreno do adversário, com a canÃcula que se fez sentir, o Aguinense tinha como cartão de visita o facto de se apresentar em campo invicto no campeonato e de Sanguedo invicto saiu, dado que os bairradinos só perderam no prolongamento.
Dentro de todas estas conjecturas, os adeptos do clube de Aguim não ficaram insensÃveis à grande final. De tal forma que mais de duas centenas de pessoas se deslocaram-se a Sanguedo para apoiar a sua equipa. O jogo, em vários momentos, foi empolgante. O Aguinense, já no segundo tempo, adiantou-se no marcador, mas, a oito minutos dos noventa, os locais empataram, forçando o jogo a um nefasto prolongamento.
Nesse perÃodo, os locais deram a volta ao jogo, mas para conseguirem esse desiderato, tiveram “a ajuda divina†daquele que foi considerado o melhor árbitro da AFA, Sérgio Silva, que subiu aos nacionais.
Na primeira parte, o juiz aveirense realizou uma arbitragem sem casos e absolutamente tranquila mas o seu comportamento mudou após o intervalo e a sua actuação foi desastrosa, com clara tendência para os locais. A sua dualidade de critérios foi incomensurável. Faltas ao contrário, decisões caricatas, tanto no capÃtulo técnico como disciplinar e duas grandes penalidades que não assinalou no prolongamento. Uma sobre Tiago, outra em que dois jogadores do Sanguedo meteram a mão à bola na sequência de um livre de Rui Castro. Toda a gente viu, menos o árbitro, o que levou a um final, que teve mais oito minutos para além dos trinta, culminando num jogo em que os adeptos do Aguinense se manifestaram ruidosamente contra uma arbitragem que nada dignificou esta final e o próprio Conselho de Arbitragem da AFA.
Apetece dizer que Sérgio Silva foi a cereja no topo do bolo para o Sanguedo e, como diziam os adeptos do Aguinense, a verdade desportiva foi adulterada.
ANTÓNIO LAGOA SEM CONTEMPLAÇÕES
Baptista, treinador/jogador do Sanguedo, era no final da partida um homem feliz, não se alongando muito nas cambiantes que o jogo conheceu: “Foi uma grande final. Acho que merecemos a vitória, pois no prolongamento fomos mais fortes. Parabéns ao Aguinense, que discutiu sempre a vitóriaâ€.
Sobre Sérgio Silva, Baptista disse: â€Tirando um lance ou outro, penso que esteve bem. Só foi pena as expulsõesâ€.
Sentimento oposto tinha António Lagoa, presidente do Aguinense, que não teve pejo em afirmar que o árbitro foi “corruptoâ€, afirmação que, momentos antes, tinha dito também ao próprio árbitro e que o iria dizer também em sede própria aos responsáveis pela arbitragem da AFA.
Sobre o jogo, António Lagoa foi deveras corrosivo: “A única coisa que posso dizer é que esta final teve duas meias finais. Quem assistiu à primeira meia sabe que a segunda foi o prolongamento da primeiraâ€.
Sem se deter, o lÃder do Aguinense, abordou que “não são os melhores que ganham, nem os que melhor jogamâ€.
No que ao jogo diz respeito, António Lagoa disse que “foram dois jogos bem disputados entre duas equipas com um futebol bastante competitivo e qualquer uma delas podia ter ganho. Agora, o que custa é perder da forma como perdemosâ€.
O TRATAMENTO NÃO FOI IGUAL
VÃtor Henriques não foi tão contundente na análise à partida, contudo, não deixou de enviar algumas indirectas à forma como o jogo foi conduzido.
No que toca ao comentário ao jogo, o treinador do Aguinense referiu que “foi um jogo de muita luta e entrega. Apesar do Sanguedo, no primeiro tempo, possuir o controlo do jogo, as melhores oportunidades de golo foram nossas. No segundo tempo até à obtenção do nosso golo, fomos a equipa mais perigosa, mas, a partir daqui, assistimos a um maior assédio dos locais, tendo estes chegado ao golo através de um lance de bola paradaâ€.
Sobre o prolongamento, VÃtor Henriques salientou que “foi difÃcil controlar o rendimento fÃsico dos jogadores, dado que, há dois meses, reduzimos as cargas de treino, já a pensar na próxima épocaâ€.
Todavia, para o técnico do Aguinense, para além da brilhante prestação do clube ao longo do campeonato, não foi o aspecto fÃsico que condicionou totalmente a sua equipa: “Foi a dualidade e o respeito como as equipas foram tratadas. É muito complicado ganhar a equipas que jogam completamente à vontade, batem e castigam, passando ao lado das leis. A única mágoa com que fico foram as expulsões. Num só jogo vi três jogadores serem expulsos, quando, ao longo da época, em 31 jogos, apenas tivemos um vermelhoâ€.
Sobre a actuação de Sérgio Silva, VÃtor Henriques, em tom lacónico, disse que “foi o melhor árbitro de Aveiro e está tudo dito. Aquilo que se passou em Sanguedo, é que existe uma tremenda falta de qualidade no futebol português. Em tudo. A arbitragem esteve de acordo com essa realidadeâ€.
Na sua opinião, o critério desta final deveria ser jogada num só jogo e em campo neutro, mas como foi jogada a duas mãos, os golos fora deviam contar.
A finalizar, VÃtor Henriques deixou uma palavra de grande amizade para toda a equipa, sobretudo a Miguel Ângelo, impedido de dar o seu contributo à equipa por, dias antes, ter sofrido um acidente de viação e se encontrar hospitalizado em Coimbra, como também ao muito público que se deslocou a Sanguedo: “Daqui faço um apelo para que na próxima época os adeptos apoiem o clube fora e em casa, nessa luta desigual que será a 1ª Divisãoâ€.
(20 Jun / 17:03)