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“Temos de estar onde nos sentimos realizados”


Joana Cunha é natural do Silveiro (Oiã, Oliveira do Bairro), onde viveu até há ano e meio. Foi nessa altura que esta professora do 1.º ciclo se viu obrigada não a emigrar, mas a migrar para a Madeira, em virtude de, no continente, não conseguir colocação.
“Apesar de me ter custado deixar a família e os meus amigos, não existe melhor realização do que estarmos a trabalhar naquilo que gostamos e para aquilo que estivemos anos a estudar”, admite a jovem professora de 23 anos.
Foi em setembro de 2010 que Joana Cunha fixou residência na ilha da Madeira, mais concretamente na vila do Caniçal. Embora não tenha saído de Portugal, a vida profissional “empurrou-a” para longe da família, dos amigos e até mesmo dos costumes da terra onde vivia. Mas Joana contou sempre com o apoio dos pais, por um lado, e, por outro, da irmã, que também já vivia na ilha. Apesar das “muitas saudades”, Joana Cunha não se arrepende. “A verdade é que, no continente, na área da educação, vai sendo complicado arranjar um emprego a tempo inteiro. Se eu continuasse no continente, com certeza que iria apenas conseguir trabalho nas Áreas de Enriquecimento Curricular, sensivelmente três horas por dia, o que equivale a muito pouco tempo de serviço”, considera Joana Cunha, acrescentando ainda que, “pela consequência da baixa da natalidade e outros fatores, as escolas a fechar vão sendo uma realidade constante e assim, nós professores, vamos vendo os postos de trabalho a reduzir”. Daí ter que procurar trabalho fora do território continental, estando neste momento a tempo inteiro numa escola do Funchal.
Joana Cunha lamenta que hoje em dia e cada vez mais, os jovens tenham de sair do seu país “ou ir para outros pontos dentro do seu próprio país para garantir uma vida melhor. A verdade é que Portugal está a limitar o futuro da maioria dos jovens”.

Povo muito acolhedor
Joana Cunha adaptou-se bem à Madeira. “Aqui, as paisagens são encantadoras e o povo madeirense é muito acolhedor.” Ainda assim, é o coração que fala, quando vêm à memória os costumes e tradições, as festas típicas e a gastronomia da sua terra natal, que visita, por norma, duas semanas no Natal, Páscoa e um mês no verão.
Na escola onde leciona, de entre 16 professores, oito são continentais. “Mas, pela ilha, somos muitos e é bom convivermos e falarmos das tradições, algumas bem diferentes das madeirenses”, conta a bairradina.
Joana reconhece que Portugal é “um lugar agradável para viver”, mas devia ser “melhor cuidado a nível de infraestruturas”. Onde mora, “não se veem as estradas por alcatroar e os jardins descuidados, como já vai sendo muito frequente na Bairrada”. A nível de empregabilidade, o nosso país oferece poucas oportunidades, principalmente a quem sai da Universidade. Aconselha, por isso, principalmente os jovens licenciados, a emigrar, “pois torna-se deprimente estarmos a fazer algo de que não gostamos”. “É bom alargarmos os nossos horizontes, conhecermos outras culturas e principalmente, trabalharmos na área que nos deixa realizados.”
Para já, não está no horizonte de Joana Cunha regressar às origens. “Mas quem sabe, um dia…”
Oriana Pataco

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