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Tag Archive | "solidariedade"

Mealhada: Bubbles Run & Walk promete diversão, solidariedade e… espuma


Uma caminhada e uma corrida repletas de cor, animação, divertimento e espuma! Assim será a Bubbles Run & Walk, uma iniciativa inédita a realizar na vila de Pampilhosa, no concelho de Mealhada, no próximo dia 21 de setembro. Uma atividade para toda a família ao jeito das tão famosas Color Run e Fun Run.

Um itinerário mais curto e um outro mais comprido estão programados, já que o objetivo é juntar toda a família numa iniciativa em prol da corporação dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa. A organização está a cargo desta instituição e da empresa de animação turística Living Place.

A iniciativa decorrerá no próximo domingo, dia 21 de setembro, pelas 16h, tendo início marcado em frente ao Quartel dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa (Concelho da Mealhada). A atividade visa a angariação de fundos para aquela corporação.

O custo de participação é de 5 euros, sendo que as crianças até aos 10 anos não pagam. As famílias têm desconto. A inscrição não é obrigatória, no entanto, é recomendável por uma questão de logística da atividade.

Mais informações e inscrições através do geral@livingplace.pt ou 961 750 028 / 916 717 442.

 

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Anadia: Contribuição solidária custa 131.358 euros/ano ao município


São 131.358 euros/ano, por um período de sete anos, o valor que o município de Anadia vê ser subtraído ao seu orçamento anual. Este é o montante de que o concelho vai ter de abdicar a favor da contribuição solidária, criada pelo Estado. Contas feitas, ao fim de sete anos serão mais de 900 mil euros (919.507 euros) que deixam de entrar nos cofres da autarquia.
Este valor foi agora acordado entre o Governo e a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) relativamente ao Fundo de Apoio Municipal (FAM). Um fundo que “obriga” todos os municípios a contribuir financeiramente no sentido de ajudarem um conjunto de municípios (cerca de 20) que se encontram em situação de enorme carência financeira. Inicialmente apontava-se que Anadia teria uma comparticipação mais elevada, no valor de 257 mil euros, por um período de cinco anos. Contudo, o entendimento entre a tutela e a ANMP possibilitou que o capital social de 70% que caberia aos municípios (por cinco anos) fosse reduzido para 50%, mas por sete anos. Ou seja, das negociações entre a ANMP e o Estado resultou na redução em 130 milhões de euros no valor da comparticipação referente aos municípios para o FAM.
Numa das últimas reuniões de executivo, a edil Teresa Cardoso considerava esta contribuição mais um “atentado às finanças dos municípios”, repudiando a ideia de que sejam os municípios bem geridos e cumpridores, a fazer um esforço e a contribuir para fazer face a situações de rutura vividas pelos municípios em dificuldades.
CC

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Núcleo de Anadia da AMI promove Festa da Primavera


O Núcleo da AMI de Anadia vai realizar a quarta edição da “Festa da Primavera” no próximo dia 29 de março, pelas 21h30, no Cineteatro de Anadia.
À semelhança das anteriores edições, trata-se de um espetáculo diversificado, com música, dança, alegria e boa disposição.
“Temos um elenco que promete como a Cades, Escola de Artes da Bairrada etc… e mais não digo, para ser surpresa…”, revelou a JB Ema Almeida, no Núcleo de Anadia da AMI.
Um evento solidário que se espera venha a merecer da comunidade anadiense e da região a merecida adesão.

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APPACDM Anadia: Nova “cama de banho” graças a donativo da ACHBL


A APPACDM de Anadia pode, finalmente, dar banho aos seus utentes que habitam o lar/residência de Avelãs de Caminho com outro conforto e segurança, graças a uma valiosa oferta que acaba de chegar por intermédio da Associação Cultural e Humanitária da Bairrada no Luxemburgo.
Esta associação regressou à APPACDM para entregar mil euros que foram aplicados na aquisição de uma cama de banho, orçada em 1800 euros.
Coube ao presidente da ACHBL e bairradino Rogério Oliveira trazer esta boa nova. Aos jornalistas revelou que, depois da ACHBL ter participado num concurso no Luxemburgo, em 2013, promovido por uma instituição bancária, a votação a favor da ACHBL foi de tal maneira elevada que receberam um prémio de mil euros. Verba que a associação fez questão de entregar agora à APPACDM, já que esta ajuda técnica é bastante dispendiosa.
Madalena Cerveira, presidente da direção da APPACDM, mostrou-se bastante sensibilizada: “soubemos desta prenda na altura do Natal. Como não tínhamos nenhuma (só existe nesta residência um estrado que se adapta à banheira normal), é uma oferta extremamente valiosa, pois estávamos muito necessitados”.
Na residência de Avelãs de Caminho moram 12 deficientes, alguns com elevado grau de dependência e mobilidade muito reduzida. Por isso, esta ajuda “vai facilitar muito o momento do banho”.
“A ACHBL tem-nos ajudado sempre que solicitamos e dentro das suas possibilidades”, diz Madalena Cerveira.
Por seu turno, Rogério Oliveira destacou o trabalho meritório que a ACHBL tem feito ao longo dos anos, ajudando muitas instituições e pessoas particulares, um pouco por toda a parte. “Recebemos cada vez mais pedidos de ajuda, mas a comunidade portuguesa, apesar da crise, continua a ser muito solidária e após todos estes anos continua a ajudar. As pessoas não dizem “Não” a esta associação, que tem um longo historial e uma grande visibilidade na área humanitária”, adianta.

Projeto para mais uma residência já existe. A APPACDM tem, neste momento, três lares (Avelãs de Caminho, Vilarinho do Bairro e Casal Comba-Mealhada) e um apartamento onde residem, um total, de 47 deficientes. Com lotação esgotada nestes lares/residências, urge pensar numa nova casa que possa acolher estes cidadãos tão especiais. Por isso, e tendo em conta a existência de uma lista de espera com mais de 30 indivíduos, a direção da APPACDM tem já em mente um projeto orçado em cerca de 387 mil euros (obra, equipamento e viatura) que deseja colocar em marcha.
O terreno para a obra já existe e foi oferecido pela Câmara Municipal de Anadia. Está localizado junto ao novo Centro Escolar de Anadia.
“Esse novo lar/residência permitirá dar cobertura a mais deficientes sem o apoio familiar de retaguarda ”, diz Madalena Cerveira. Uma obra que só será possível avançar com o apoio da tutela: “Sem esse financiamento estatal não conseguimos avançar. Seria um encargo insuportável”, diz.

Reabilitar edifício sede. Por outro lado, e tendo em conta que o edifício principal tem já 20 anos, a direção perspetiva realizar várias obras de reabilitação. Neste momento, aguardam luz verde do Fundo de Socorro Social para poderem avançar, uma vez que a candidatura já foi apresentada.
A ala até agora afeta ao Ensino Especial (cada vez com menos utentes, por determinação da tutela) vai permitir ampliar a zona de CAO (Centro de Atividades Ocupacionais) para mais 15 utentes. Serão ainda construídos novos sanitários, assim como será feita uma intervenção na cozinha, incluindo pinturas interiores e exteriores.
Refira-se que só no ano de 2013, graças ao espírito solidários e de bem fazer de muitos emigrantes portugueses radicados naquele país, a ACHBL deu 33.778 euros em donativos vários.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt

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Noite de Natal vivida no afeto das instituições


O Natal é, por excelência, a festa da Família. Mas nem sempre a família de sangue dá aos seus idosos os cuidados e a atenção de que necessitam. É por isso que também nestas alturas, os idosos institucionalizados sentem ainda mais esta casa como sua e quem lá trabalha como a sua segunda Família. Para alguns, chega mesmo a ser o único lar. Nesta reportagem, histórias de quem vive a quadra natalícia no seio daqueles com quem criou laços.

Tem nome de fadista, mas avisa desde logo que não vai cantar o fado. O ar bem disposto e a piada fácil disfarçam uma vida que foi tudo menos um mar de rosas para Carlos do Carmo Tavares. Responde-me, em tom “very british”, que tem 64 anos. E ao longo da conversa, vai espontaneamente salpicando as frases de palavras na língua de Sua Majestade. Pergunto-lhe onde aprendeu a falar inglês. “Nos books [livros]”, diz de pronto. Fez a 4.ª classe, mas o orgulho cresce quando me confessa que nunca se cansa de aprender.
Carlos do Carmo Tavares nasceu no Montijo. Destacado pela PSP, onde trabalhava, foi para Chaves, onde deixou aquela que era a sua única família. A guerra em Moçambique levou-lhe o irmão, os pais já partiram.
Em 2014 fará 30 anos que a desdita lhe bateu à porta. Um divórcio espinhoso deixou-o sem forças. “Bati no fundo…”, desabafa.
Está em Oliveira do Bairro há 43 anos. Deixou toda uma vida para trás e começou do zero. Passou por várias fábricas – Gresval, Tijotelha e Metalsa. Num dia fatídico de novembro de 2000, quando regressava do trabalho, foi atropelado. Resultado: um fémur partido que lhe traria consequências. Hoje, o pouco que recebe do fundo de desemprego, apenas lhe permite pagar um quarto na Santa Casa da Misericórdia de Oliveira do Bairro. É aqui que passa os dias e as noites, desde o dia 1 de fevereiro deste ano. “Sinto-me bem aqui. Tenho cama, mesa e roupa lavada. Procuro cumprir as regras o melhor possível e sou bem tratado.”
Esta é a sua casa e a sua família. “O meu filho tinha sete anos quando me vim embora. Não o vejo há mais de trinta…” Nesta época, a lembrança bate mais forte. “Há sempre aquela saudade. Mas procuro distrair-me”, afirma Carlos do Carmo Tavares.
Será o seu primeiro Natal na Misericórdia. “Sei que vai haver bacalhau, bilharacos, bolo-rei e… a pinguinha!”, diz, com graça. Garante que é feliz e que este será um natal “com muita alegria, com estas pessoas competentes e carinhosas, que nos tratam muito bem”.
Bem diferente do fado de Carlos do Carmo foi a vida de Deolinda Rodrigues Matias. “Tenho muita idade, amiga…” Assim começa a nossa conversa com a D. Deolinda que, aos 96 anos, revela que o que ainda a mantém viva “é a família”. “O meu filho, o José Alberto, é muito meu amigo.” É o único vivo, de três que teve. “Tenho duas netas e uma bisneta. A minha família é a minha alegria!”.
Até há cerca de um ano, Deolinda Matias vivia com o filho, no Mamodeiro. Desde agosto de 2012, está na Santa Casa de Oliveira do Bairro. “Mas o meu filho vem-me buscar todas as semanas, para irmos passear”, afirma, satisfeita. “Já me disse que vou passar o Natal a casa dele e que fico lá.” E gosta, pergunto. “Ai não que não gosto! Vai ser uma noite muito feliz para mim!… Passei sempre o natal com a minha família, com educação e muito carinho.”
Deolinda Matias sente-se acarinhada nesta segunda casa. “Gosto de estar aqui, mas não há nada como a nossa casinha… Apesar de aqui serem todas muito minhas amigas”, reconhece.

O Natal na Santa Casa. Deolinda Matias não vai passar a noite de consoada na Santa Casa. Ao contrário de outros clientes desta instituição. Como Manuel Vítor Oliveira, que há mais de dez anos não passa o Natal com o filho. “Há muitos anos que passo o Natal na Santa Casa, desde que para lá entrei, primeiro no Centro de Dia, agora no Lar. É aqui que tenho a minha família”, diz sem hesitações. Admite que no início lhe custou. “Com os nossos, estamos mais à vontade. Mas é uma questão de hábito”, suspira.
O único filho mora na casa que o pai construiu, no Portouro, Amoreira da Gândara. Não o vê há mais de ano e meio. “Visita-me muito raramente. Tem a vida dele”, desculpa o amor de pai.
Para Manuel Vítor, a noite de Natal é apenas mais uma noite. Ao contrário do dia de Natal. “A minha mãe fazia anos no dia 25 de dezembro. Já partiu há dois anos. É um dia de uma grande emoção, de muitas lembranças, de muita saudade…”
Saudade que se sente na voz e nos olhos brilhantes. Emoção que passa quando retornamos à sua casa, à sua família na Misericórdia. Na festa de Natal da instituição, como habitualmente, subirá ao palco para representar. “É cansativo, obriga-nos a decorar certas frases e isto aos 66 anos já não é a mesma coisa”, assegura, com outro brilho no olhar.
Lurdes Oliveira, diretora técnica das respostas sociais de Terceira Idade da Santa Casa da Misericórdia de Oliveira do Bairro, revela-nos que “há sempre aqueles idosos que gostariam de ir a casa, mas a maior parte já sente esta casa como sua”. “Às vezes”, adianta, “chegam a casa da família e passado pouco tempo dizem «quero ir embora para casa…».”
Em 60 clientes de Lar, quatro estão acamados permanentemente e apenas dez vão a casa. “Sendo o Natal a festa da família por excelência, gostaríamos que muitos mais passassem esta época em casa. Mas temos consciência da grande dependência da maioria, o que os impossibilita de ir. Por este motivo, tudo fazemos para proporcionar aos que ficam um ambiente natalício, o mais acolhedor possível”, afirma Lurdes Oliveira.
A instituição procura trazer à noite de consoada o típico da época. Por isso, não pode faltar o tradicional bacalhau com todos e os doces natalícios. Mas a verdadeira celebração não será no dia 24. O dia mais festivo é vivido precisamente hoje, 19 de dezembro. “Fazemos sempre uma festa de natal para os idosos, de forma a termos o maior número de colaboradoras presentes junto deles”, explica Lurdes Oliveira.
Assim, o dia começa com uma Eucaristia e, de seguida, um almoço, onde a Mesa Administrativa da instituição marcará presença. A tarde será bastante animada, com um espetáculo de variedades proporcionado pelos próprios colaboradores. “Haverá uma peça de teatro, canções e poemas e, depois, claro, o Pai Natal, que trará uma prendinha simbólica para cada um dos nossos idosos.”
Lurdes Oliveira sabe que, para alguns clientes, esta é sempre uma época de nostalgia. Principalmente para aqueles que veem outros serem visitados pela família e que não têm a mesma sorte. Salienta, no entanto, que durante o ano, “os nossos idosos, de uma forma geral, são bastante acarinhados pela família e visitados com muita frequência por grupos da comunidade, visitadores de doentes, escolas…” E muitos, volta a frisar, sentem-se bem aqui. “Esta também é, afinal, a sua família…”

De sem-abrigo a utente do Lar de Aguim

Não se sabe praticamente nada da sua vida, porque Valentim Campos também é um homem de poucas falas. Utente do Lar de Nossa Senhora do Ó, em Aguim, há três anos, altura em que aqui foi colocado através da Segurança Social de Aveiro, hoje, aos 69, diz gostar de aqui estar, pois encontrou a casa e a família que não tem.
Natural de Pardilhó – Estarreja, conta apenas que foi agricultor e que andava aos dias por conta de outras pessoas, para ganhar o sustento. Uma vida, segundo sabemos agora, marcada pelo alcoolismo, por uma doença mental, mas também pela rua, onde terá vivido vários anos. A sua adolescência e infância são um mistério e a essa é mais difícil de chegar. Diz-nos que é solteiro e que não tem recordações da mãe, que faleceu quando era ainda pequeno. Do pai nada adianta, a não ser que se lembra que ele andava às pinhas.
Nesta quadra festiva, o Natal pouco lhe diz, não só porque nunca foi pessoa festeira ou dada a celebrações, mas também porque não existem laços familiares com outros parentes. Dos meios-irmãos nada sabe, tal como de eventuais parentes que ainda possa ter.
Apenas recorda o tempo de pobreza e alcoolismo que o levaram à rua e a uma vida de sem-abrigo. “Dormia sozinho em Aveiro, perto do Pingo Doce, numa fábrica abandonada”, recorda. As esmolas e biscates eram o seu sustento: “mas havia pessoas que me davam de comer. Nunca passei fome”, diz agora.
Contudo, o estado de fraqueza levou-o, numa madrugada de 2010, ao Hospital de Aveiro, que terá sido a sua salvação. Quando chegou a Aguim, era um homem acamado, com imensa dificuldade de locomoção e extremamente magro.
Os primeiros tempos foram tudo menos fáceis. Ninguém se apercebeu da sua dificuldade em ver, causada por cataratas (estava quase cego), mas como não falava, só mais tarde o problema seria detetado e então foi sujeito a intervenção cirúrgica. Pouco a pouco, o amor, carinho, dedicação, aliados a grandes doses de paciência, começaram a surtir efeito e Valentim começou a sentir-se acarinhado e integrado nesta casa.
Contudo, Helena Castro, diretora-técnica do Centro Social de Aguim, coloca algumas interrogações quanto ao seu passado. “É uma questão que fazemos frequentemente, porque ele tem um comportamento com algumas curiosidades: é muito esquisito com a comida, quer andar sempre muito arranjado, não veste qualquer coisa, não gosta de se limpar duas vezes à mesma toalha e tem muito cuidado com a sua aparência”, o que pode revelar uma educação cuidada e um asseio invulgar para quem foi um sem-abrigo.
Este é o terceiro Natal que passa em Aguim. Tal como ele, são muitos os utentes da instituição que aqui passam a consoada, mas por opção. Apenas 10 ou 12 vão a casa. A idade avançada de muitos, o cada vez maior grau de dependência, e o facto de ser uma altura do ano muito fria, leva-os a optar por ficar no quentinho do Lar, abdicando de um Natal em família. Uma quadra em que o papel de Dina Batista, animadora social da instituição, é essencial na preparação das festividades.
Contudo, ainda são bastantes os que, no dia de Natal, passam o almoço e a tarde com os familiares que os vêm buscar e trazer. Neste dia a azáfama é grande, com um entra e sai de gente da instituição.
Mas a instituição gaba-se de, tirando um caso ou outro, a maioria das famílias estar próxima dos seus idosos, durante o ano inteiro, com visitas regulares.
Todavia, Helena Castro admite que esta é “uma época mais emotiva, em que as vivências do passado se refletem nestes dias”, sendo certo que alguns idosos lamentam a ausência dos familiares diretos.
Este ano, para além da festa de Natal da instituição, celebrada no passado dia 13, com os familiares diretos dos utentes de Lar, Centro de Dia e do Apoio Domiciliário, prepara-se a noite da consoada. Uma noite que tenta recriar um ambiente o mais familiar possível, não faltando na mesa o bacalhau, o bolo-rei, as rabanadas: “há um jantar melhorado, e a consoada é passada com as funcionárias. Não vão logo para a cama, ficam até mais tarde, comem umas passas, e foge-se à rotina dos outros dias, tal como acontece uma semana depois, na Passagem de Ano”.

Saudades dos filhos e dos netos

No Lar José Luciano de Castro, da Santa Casa de Misericórdia de Anadia, fomos conhecer Manuel Jesus Cardoso que, com 78 anos de vida, de uma forma muito emotiva, nos contou como esta altura do ano é difícil de passar, sem a presença dos filhos, emigrados no Canadá. Uma ausência compensada por todo o amor e carinho recebidos na instituição.
Utente desde 1999, este será o seu 14.º natal no Lar, sem qualquer apoio ou visita familiar. Viúvo e sem parentes, recorda com saudade as visitas dos filhos em tempo de férias, mostrando-se muito orgulhoso por conhecer também os três netos que nasceram lá longe. “Os meus filhos emigraram há vários anos. Têm lá as vidas, o trabalho, as famílias e as casas”, diz, dando conta de que recebera a visita de um deles em agosto passado. “Foi uma grande alegria. Ele já cá não vinha há sete anos. Vi a minha netinha pela segunda vez”.
Natural de Ribafornos, Óis do Bairro, tem no Lar a sua casa e toda a equipa de colaboradoras a família, embora sublinhe que os filhos, apesar de longe, não se esquecem dele, telefonando com frequência para saber do seu estado de saúde e matar saudades.
Recorda, por isso, comovido, os natais passados em família, na sua terra natal: “é do que sinto mais falta”.
Manuela Silva, diretora técnica da instituição, avança que, dos 48 idosos, apenas uma dúzia irá passar a consoada a casa. As razões são em tudo semelhantes às registadas em Aguim, ainda que aqui, a taxa de idosos com grandes dependências e demências seja maior. “Para a maioria, esta é a sua casa e a sua família e é visível o afeto entre utentes e funcionárias”, destaca, não deixando de registar que “existe um bom grupo de familiares que faz visitas diárias e semanais”, atentos aos seus idosos e às suas necessidades. O reverso da medalha é também uma realidade e, de facto, alguns não recebem qualquer visita, nem nesta, nem em qualquer outra altura do ano, embora as famílias estejam próximas.
A JB, revela que nesta quadra “é incontornável que os idosos, mais lúcidos, fiquem mais sensíveis, porque recordam o passado, o que viveram”, esperando apenas que o Lar consiga compensar a ausência familiar. “A maioria espera que nós preparemos e façamos a festa de Natal, sendo eles meros recetores”.
A festa de Natal da instituição foi celebrada no passado dia 17 com uma tarde de grande agitação, à volta de um espetáculo que juntou crianças do Infantário e os idosos do Lar, terminando à volta de um lanche ajantarado com familiares.

Oriana Pataco/Catarina Cerca

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Cantanhede: Comunidade educativa anadiense solidária com Ritinha


A comunidade educativa anadiense (sobretudo professores, pessoal não docente, pais, encarregados de educação e alunos da Escola Secundária de Anadia – ESA e da Escola Básica n.º 2 de Anadia) abraçaram mais uma causa solidária e estão a colaborar ativamente numa campanha que visa angariar fundos para adquirir vários equipamentos técnicos para melhorar a qualidade de vida de uma criança de Cantanhede (residente em Ançã), com graves problemas de saúde.
A Ritinha tem 22 meses e foi-lhe diagnosticado com apenas cinco meses lisencefalia, microcefalia, síndrome de West (epilepsia), entre outros problemas que a impedem de ter um desenvolvimento como as outras crianças.
É exatamente por causa destes problemas que a Ritinha não consegue ficar sentada, não consegue andar, segurar a cabeça ou falar.
Nesta luta tem a seu lado apenas a mãe, que com 21 anos e escassos recursos, se aventurou nesta campanha de angariação de fundos que está a contar com o apoio de amigos de vários cantos da região.
A viver apenas com a mãe e com o apoio da avó, todas as ajudas são bem vindas para conseguir adquirir o equipamento específico e muito caro, precisando da ajuda de todos.

Plásticos, tampinhas e papel. A ajuda está a ser feita através da campanha de recolha de plásticos (garrafas e garrafões de água e de sumo e de detergente), mas também tampinhas, papel e cartão.
Em Anadia, o apoio a esta criança partiu da professora Manuela Monteiro, Coordenadora das Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Anadia que, ficando sensibilizada com o caso, o apresentou na Biblioteca da ESA. “Em outubro envolvemo-nos ativamente nesta causa, até porque o projeto educativo da Biblioteca Escolar integra o projeto social, designado de «Biblioajudaris» que pretende desenvolver nos alunos o sentido dos valores da partilha e da solidariedade”, diz, revelando que, depois de em anos anteriores já ter ajudado um aluno universitário e uma professora de História desempregada, chegou agora a vez de colaborar nesta campanha de recolha de papel e tampinhas para a pequena Ana Rita, de 22 meses.
“Todos podemos e devemos ajudar. A menina precisa com urgência de uma cadeira de transporte adequada às suas necessidades, mas também de uma cadeira de banho e outra de estar”, avança a docente.
Manuela Monteiro revela ainda que um grupo de amigos está a fazer e a vender ursinhos, no valor de 5 euros. “As encomendas não param de chegar porque os ursos são muito bonitos. Já fizemos uns 50, aqui em Anadia, mas continuamos a receber encomendas até conseguir as verbas necessárias para comprar aquelas ajudas técnicas de que a Ritinha tanto precisa”, admite.
Refira-se ainda que em alguns espaços comerciais encontram-se também mealheiros para a recolha de donativos: Escola Técnico Profissional de Cantanhede; Pronto a vestir Valdagua, em Ançã; Mini Preço de Febres; Farmácia Neves de Ançã; Escola Secundaria de Anadia; Clínica Médica Dentária de Anadia; Padaria Cruzeiro em Chipar de Cima (Vilarinho do Bairro), entre outros pontos comerciais de Febres.
Está igualmente a decorrer uma venda de rifas, cujo sorteio será no dia 19 de janeiro (Dia do almoço solidário) e dia do aniversário da Ritinha que completa dois anos de vida. O almoço solidário será no restaurante Verdadeiro Pingão em Ançã, com animação musical. Com entradas, sopa, prato de carne, sobremesas, bolo de aniversário, bebidas e café, o valor é de 12,50 euros.
Todas as ajudas podem ser encaminhadas para o NIB: 0045 3024 40261512843 60; IBAN: PT50 0045 3024 40261512843 60.
Para mais informações contactar 91 7454385/ 910020468 ou 910156220. https://www.facebook.com/juntospelaritinha
CC

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Curia: Ciclo de concertos solidários na Universidade Sénior


Numa iniciativa conjunta da Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian (Aveiro) e a Universidade Sénior da Curia, sediada no Curia Tecnoparque, terá lugar no próximo dia 14 de dezembro (sábado) um Concerto de Natal, pelas 17h. O concerto pela Orquestra de Cordas terá lugar no Cineteatro de Anadia. Os bilhetes são gratuitos. Para marcações e aquisição de bilhetes contactar a Universidade Sénior da Curia; o mail – mgraca@wrc.pt ou o telefone 231 519712.

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Anadia: Alunos ajudam Cáritas a recolher donativos através de campanha “Partilhar é Urgente”


 

Decorreu no passado dia 5 de outubro, uma campanha de recolha de alimentos, promovida pela Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) em parceria com a Cáritas Portuguesa nos espaços comerciais que o autorizaram.
Em Anadia, os dois Colégios membros da APEC, Colégio Nossa Senhora da Assunção e os Salesianos de Mogofores, participaram ativamente, quer fazendo uma recolha interna, quer estando nos espaços comerciais que o permitiram.
Essa participação, que chegou até uma grande superfície em Aveiro, contou com o envolvimento de pais / encarregados de educação e sobretudo dos estudantes.
No total foram angariados 5.400 quilos de donativos. Além de procurar responder a necessidades básicas imprescindíveis e continuamente crescentes, os jovens destas escolas, desenvolveram os valores de partilha, de gratuidade e o espírito de voluntariado, descobrindo à maneira de Jesus, “que há mais alegria em dar do que em receber”.
Foi uma jornada de pedagogia da solidariedade e da Caridade e que teve um sucesso enorme nas duas vertentes pretendidas: na enorme recolha de alimentos e no crescimento humano de quem participou.
Os bens recolhidos nas duas instituições serão para recorrer às necessidades detetadas localmente e, os recolhidos no sábado serão entregues à Cáritas que os encaminhará para as instituições que deles careçam.

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Cantanhede: Espetáculo Esperança a favor de Ângela Guerra


A Associação de Pais da EB2/3CNT (Escola Básica Marquês Marialva) em Cantanhede a pedido de algumas instituições do Agrupamento das Escolas Marquês Marialva, nomeadamente o PES (Projeto Promoção Educação para a Saúde), o grupo Desporto Escolar e Educação Física, a própria Escola e restante Comunidade Educativa, com a cooperação dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede, leva a efeito no próximo dia 31 maio, um evento de solidariedade, com a participação de ginastas de várias turmas e de Inês Santos (a tua cara não me é estranha). Aliás, os fundos angariados revertem a favor da recuperação da jovem Ângela Guerra.
O espetáculo Esperança realiza-se a partir das 18h no salão dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede e conta com a participação das turmas de expressão artística/dança do 7.ºC, 7.ºE e 8.ºD, orientados pela professora Clara Neves.

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Sangalhos: Mais de meia centena ajudados pela Cáritas


Mais de meia centena de famílias da freguesia de Sangalhos estão a receber ajuda do Grupo Paroquial da Cáritas de Sangalhos.
Um apoio só possível graças à generosidade da população que, nos últimos meses, tem contribuído de forma ímpar para com esta causa.
Vergite Rainho e Violeta Moreira integram o grupo de 12 elementos que compõe a Cáritas de Sangalhos e a JB fazem um balanço extremamente positivo das dádivas recebidas.
Embora esteja presente na freguesia desde a década de 90, a verdade é que o Grupo tem estado bastante ativo, muito por força da crise e dificuldades sócio-económicas que afetam muitos agregados familiares da freguesia.
Ambas reconhecem que o apelo feito aos paroquianos pelo pároco Manuel Melo foi determinante para o sucesso da recolha, até porque já houvera, há uns anos, iniciativa semelhante que não foi tão bem sucedida.

Sucesso da iniciativa. “O apelo feito na quaresma correu muito bem. Superou as expetativas e foram arrecadadas algumas centenas de géneros alimentares”, dizem-nos, dando conta de que “depois, sendo o dia 11 de abril – Dia da Partilha, no âmbito da Missão Jubiliar da Diocese de Aveiro, o apelo realizado, de novo, pelo pároco permitiu recolher mais de 700 quilos de géneros alimentares não perecíveis”.
Os paroquianos, nas missas, na Igreja Matriz e nas várias capelas e até no cartório foram deixando as suas dádivas. Daí a presença – que se vai manter porque a fome não acabou – nas missas na Igreja Matriz de um cesto em verga onde podem continuar a deixar alguns bens para que outros não passem fome.
Vergite Rainho e Violeta Moreira dizem que a Cáritas nunca ajudou tanta gente na freguesia e que não têm mãos a medir: “todos os dias chegam mais e mais pedidos de ajuda”. Idosos com pensões extremamente baixas, casais desempregados, com filhos a cargo, são situações com que se confrontam todos os dias.
“Chegam-nos com fome, porque têm as despensas vazias, não têm dinheiro para comprar medicamentos ou pagar água, luz ou gás”, revelam, sublinhando a dor de alma que sentem quando em determinados períodos pouco têm para partilhar. “É muito triste termos que dizer não, porque nos faltam géneros alimentares”. Por isso fazem um apelo para que os sangalhenses, dentro das suas possibilidades continuem a partilhar e a colaborar, já que estes pequenos gestos fazem a diferença na vida de muita famílias. “Infelizmente ainda temos muita fome envergonhada, mas as pessoas não têm que ter vergonha e devem pedir ajuda, para não sofrerem tanto”, dizem-nos lamentando não poderem dar apoios a estes agregados familiares todos os meses: “demos uma saca de bens no Natal, na Páscoa, agora em maio e vamos dar em finais de junho ou inícios de julho”.

Apelo à partilha continua. Mas de facto também nunca a população foi tão generosa e sensível a este flagelo e as dadívas vão chegando, ainda que em menor quantidade. Com as prateleiras a ficar agora mais vazias aguardam ainda receber a entrega anual do Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados (PCAAC) da Segurança Social e apelam à solidariedade de todos para que esta onda de partilha não pare.
CC

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