Nos próximos dias 2, 3 e 4 de Fevereiro entram em funcionamento, no concelho de Anadia, as UCSP (Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados). A primeira a abrir, no dia 2, será a de Sangalhos, segue-se no dia 3, a UCSP de S.Lourenço do Bairro e no dia 4, a de Anadia. É assim dado cumprimento à nova reforma dos cuidados de saúde primários em curso no concelho.
As três UCSP vão funcionar entre as 8 e as 20h, cinco dias por semana, e terão uma consulta de agudos, na qual os médicos terão de dar resposta ao utente no dia ou então num prazo máximo de 48h. Mas, a verdade é que esta nova reestruturação no concelho está a gerar grande revolta e indignação quer da parte dos autarcas, quer das populações, que dizem estar a ser privadas de um direito (Saúde). Por isso, circulam rumores de que, no próximo domingo, dia 23, dia de eleições, poderá haver, em V. N. Monsarros, um boicote às mesmas.
A reorganização que, a curto prazo, poderá ditar o encerramento de algumas Extensões de Saúde (casos de V.N. Monsarros, Ancas e Tamengos) obrigará a uma reorganização dos médicos do Centro de Saúde de Anadia que, recentemente, viu dois dos seus clínicos entrarem na reforma.

Contestação. O autarca mais contestatário tem sido António Duarte, de V.N. Monsarros. Depois da médica que fazia serviço nesta Extensão ter sido convidada para fazer parte da UCSP de Anadia, a maioria dos utentes passou para Anadia, restando naquela Extensão cerca de 200 utentes. Uma situação que irá, num futuro próximo, ditar o seu encerramento. Por isso, o autarca lamenta o encerramento parcial da Extensão de Saúde da freguesia: “o médico vem dois meios dias por semana, quando há um mês atrás tínhamos médica diariamente”, diz, avançando também que o serviço de enfermagem terminou em Novembro, depois de já ter sido diário. António Duarte condena não ter sido informado desta decisão pelo Agrupamento de Saúde do Baixo Vouga II e sublinha a injustiça que se está a cometer com a população que é “eminentemente rural, idosa, de parcos recursos e sem meios para se deslocar a outro lado”.
“Imagine quanto pagará de táxi um habitante de Parada ou Algeriz a ter de ir a Anadia a uma consulta.”
Também o autarca de Ancas, Arménio Cêrca, considera a solução “irrealista”. Avança que, na reunião a 7 de Janeiro, foi dado a conhecer que a Extensão de Ancas passaria a integrar a UCSP de Sangalhos e que já não encerraria, mas que ficaria apenas com médico, um meio dia por semana, à sexta-feira de manhã, para consulta de adultos e com serviço de enfermagem ao domicílio. O autarca recorda que, em Maio, fora retirado a Ancas, um meio dia de consulta de adultos e as consultas da diabetes, dos hipertensos, do planeamento familiar, da saúde materna, da saúde infantil, do rastreio do colo do útero e ainda um meio dia de enfermagem. Espera agora que “a directora do Agrupamento de Saúde mantenha em funcionamento em Ancas, pelo menos, os serviços que ainda neste momento continuam a ser prestados à população”.
Também o autarca de Tamengos, Óscar Ventura, que recentemente reuniu com a direcção executiva do Agrupamento de Saúde do Baixo Vouga II, diz ter alguns receios quanto ao futuro. Para já, é certo que não se vão registar mexidas na Extensão de Saúde da sua freguesia. Contudo, no futuro próximo, está determinado que os utentes desta Extensão serão deslocados para a UCSP de S.Lourenço do Bairro.
Refira-se ainda que a Consulta Aberta, em funcionamento no Hospital de Anadia, também sofreu alterações, estando a funcionar apenas com um médico no período do dia e com dois clínicos no período nocturno. Agora designada de Atendimento Complementar, continua a funcionar sete dias por semana, das 8 às 24h.

Catarina Cerca