A Câmara Municipal da Mealhada reuniu, extraordinariamente, esta quarta-feira, dia 20 de Agosto, para encontrar um sucessor para Fernando Correia, na presidência do conselho executivo da Fundação Mata do Buçaco (FMB). O encontro foi inconclusivo mas o presidente da Câmara, Rui Marqueiro, lançou o alerta ao colégio de vereadores: “Temos que encontrar alguém até final de agosto”.
“Estamos enrascados”, disse o líder do executivo, referindo-se às exigências e perfil para o cargo maior da fundação deixado vago por Fernando Correia, que no passado dia 11 renunciou àquelas funções, invocando razões pessoais.
Os compromissos ordinários da FMB, a questão do futuro do Palace Hotel do Buçaco (que necessita de investimentos rápidos) e o cumprimento de dois programas internacionais (BRIGHT e LIFE +) sustentam as preocupações de Rui Marqueiro, que pediu aos vereadores da oposição apoio para encontrar um novo líder para a fundação.
Nesta reunião, os três vereadores da coligação Juntos Pelo Concelho da Mealhada apresentaram um perfil geral para o próximo presidente da fundação, dando enfoque à recuperação da mata e do seu património. Gonçalo Louzada, Marlene Lopes e João Seabra entendem que o futuro presidente da FMB terá que possuir conhecimentos botânicos “profundos” sobre a manutenção e preservação da mata”, experiência comprovada em gestão, espírito de iniciativa, forte ligação ao Luso-Buçaco, capacidade de diálogo e facilidade na execução de projetos com vista à obtenção de fundos comunitários.
Com uma reunião de Câmara marcada para 1 de Setembro, o executivo quer resolver esta questão durante este mês. Marqueiro assegura que tem alguns nomes para contactar, depois de ver goradas as expetativas em relação a dois técnicos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que declinaram o convite do presidente da Câmara. “Temos pouco tempo, temos de encontrar alguém e sabemos que não é fácil encontrar alguém que congregue todos os conhecimentos necessários para gerir a mata”, disse Rui Marqueiro, pedindo aos vereadores presentes nomes de possíveis candidatos ao cargo.

Críticas às gestões do passado

No decorrer da reunião, o vereador da oposição, João Seabra, foi extremamente crítico em relação à gestão da mata, especialmente ao período de Fernando Correia, comentando que “o Buçaco não pode voltar a ser um campo de treinos” e “não pode voltar a ser entregue a madeireiros ou a intelectuais universitários”.
Já antes, Rui Marqueiro assegurou que percebeu a posição de Fernando Correia ao demitir-se talvez por “alguma frustração” em relação às exigências do cargo. E deixou algumas notas em relação à gestão do antigo e primeiro líder da FMB, António Jorge Franco. “É certo que a mata teve notoriedade com António Jorge Franco mas há coisas inexplicáveis, como por exemplo a empreitada das Casas do Buçaco, que tem erros de conceção básicos”. “É bom construir uma boa imagem mas também é importante fazer as coisas bem feitas. Mais vale cair em graça, do que ser engraçado”, concluiu.
João Paulo Teles