Assine já


Anadia

Arruamento do Montouro volta a ter máquinas no terreno com meses de atraso

Adjudicado por 875 mil euros e com um prazo de execução inicial de oito meses, o arruamento de ligação entre a Rua do Montouro e a Rua das Sobreiras, em Anadia, voltou a ter máquinas no terreno no passado dia 6 de julho.

Anunciada publicamente a 10 de maio de 2024, a empreitada foi entregue à empresa “Prioridade – Construção de Vias de Comunicação, S.A.”. Trata-se de uma intervenção de fundo, estendendo-se por cerca de 900 metros lineares. Muito mais do que uma simples estrada, o projeto contempla a construção de arruamentos pedonais e para automóveis, bem como a instalação integral de redes de abastecimento de água, saneamento, águas pluviais, alimentação elétrica, telecomunicações e gás. Com este investimento, o Município de Anadia traçou o objetivo de valorizar urbanisticamente a zona sul da cidade, criando áreas com potencial construtivo para fixar novos residentes. Contudo, chegados a julho de 2026, o prazo inicial de oito meses há muito que foi ultrapassado.

A 28 de novembro do ano passado, o presidente da Câmara Municipal, Jorge Sampaio, assinou um despacho a aprovar a suspensão dos trabalhos, a pedido do empreiteiro. Sete meses depois, os trabalhos recomeçaram.

Confrontado com o longo período de paragem, o presidente da autarquia explicou que o interregno esteve relacionado com a necessidade de garantir a estabilidade dos solos durante um “inverno muito rigoroso”. Tratando-se de uma empreitada que exige níveis de compactação de terra muito elevados, o autarca justificou que forçar o avanço da obra naquelas condições traria problemas a longo prazo. “Se não ficar bem feita, é muito complexo. As obras ficam prejudicadas depois para o futuro, para aquilo que é a qualidade da estrada”, alertou o edil, justificando assim a opção de suspender a empreitada até que o tempo melhorasse.

Apesar da melhoria meteorológica, o regresso das máquinas só se efetivou no início deste mês de julho. O executivo reconhece que os trabalhos já deveriam ter recomeçado há mais tempo, atribuindo este prolongamento do atraso à crise global de fornecimento de materiais que afeta transversalmente o setor da construção. Especificando o obstáculo que reteve o empreiteiro, o presidente revelou tratar-se de uma falha de fornecimento cirúrgica: “Houve um problema com algumas tubagens que eram necessárias e a empresa esteve mais tempo do que era previsto à espera que chegassem”, admitiu.

Apesar de o projeto acumular um atraso superior a um ano face ao calendário original, a autarquia assegura que os dinheiros públicos estão salvaguardados. Questionado sobre a eventual necessidade de o município ter de compensar financeiramente a empresa construtora devido aos meses em que o estaleiro esteve inativo, o presidente da Câmara recusou liminarmente essa hipótese, garantindo que o despacho de suspensão não acarreta quaisquer custos adicionais para o município.

Luís Alves – Estudante de mestrado em jornalismo