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Rofel, uma história de 50 anos que resistiu à mudança e cresceu na diversificação

Na foto: Mário Miranda com o filho, André Miranda

Nascida há 50 anos, no concelho de Águeda, a Rofel construiu um percurso alicerçado na capacidade de se adaptar às mudanças do mercado. Começou por produzir acessórios para o setor das duas rodas, mas foi alargando a atividade, na perspetiva de reduzir a dependência de um único negócio. A diversificação continua a ser uma das bases da empresa.

Hoje, a produção assenta em três valências industriais — metalurgia, fibra de vidro e termomoldação de plástico — que permitem responder a quatro áreas de negócio: acessórios para veículos de duas rodas, quadriciclos, equipamentos desportivos (tabelas de basquete, postes, balizas, etc.) e sinalização rodoviária temporária. Também desenvolve peças personalizadas, de acordo com as necessidades dos clientes.

“A nossa ideia também nunca foi estar presos a um segmento só”, explica o sócio gerente Mário Miranda. Quando o setor das motorizadas perdeu expressão, a empresa procurou alternativas. A fibra de vidro abriu caminho ao mobiliário e aos componentes para automóveis, numa fase de expansão do tuning. Alterações à legislação e às regras de inspeção condicionaram depois essa atividade, levando à procura de novas oportunidades.

Os quadriciclos tornaram-se o principal mercado da empresa. Para alargar a oferta, a Rofel importa os componentes mecânicos, como pastilhas, filtros ou correias, permitindo ao cliente encontrar aqui todas as peças de que precisa, à exceção do motor.

A atividade é fortemente internacional e tendo como destino a Europa: entre 70% e 80% da produção destina-se à exportação. França, Itália, Espanha e Países Baixos estão entre os mercados mais importantes, logo seguidos de outros como a Chéquia, a Polónia, a Noruega e a Dinamarca.

Persistem, porém, desafios. O aumento dos custos das matérias-primas, da energia e dos combustíveis pressiona a produção, enquanto a incerteza económica condiciona as decisões dos clientes.

A falta de espaço e a dificuldade em recrutar trabalhadores são outros constrangimentos. “Como o nosso trabalho é muito manual, é difícil arranjar pessoas, nomeadamente mais jovens. Os imigrantes têm sido uma mais-valia”, admite André Miranda.

A empresa controla custos e desperdícios e investe em tecnologia, mas precisa de melhores condições para aumentar a produção e chegar a novos mercados. A mudança para novas instalações, prevista para 2027, deverá abrir essa possibilidade. Cinquenta anos depois da fundação, a Rofel prepara-se para uma nova etapa. “O caminho é longo e desfiante mas queremos crescer e fazer melhor e com mais qualidade”, realça André Miranda.

Como tudo começou

A ideia começou “por uma brincadeira de quatro amigos”, recorda Mário Miranda. Em 1976, a empresa nasceu na Bicha Moura, em Assequins, num armazém de 150 m², para produzir acessórios para as duas rodas. A sociedade passou de quatro para dois sócios. Mais tarde, Mário adquiriu a quota do parceiro e cedeu-a à esposa, Ana Maria Miranda (o casal na foto). De 150m2, as novas instalações, na zona industrial de Barrô, passaram a ter 500m2.

Em 2005, um incêndio destruiu a empresa. “Numa noite, perdemos tudo o que tínhamos construído”, recorda o empresário. Com o apoio de trabalhadores, clientes, fornecedores e amigos, foi erguido um pavilhão de 1.800 m². Agora, a Rofel prepara-se para mudar para a zona industrial da Borralha. As novas instalações têm 7.000m2.

Novas instalações em 2027

A mudança para a zona industrial da Borralha, junto ao Parque Empresarial do Casarão, está prevista para 2027 e representa um passo importante para o futuro da Rofel. Há cerca de quatro anos, a empresa decidiu avançar com a construção de uma nova unidade, num terreno de 20.000 metros quadrados, onde está a ser criado um espaço industrial com 7.000m2.

Os produtos de grandes dimensões e as necessidades de armazenamento tornaram o espaço atual insuficiente. As novas instalações permitirão reorganizar a produção, aumentar a capacidade de resposta, reforçar a equipa e chegar a novos mercados. O terreno deixa margem para futuras ampliações.

O plano inclui a aquisição de duas máquinas mais sofisticadas: uma para triturar e recuperar internamente os desperdícios de plástico, reduzindo a dependência de terceiros, e uma máquina de laser de tubo, que permitirá cortar e furar com maior precisão. O objetivo é ganhar precisão e qualidade.

Para além da modernização dos meios de produção, a Rofel pretende, também, aumentar o número de trabalhadores.

Permitir que a empresa continue a ser de cariz familiar, está nos desejos de Mário Miranda. Com os filhos já integrados – André Miranda mais na gestão comercial mas com conhecimento amplo de todos os setores; e Mário José Miranda assumindo a pasta da contabilidade -, a continuidade do projeto pelas futuras gerações está bem encaminhada. “A nossa ambição é que a empresa continue a prosperar”, vaticina André Miranda, deixando votos para o futuro: “Que daqui por 50 anos os nossos filhos e os nossos netos também aqui estejam, a fazer crescer a Rofel.”

Pessoas da casa

António Júlio, 66 anos

Sou o trabalhador mais antigo da Rofel, com 48 anos de casa. Trabalhei quatro anos noutra empresa, mudei-me para aqui e aqui fiquei até hoje. Faço de tudo um pouco, mas o principal passa por orientar a secção de serralharia. Sinto-me bem, as pessoas que trabalham diretamente comigo também ajudam, principalmente nas horas de maior aperto. Acho que a mudança de instalações será muito positiva, com mais espaço e melhores condições – é sinal de que trabalhámos para tal! A relação com os patrões é muito boa, o Sr. Mário foi um pai para mim. Também só tenho a dizer bem da esposa e agora do filho [André], sempre pronto a ajudar. Estou convencido de que a Rofel terá um longo e promissor futuro. Tem conseguido acompanhar a evolução e agora não será diferente.

Vítor Miranda, 60 anos

Estou na Rofel há 46 anos. Trabalho no departamento de vendas. Sinto-me bem aqui, por isso é que ainda aqui estou! Hoje, é tudo bem diferente em relação àquele tempo, desde a tecnologia, às condições no trabalho e mesmo em termos de formação. Tudo isso evoluiu muito – positivamente – até aos dias de hoje. As instalações antigas tinham muito poucas condições, isto hoje é o céu. A empresa continua no bom caminho para evoluir. Tem uma equipa sólida, desde a administração até ao trabalhador do chão de fábrica. Com as futuras instalações, esperamos que essa evolução seja ainda maior. A Rofel é uma empresa com futuro.

Arlete Gomes, 50 anos

Em 2027, farei 30 anos de casa. Estou no departamento de contabilidade/financeiro e recursos humanos. Foi o meu primeiro emprego. Faço aquilo que gosto.
Temos um grupo bastante unido. É normal haver falhas, mas como somos um grupo pequeno, interagimos bem e a comunicação é fácil. A empresa cria muito boas condições aos trabalhadores. Tenta acompanhar a evolução, mas não cumpre apenas a lei, procura ir mais além. A formação não é descurada, pelo contrário, é uma preocupação constante da administração. Em relação à nova sede, qualquer mudança cria alguma ansiedade, mas estamos muito confiantes de que será para melhor. Vejo grande possibilidade de crescimento da Rofel, porque é uma empresa muito dinâmica e com os objetivos bem traçados.

Paula Cardoso, 46 anos

Há sete anos que trabalho na Rofel. Sou embaladora. Preparo o material com rebites, sinoblocos, etiquetas, depois arrumo no local correto e dou entrada (em papel). Preparo as encomendas para depois, no armazém, serem colocadas em caixas para o envio ao cliente. Gosto muito de trabalhar aqui. Tem bom ambiente e boas condições, que serão melhores ainda quando nos mudarmos para as novas instalações. Estamos sempre a inovar e está tudo muito bem organizado. Os patrões estão diariamente connosco, fazem um acompanhamento muito próximo. A comunicação é muito boa. Aceitam de bom grado novas ideias, no sentido de melhorar, ouvem-nos e, assim, conseguimos chegar a um bom entendimento e ajudar a empresa a crescer.

Fornecedores e amigos

António Simões, Sócio da Galsup

“É com grande alegria que celebramos 50 anos de parceria com a Rofel – uma relação construída com base na amizade, na confiança, e num compromisso contínuo. A Rofel é o nosso parceiro mais antigo. Mesmo antes da relação comercial, já existia uma relação pessoal entre os fundadores das duas empresas, que se aprofundou e se manteve ao longo dos anos. Essa ligação constitui uma parte importante da história que partilhamos e do respeito mútuo que continua a unir-nos. Nesta data especial, a Galsup presta homenagem à Rofel e deseja à atual geração muito sucesso pessoal e profissional!”

Manuel Castro, Gerente da Santos & Castro

“Muitos parabéns à Rofel pelos magníficos 50 anos de história! Celebrar meio século de dedicação, inovação e trabalho no setor é um marco extraordinário. Para nós, é um enorme orgulho fazer parte deste caminho há 17 anos, confiando na vossa exigência e partilhando o compromisso de lacar balizas e equipamentos com a máxima qualidade. Que este aniversário seja apenas mais um capítulo de muitos sucessos futuros. Parabéns a toda a equipa, fundadores e colaboradores!”

Esta reportagem integra a revista 500 Maiores Empresas da Bairrada e 500 Maiores Exportadoras 2025, publicada a 5 de novembro de 2026

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