Há aniversários que medem apenas o tempo. E há aniversários que medem pertença. Os 75 anos do Jornal da Bairrada fazem parte desta segunda categoria: celebram um jornal que, edição após edição, não se limitou a registar factos e a retratar a região… ajudou a desenhá-la. Porque um jornal de proximidade faz isso mesmo: acompanha histórias, dá-lhes continuidade e regressa ao assunto quando o instante já passou.
É também assim que um território deixa de ser um ponto no mapa para se tornar uma narrativa partilhada, feita de rostos e nomes, de associações e escolas, de empresas e cultura, de celebrações e perdas, de decisões que moldam a vida coletiva.
Num tempo de ruído e de consumo rápido de informação, esta proximidade é uma forma de cuidado. É estar presente quando importa, é escutar antes de concluir, é procurar contexto antes da manchete. É abrir espaço a quem raramente o tem e trazer para o debate público o que, de outro modo, ficaria preso ao rumor ou ao silêncio. Mais do que nunca, a democracia precisa desse escrutínio próximo, que acompanha a obra feita e a prometida, segue processos, insiste e não se esgota no imediato.
Ao longo de décadas, o Jornal da Bairrada tem sido um arquivo vivo. Há páginas com a vibração dos dias de festa e outras com o peso dos dias difíceis, como os que o País atravessa agora, marcados por tempestades, destruição e incerteza, e que dificilmente se apagam da memória. Em momentos assim, o jornalismo local torna-se ainda mais indispensável: informa com precisão, orienta com utilidade, regista com humanidade e permanece quando o foco mediático se desloca. Esta memória, construída notícia a notícia, é serviço público. Ajuda a comunidade a compreender-se, a discutir com base em factos, a exigir responsabilidades e a proteger o que importa. E impede, sobretudo, que o tempo apague aquilo que deve ficar.
A Associação Portuguesa de Imprensa associa-se com orgulho a esta celebração. Reconhece no Jornal da Bairrada um exemplo de persistência e compromisso com a comunidade que serve e a prova de que é possível atravessar transformações – também no digital – sem perder identidade: modernizando práticas, preservando princípios e adotando ferramentas, sem abdicar do essencial.
A todas as pessoas que fizeram e fazem o Jornal da Bairrada – direção, redação, colaboradores, distribuidores e leitores – o nosso agradecimento. Que os próximos anos continuem a ser de proximidade, memória e serviço público. E que nunca falte o impulso que esteve no início, há 75 anos: estar ao lado das pessoas e da região, com um jornal que não passa por cima do lugar, mas permanece nele.
Parabéns, Jornal da Bairrada, pelos seus 75 anos.
