Notamos, frequentemente, bastantes atitudes de inveja como, ainda, os ciclos de competição social ou familiar que definem o sentido de alguém querer mostrar-se melhor que o outro.
Olhando-nos mutuamente, analisamos qualquer indivíduo para sondar quem é, o que faz, onde e como vive, o que sente ou sabe e admiramo-nos de muitos pormenores que ainda nenhuma vez havíamos observado por negligência e desatenção pessoal.
Dado e terminado, qualquer encontro fortuito cria no nosso íntimo um certo calor de admiração sonegada que ronda a cobiça.
Pensemos o que pensarmos, certo é que nos faz muita falta sabermos apreciar as qualidades alheias, sem o intuito característico de rivalizar, pois cada um é o que é, embora possa e deva preparar-se psicologicamente para enfrentar as várias qualidades que exornam quem cruza connosco no palco da vida, em cada dia.
É sempre curioso debruçarmo-nos sobre o caso das impressões digitais que parecem ser forma fiel de nos fazer ver que cada pessoa é plenamente diferente da outra. Esse meio mostra-nos o modo singular e eficaz que nos protege da hipótese de clonagem. Ainda bem que assim é, pois, quando não, poderíamos estar com alguma frequência “à pega” nos Tribunais, onde teríamos de arcar com acusações sobre assuntos que jamais nos teriam passado pela cabeça. Detenhamo-nos no caso singular de, apesar dos incontáveis exames desses feitos em todas as latitudes, não serem encontrados sinais coincidentes, nem sequer em duas quaisquer pessoas. Aí, não se topam, portanto, os motivos de rivalidades. Milhares e milhares de homens e mulheres cruzam-se na estrada da vida e nenhum deles é igual.
Então, porquê, perguntaremos agora nós, esta desigualdade dos seres humanos?!
Não conhecendo, embora, quaisquer atributos dos nossos semelhantes, depreendemos, de imediato, a diversidade de dons ou carismas em todos os modos de ser. Bem reparamos nas desigualdades dos humanos que, por isso, tanto se digladiam e criam muitas polémicas, e de consequências trágicas.
Deus dotou cada ser humano de características desiguais para qualquer estado ou missão de vida. E esta realidade deverá, para quem acredita, transmitir um espírito de simplicidade e aceitação plena e aberta para tranquilidade anímica de quem olha o mundo, as coisas e as pessoas sem ânsias de rivalidade ou competição.
Cada indivíduo que reconhece, de modo simples, os seus dotes descobre que tem uma missão a desempenhar e que consiste em ser um elemento válido e preciso na construção digna do Universo, onde todos vivemos e procuramos a justiça, no respeito de e para todo o homem.
Olhar o que o outro tem ou sabe, mas com a inveja da sua condição ou posição, só destrói os caminhos de interajuda e paz, criando um possível isolamento que definha o invejoso o qual não subirá nunca os píncaros da vida e da sociedade.
Como para tudo, é necessária a coragem de se viver com o que se é e se tem, portas adentro.
Será de grande riqueza moral e espiritual uma leitura serena de São Paulo que, escrevendo aos Coríntios, lhes fala tão sabiamente sobre a diversidade de dons que Deus confere a todos os que procuram, com simplicidade e cumplicidade, viver a grandeza dos ditos benefícios do Espírito de Deus. Não será fastidioso recordar um bocadinho do texto. Ei-lo: «Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; há diversidade de serviços, mas o Senhor é o mesmo; há diversos modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, para proveito comum. A um é dada, pela acção do Espírito, uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; a outro o dom das curas, no único Espírito … Tudo isto, porém, o realiza o único e o mesmo Espírito, distribuindo a cada um, conforme lhe apraz» (1ªCor. 12/1-31).
Na realidade, o resto há de vir ao de cima a perguntar-nos por que razão temos tanta dificuldade em aceitar as diferenças laborais, económicas, sociais ou até religiosas e familiares.
Ora então, sejamos humanos, corajosamente convictos de sermos diferentes.
