Assine já

Armando Humberto Pinto

Professor Catedrático da Universidade de Aveiro

A Riqueza e a Pobreza das Nações

Por que é que há países tão ricos e outros tão pobres?
Esta não é uma questão nova, mas continua a ser uma questão essencial. O que mais impressiona é perceber como o bem-estar das pessoas depende fortemente do local onde nasceram e da herança económica, social e política deixada pelas gerações anteriores. Duas crianças com capacidades semelhantes podem ter oportunidades completamente diferentes apenas por nascerem em países distintos.

Esta constatação levanta uma questão central: de que depende, afinal, a riqueza de uma nação? Será dos recursos naturais, da dimensão do território, da população ou do regime político? Ou haverá fatores mais profundos que explicam estas diferenças?
Uma forma simples de começar a responder é através do PIB per capita, que mede a riqueza média produzida por pessoa. De acordo com dados recentes do Fundo Monetário Internacional, países como Luxemburgo, Irlanda e Suíça surgem no topo da lista. Os EUA aparecem em 6.º lugar e Portugal em 37.º.

No final da lista, dos 187 países analisados, encontra-se o Burundi.
As diferenças são impressionantes. Nos dez países mais ricos, o PIB per capita ronda os 90.000 euros por ano. Em Portugal, situa-se perto dos 28.500 euros, enquanto nos países mais pobres é inferior a 500 euros. Isto significa que, para produzir a riqueza que um habitante de um país rico gera num dia, nós, em Portugal, precisamos de trabalhar mais de três dias, e um habitante de um dos países mais pobres necessita de trabalhar mais de seis meses!
Estas diferenças não podem ser explicadas pelo esforço individual. Não é razoável supor que as pessoas nos países mais pobres trabalham menos — muitas vezes acontece precisamente o contrário, trabalham em situações mais difíceis e mais arduamente. A explicação só pode estar na forma como o país está organizado e na capacidade de gerar riqueza.

Um fator decisivo na organização de um país é a qualidade das suas instituições. Países com leis estáveis, respeito pelos direitos, igualdade de oportunidades e sistemas judiciais eficazes criam condições favoráveis ao investimento e ao crescimento. Pelo contrário, a corrupção e a instabilidade política travam o desenvolvimento. Não é por acaso, que a maioria dos países mais ricos são democracias consolidadas. Dos dez mais ricos, apenas dois — Qatar e Singapura — não são usualmente considerados democracias.

Os restantes garantem eleições livres, respeito pelos direitos individuais, sistemas judiciais independentes, imprensa livre e baixos níveis de corrupção.

Outro elemento essencial é a valorização das pessoas. Educação e saúde aumentam a produtividade e permitem às pessoas adaptar-se à inovação tecnológica. A tecnologia e o conhecimento são hoje motores fundamentais da capacidade de um país produzir riqueza.
A abertura ao exterior também desempenha um papel importante, permitindo acesso a mercados, ideias e investimento.

Em suma, a riqueza e a pobreza das nações não são fruto do acaso, mas o resultado de uma combinação de fatores: instituições sólidas, educação e saúde de qualidade, capacidade de inovar e uma boa organização económica.
Num mundo marcado por desigualdades profundas, impõe-se uma reflexão: que Portugal queremos deixar às próximas gerações? Mais do que uma pergunta, é um desafio. Um desafio, para que os nossos filhos e netos possam viver numa sociedade mais justa, mais próspera e com mais oportunidades para todos, e isso depende muito do Portugal que ajudarmos a construir hoje.