Sou estudante universitário e, como muitos dos meus colegas, dependo da CP para me deslocar para a cidade onde estudo. O comboio é, para mim, mais do que uma opção, uma necessidade. Acessível, menos poluente, e quando corre bem, libertador. O problema é a frequência do “quando corre bem”.
Os atrasos e a falta de regularidade em certas linhas fazem parte da paisagem. Perder um comboio não é apenas um inconveniente é chegar atrasado ao trabalho, perder uma aula, exame, apresentação, ou ficar à espera na estação durante quarenta minutos sem explicação nenhuma.
Há sinais positivos, os passes acessíveis alargaram o acesso ao serviço, e a aposta na digitalização facilitou o serviço dos passageiros. Mas transformar estes avanços em exceção quando deviam ser regra é um desperdício de potencial.
A boa notícia é que as soluções não são um mistério. Mais investimento em infraestrutura, aumento da frequência nos horários de ponta, melhor coordenação entre o comboio e os transportes locais, e uma política séria de compensações por atrasos, fariam uma diferença imediata e concreta.
Portugal tem a geografia, tem a procura e tem os utilizadores cativos. Falta a ambição de construir um serviço à altura, e a vontade de tratar os passageiros como clientes.
