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Manuel Armando

Padre

Solidariedade política

É natural nem toda a gente saber definir o que seja isso de “política”. Não vou dar lição de Português e, muito menos, alardear quaisquer provas de que aprendi a entender a nossa língua mais que ninguém.

Assim, não me incomodo com o Francês, Inglês, Alemão, Espanhol ou alguns outros idiomas, sejam eles ocidentais ou orientais, latinos ou árabes. Desde que possa e saiba expressar-me na minha querida língua pátria, já me dou por muito afortunado e feliz, embora também me “desenrasque” nalguns outros linguajares.

Ora, não quero desviar-me do assunto pensado – “política”.
Recorrendo ao meu velho amigo e companheiro de há muitos anos – o Dicionário – vejo que o vocábulo é portador de sentidos interessantes e importantes, a saber: «arte de governar um povo, sabedoria para dirigir as relações entre Estados, astúcia, artifício, civilidade…»

Em resumo, deveremos dizer que política é a virtude de orientar tudo e todos para o bem da cidade, como comunhão dos homens, ou do mundo inteiro.

Na verdade, as segundas definições aduzidas são, no geral, descuidadas ou, simplesmente, banidas. Não há grandes
momentos de civilidade e procura do bem comum, mas, em contrapartida, tropeça-se na astúcia abundante e falta de arte nos relacionamentos entre aqueles que nos pretendem governar.
Muito do que se ouve ou vê é uma avalanche do fogo de artifício que entra nos olhos, mas não sai de um coração aberto e sincero.

Em determinadas circunstâncias de catástrofes ou crises, alguns daqueles senhores que percorrem os meandros políticos, quase logo, vão até aos locais ou pessoas em sofrimento, mas sempre acompanhados pelos cronistas e fotógrafos para que tais momentos e gestos fiquem registados nos anais da sua história política.

Feitas tais visitas com música de fundo, muito volta ao princípio ou é puramente obliterado por falta das verbas de boa vontade e responsabilidade.
Neste campo, os particulares são mais movidos pela solidariedade silenciosa, mas eficiente com uma vontade operante.

Quero, voluntariamente e neste instante, esquecer todas aquelas frases anónimas que servem apenas para introduzir destabilização e guerra.
Com efeito, quando, numa ocasião de grandes provações se procura incentivar a solidariedade, mas com forças políticas declaradas e presentes, então tudo desliza na enxurrada que não vai atingir o mar porque as políticas feias e interesseiras nunca souberam o que é o bem da cidade, ou seja, o conforto de um povo e de cada cidadão em particular. É que muita coisa começa, mas nunca avança.

A solidariedade não deve ter cor política, mas poderá ser pintada a vermelho com o sangue de quantos, abnegadamente, empregam todo o seu empenho em angariar o pão ou quanto produz o bem-estar e felicidade dos verdadeiramente necessitados, permanentes ou ocasionais.