Pela primeira vez no seu historial

Sangalhos Campeão Nacional da 1ª Divisão

Manuel Zappa

Depois de muitas finais perdidas ao longo dos seus 62 anos de existência, tanto na 2ª como na 3ª Divisão e finais da Taça de Portugal, quase sempre pela diferença de um ponto, a equipa do Sangalhos quebrou essa malapata, no passado domingo, ao vencer em Braga, no quarto jogo dos play-offs, a equipa do Basket de Guimarães, depois de, no dia anterior, ter desempatado a seu favor a vitória para cada lado nos jogos realizados em Sangalhos.
Depois de uma derrota e de uma vitória no seu reduto, não era fácil a tarefa que esperava a formação bairradina, sendo que o primeiro objectivo era tentar ganhar o primeiro jogo. Isso foi amplamente conseguido, aliás bem expressos (92-112) nos números finais.
Em vantagem para o segundo jogo, o Sangalhos tinha tudo a seu favor ou ganhava, como foi o caso, ou adiava a decisão de quem seria o campeão nacional para o seu pavilhão, caso os pupilos de Casimiro Silva conseguissem vencer no domingo. Tal tarefa não foi possível e, depois de um jogo frenético, o Sangalhos conseguiu ganhar por um (91-92) ponto, trazendo para a sua vitrina o primeiro título de Campeão Nacional da 1ª Divisão. Um feito histórico de uma equipa, feita à base da formação, e com uma dupla técnica – Emanuel Seco e Nuno Ferreira – oriunda de Sangalhos, com provas dadas, que deixou a marca que Santos ao pé da porta também fazem milagres, quando há competência, seriedade e profissionalismo como foi o caso.
Conhecido o feito da retumbante vitória no campeonato, a notícia depressa se espalhou por todos os cantos da vila de Sangalhos e zonas limítrofes, adivinhando-se uma noite longa e de grande folia pelo feito alcançado. Nem outra coisa seria de esperar.
Um dos pontos altos deu-se nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Anadia, onde o presidente Litério Marques, acompanhado por Lídia Oliveira, presidente da Assembleia Municipal, os vereadores José Manuel Ribeiro, Jorge Sampaio e Orlando Simões, Sérgio Aidos, presidente da Junta de Freguesia de Sangalhos, Rui Gradeço, Feliciano Neves e Humberto Mendes, receberam os heróis de Guimarães e de Braga, palco das duas grandes finais, bem como uma enorme falange de apoio, que foi grande demais para caber na sala de visitas do concelho.
Eram cerca de 23.15 horas quando o autocarro que transportava jogadores, dirigentes e treinadores se abeirou da entrada principal da Câmara Municipal de Anadia, acompanhados por dezenas de adeptos que se faziam transportar nas suas viaturas, os quais extravasaram o momento histórico por que o seu clube estava a viver. Tudo serviu para dar largas à alegria que invadiu a família sangalhense. Cachecóis, bandeiras, tambores e cânticos, numa apoteose indiscritível e que foi transportada para dentro do salão nobre dos Paços do Concelho.

O RECONHECIMENTO DE TODOS

Rui Gradeço, responsável pela Comissão Administrativa do Sangalhos, congratulou-se com a homenagem, levada a efeito pelo presidente da Câmara, e, ao mesmo tempo, manifestou que “esta vitória foi fruto de um trabalho sério e árduo, de dirigentes, treinadores e jogadores, que defenderam e honraram as cores e os pergaminhos do Sangalhos de forma inequívoca”, acrescentando que este título não é só deles, mas é também de outros directores e treinadores.
Segundo aquele dirigente, todo o apoio dado pela autarquia acabou por ser compensado em êxitos, fazendo votos para que continuem a acreditar no Sangalhos de forma a continuar a dignificar a terra e o concelho.
A presidente da Assembleia Municipal também não cabia em si de contente. O reconhecimento por este grande sucesso e de todos os simpatizantes que criaram expectativas para que estes resultados fossem uma realidade, foram pontos de honra para Lídia Oliveira.
Com algumas pausas pelo meio para que os adeptos dessem largas à sua alegria, interrompendo a série de discursos, foi a vez de Litério Marques usar da palavra: “Hoje é um dia grande para o Sangalhos, mas também para a Câmara Municipal. Manifestações desta natureza? É a primeira vez na minha vida de autarca que isto em acontece, constituindo uma enorme alegria”.
O edil anadiense recordou Feliciano Neves, um dirigente que sempre sonhou com este momento, que o mesmo transmita esta felicidade a todos os dirigentes. Depois, aflorou que “vencer nos últimos segundos, o Sangalhos teve de defrontar um grande adversário, que soube resistir à força do Sangalhos até ao último segundo. É uma dívida que o concelho tem para todos vós esta grande vitória”.
Homem ligado ao basquetebol, sendo vice presidente da Associação de Basquetebol de Aveiro, Manuel Barbosa não deixou de reforçar o notável esforço de todo o grupo de trabalho e de toda a massa associativa.
Todavia, aquele dirigente diria que “só espero que este apoio não seja só nestas alturas. Devemos aparecer em outras ocasiões, como na recente Assembleia Geral em que não estava lá quase ninguém”.
Segundo Sérgio Aidos, o nome de Sangalhos estava um pouco esquecido, mas foi de novo renovado com este título, ao passo que Feliciano Neves, disse que “em 57 anos ligado ao clube foi a primeira vez que senti uma alegria”, dado que assistiu a várias derrotas, diga-se inglórias, em finais de campeonatos e taças de Portugal.

A PALAVRA DO TREINADOR

Um dos grandes obreiros do título foi o Emanuel Seco. Ainda a viver os ecos de tão retumbante sucesso, o treinador do Sangalhos disse ao nosso jornal que “tínhamos a noção de que os dois jogos seriam extremamente difíceis, onde o equilíbrio registado nos dois primeiros jogos em Sangalhos foram o espelho disso mesmo. Um dos nossos primeiros objectivos era ganhar um jogo e forçar à “negra» em nossa casa”.
Um desiderato que foi amplamente alcançado no primeiro jogo e, no segundo, segundo Emanuel Seco, qualquer das equipas teve chances para o ganhar.
A chave do sucesso para o segundo jogo foi “praticar um basquete muito forte, neutralizar as áreas próximas do cesto ao adversário, um basquete mais veloz e versátil e grande agressividade a todo o campo”, comentou o técnico sangalhense.

(5 Jun / 10:39)