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Temporal deu cabo dos batatais na Gafanha da Vagueira

São elevados os prejuízos causados pela intempérie das duas últimas semanas. E na Vagueira há culturas que se encontram praticamente perdidas. Para além das estufas, na sua maioria destruídas pelo vendaval, a situação de alguns agricultores é “dramática e aflitiva”, o que levou já à intervenção da Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA).
Segundo Albino Silva, que percorreu, no princípio desta semana, alguns dos melhores terrenos de cultivo da região, a situação que se vive na Gafanha da Vagueira poderá ser “uma das piores” de todo o concelho de Vagos. “Este pode ser um ano fatal para muitos agricultores” admitiu o dirigente da ALDA, confirmando que, em princípio, a produção da batata primor “foi toda à vida”.
Com os terrenos alagados pelas águas da chuva, é de prever que também outras culturas, como a ervilha, couve e cenoura, possam vir a ser afectadas. “É uma situação dramática, a que ninguém pode ficar insensível”, assinalou Albino Silva, que vai solicitar uma reunião, com carácter de urgência, aos responsáveis da Direcção Regional de Agricultura. “Já agora fico à espera que os nossos governantes venham ao terreno”, acrescentou.
Residente na Vagueira, Silvino Tomás é um dos maiores produtores de batata da região. Aos 65 anos de idade, continua a ser o “eterno” sacrificado, sempre que surgem causas naturais a dar-lhe “cabo dos planos”. Mas não desiste apesar deste ano, conforme referiu a este jornal, os prejuízos já serem muito elevados.
“Tinha semeado cerca de três hectares de batata, e a maior parte já foi por água abaixo”, revelou aquele agricultor, que há dois anos teve de “lutar” contra o míldio, que se abateu com grande violência sobre os batatais da região. Na altura, o temível fungo tinha atacado toda a zona litoral, numa faixa compreendida entre Aveiro e Lourinhã, mas o tratamento mostrou-se ineficaz, levando à quebra da produção.

Memória. Faz agora duas décadas que os terrenos agrícolas da Gafanha da Vagueira foram invadidos pelo mar, que destruiu tudo à sua passagem. Os prejuízos foram incalculáveis, com os proprietários dos terrenos impedidos de fazer novas semeaduras, o que levou o presidente da Junta de Freguesia, Manuel Bogalho (que ainda hoje se mantém no cargo) a oficiar alguns organismos ligados ao sector, pedindo que fossem tomadas “medidas de excepção” para a região.
João Rocha, que acabara de tomar posse como presidente da Câmara, avistou-se com responsáveis da Direcção-Geral de Portos, a quem solicitou a construção de um novo esporão. Por seu turno, presidente e dirigentes da Cooperativa Agrícola de Vagos também quiseram ser recebidos pelo Ministro da Agricultura, para pedir “auxílio directo e imediato”. Considerava João Pandeirada, que estavam em causa “dezenas de hectares de terrenos que ficaram inutilizados”.

Eduardo Jaques