Na inauguração da 7.ª edição da Feira da Vinha e do Vinho de Anadia, o autarca Litério Marques mostrou o seu desagrado pela ausência do Poder Central. Num discurso inflamado apontou baterias ao secretário de Estado da Agricultura, mas também ao ministro que tutela a pasta.
Mas o autarca teceria ainda duras críticas ao Turismo Centro de Portugal que diz “muito trabalho ter a fazer em matéria de promoção da Curia”.
“Com estas mudanças na política turística deixámos de ter direito ao IVA turístico que nos permitia apoiar muitas actividades locais”, disse, mostrando-se satisfeito por ouvir da boca de Pedro Machado que o Turismo do Centro vai apostar na animação turística na Curia.
Lamentando que o Estado continue a centralizar poderes, não deixou de criticar também a ausência das televisões “sempre tão ávidas de notícias de Anadia” e dos representantes do Poder Central. “Esquecem-se que em Anadia existe uma Feira da Vinha e do Vinho e que merece ser reconhecida e visitada”.
O edil deixava no ar a questão: “Será que os anadienses não votam? Será que a feira não tem qualidade para ter cá grandes figuras governativas?”, disse, deixando a certeza de que “só ou mal acompanhado” as edições futuras da Feira da Vinha e do Vinho serão uma certeza. Até porque, como destacou, os agentes ligados ao sector presentes no certame, realizam um grande esforço para estar presentes. Uma participação que acarreta custos avultados aos produtores, adegas, caves e empresas que, durante nove dias, dão centenas de garrafas a provar aos milhares de visitantes que passam pelo Vale Santo.
“Um esforço que só por si deveria ter nota alta nos grandes ecrãs televisivos do país”, afirmou.
A terminar diria que, cada vez mais, o certame se assume como festa da cidade, já que, durante uma semana, o riquíssimo cartaz cultural proporciona aos anadiense e aos visitantes momentos altos de diversão e lazer, situação que torna, a seu ver, a Feira numa das melhores do país.

Montra de produtos. Já Pedro Machado, do Turismo Centro de Portugal, reconheceu a importância do certame como “uma montra para a promoção e divulgação de um produto de excepcional qualidade (vinho da Bairrada), um produto de grande afirmação turística nacional e internacionalmente”.
Daí que o Turismo Centro de Portugal tenha todo o interesse em “associar-se ao esforço desenvolvido pela autarquia anadiense/Rota da Bairrada ao dar pública e notória visibilidade à região”.
Uma região que, segundo Pedro Machado, é uma marca promovida pelo Turismo do Centro, quer nos mercados interno, quer externo, sendo exemplo disso mesmo o esforço feito na animação da Curia nesta época termal, ajudando-a a desenvolver-se no contexto nacional.
Aos presentes deixaria ainda a indicação de tudo estar a fazer junto do Poder Central para atender a um desafio lançado pelo autarca Litério Marques: que os comboios voltem a parar naquela estância termal.
Pedro Machado referiu-se ainda ao certame como um contributo para a promoção e dinamização de toda uma região.
Já a vice-presidente do Instituto da Vinha e do Vinha (IVV) acredita que o certame tem pernas para continuar por muitos e bons anos. Ciente de que o ano de 2009 não foi um ano fácil para o IVV ou para os produtores e vitivinicultores que se tiveram de adaptar a nova regulamentação e à crise económica, sublinharia que só com matéria-prima de grande qualidade é possível fazer frente à concorrência. Daí desafiar os vitivinicultores da Bairrada a aderirem a programas para a reestruturação da vinha. “Em Setembro abre um novo programa. Espero que concorram”, pois só com matéria-prima de excelência o sector avançará no rumo certo.
José Mota, Governador Civil de Aveiro, aproveitaria para evidenciar que na Bairrada existem óptimos produtores, empreendedores e que sabem o que querem.
Em representação do Poder central diz ser necessário “remarmos todos para o mesmo lado”, pois “temos condições para fazer bons negócios e conquistar novos mercados”.
Mostrando-se muito satisfeito com a Feira considerou-a “uma feira do distrito e do país”, “uma montra importante para os nossos produtos que podem ir bem longe”.

Catarina Cerca