Pais e encarregados de educação dos lugares de Canelas, Ferreirinhos e Póvoa do Gago, na freguesia de Avelãs de Cima, estão cansados de esperar, há anos, por uma alteração de horário da carreira que transporta as crianças da freguesia para os estabelecimentos de ensino localizados na sede do concelho (Anadia). A luta não é nova, mas agora repudiam que o transporte de crianças dos 2.º e 3.º ciclos se faça às 7h27, sendo o regresso a casa perto das 19h.
Entre queixas, protestos e abaixo-assinados que se revelaram até agora inúteis, decidiram, na última sexta-feira, tomar uma medida mais drástica no sentido de alertar as entidades competentes para o descontentamento que dizem ser geral.
A insatisfação levou a que, no passado dia 8, impedissem a passagem do autocarro, uma vez que, na véspera, as crianças ficaram a pé, depois de alegadamente o motorista ter arrancado sem que estas tivessem entrado no autocarro. “Durante uma semana, o motorista passou às 7h. Na última quinta-feira foi a gota de água e, na sexta-feira, as crianças já seguiram na carreira, depois de termos barrado a passagem, por forma a que o autocarro não saísse antes da hora estipulada no horário (7h27)”, revelou a JB um dos encarregados de educação que tem dois filhos (um no 8.º e outro no 12.º anos) a viajar na carreira.
Os pais questionam mesmo se “esta é a igualdade” que se dá aos estudantes no concelho, reivindicando da Câmara a resolução rápida do problema.
A viagem, de aproximadamente 15 quilómetros, poderia, segundo os pais, ser mais rápida, se feita por um percurso mais directo, assim como deveria ter um horário ajustado ao horário escolar. “As nossas crianças vão para o autocarro numa hora em que os colegas estão ainda a dormir e regressam a casa tardíssimo”, diz Mário Almeida, avançando não ser justo que sejam as primeiras a chegar à escola e as últimas a sair. “Chegam a Anadia e esperam quase uma hora que as aulas comecem. No final do dia, repete-se o mesmo. As aulas acabam às 17h30 e depois esperam e desesperam pela carreira. Chegam a casa de noite”, adianta o nosso interlocutor que, quando estudava em Anadia, sentiu na pele este problema. “No Inverno, a situação agrava-se se tivermos em conta que os dias são mais pequenos, está frio e chove”. Para este encarregado de educação, a questão é puramente economicista, podendo a autarquia anadiense, “se quisesse”, ter resolvido este problema há muito tempo. “Que município é este que não consegue garantir um transporte escolar condigno para todos os alunos do concelho e gaste milhões tão mal gastos?”, questiona.
O problemático horário da carreira afecta cerca de duas dezenas de crianças e jovens. Dino Neves, também encarregado de educação, lamenta que os anos passem e tudo se mantenha igual. Admite que os pais exigem (e não vão desistir) um horário da carreira mais compatível com as necessidades dos seus educandos.
Ao nosso jornal a vereadora da Educação da autarquia anadiense, Rosa Maria Tomás que, de imediato, foi alertada para o que se estava a passar, já diligenciou junto da transportadora para que o horário inicial fosse respeitado pelo motorista da carreira, enquanto está também a negociar um horário que se aproxime das necessidades e anseios dos pais.
“Estou sensível ao problema mas, na verdade, todo o nosso processo negocial teve de ser recomeçado porque o nosso interlocutor na empresa mudou. Acredito, contudo, que, pelo menos, se consiga alterar o horário, numa das pontas (partida ou chegada)”, avançou, ciente de que não será fácil proceder a alterações nos horários das carreiras. Por seu turno, o autarca Manuel Veiga, de Avelãs de Cima, reconhece o problema do horário. Solidário com os pais, também comunga da opinião de que a carreira deveria alterar os horários.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt