“Os desafios que se colocam são enormes e vão exigir a conjugação de esforços por parte dos sectores público e privado, na procura de soluções adequadas à resolução dos problemas fitossanitários”. Esta foi a conclusão deixada por Flávia Alfarroba, sub-directora da Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, na abertura do 2.º Encontro do Serviço Nacional de Avisos Agrícolas (SNAA) que se realizou, nos dias 25 e 26 de Novembro, no Cineteatro, em Anadia.
Perante uma plateia de mais de 260 técnicos e agricultores, sublinhou ainda ser determinante compatibilizar e reorientar as necessidades de protecção fitossanitária das culturas, reduzindo riscos e a dependência de uso de produtos fitofarmacêuticos pelo incremento de uso de alternativas não químicas e pela necessidade de serem seguidos os princípios da Protecção Integrada, obrigatórios a partir de 2014. Por outro lado, destacou a evolução do SNAA, ao longo dos anos, que, técnica e cientificamente, permitiu a modernização dos meios e a melhoria constante dos métodos de previsão dos inimigos das culturas, contribuindo para a divulgação de informação cada vez mais rigorosa e precisa.
Um serviço que se tem adaptado às exigências crescentes de uma agricultura que privilegia cada vez mais os princípios da Protecção Integrada.
Flávia Alfarroba deu ainda a conhecer que, a partir do próximo ano, o SNAA irá alargar o seu âmbito à divulgação de informações que vão permitir uma gestão eficiente da água e da rega, tendo em conta a necessidade de gerir este recurso de uma forma sustentável.
Certo é que, numa altura em que se confirma uma intensificação e impacto crescentes dos problemas fitossanitários a nível mundial, é preciso produzir alimentos seguros e suficientes, mas fazendo uma gestão sustentável dos recursos naturais, manter o equilíbrio territorial e as diversidades das zonas rurais, valorizar comercialmente os produtos agrícolas, sem deixar de ser competitivo do ponto de vista ambiental.
De igual forma, António Ramos, sub-director da DRAP-Centro, deixou uma mensagem de esperança no êxito do encontro, pela riqueza de partilha e discussão de experiências e ideias. Destacando o papel das EA, da importância do trabalho dos técnicos, congratulou-se pela presença de várias dezenas de agricultores que serão, com certeza, elucidados sobre doenças, pragas e novos tratamentos mais amigos do ambiente. Aos presentes recordou que o desafio futuro está relacionado com o saber conjugar a segurança alimentar com a sustentabilidade ambiental.
Na oportunidade, também o autarca Litério Marques lamentou que a agricultura corra risco de extinção, sendo a região um exemplo dessa tendência não só pela predominância do minifundio, mas também pelo crescente abandono das terras. Litério Marques criticou ainda o facto de só os grandes agricultores terem acesso a apoios, subsídios e protecção e que os pequenos fiquem à margem destes.

Catarina Cerca