Maria do Céu Almeida (41 anos), o filho André Daniel Brito (22 anos) e o companheiro desta, Rui Gil, de 50 anos, faleceram em circunstâncias trágicas na madrugada da última sexta-feira, em Sangalhos (concelho de Anadia).
A família residia no rés-do-chão direito de um prédio na rua de acesso à Estalagem, mas o incêndio, que terá começado na garagem do prédio onde tinham estacionado o seu carro, acabou por vitimar os três moradores do apartamento.
Embora não se saiba o que esteve na origem do incêndio na viatura estacionada na garagem (localizada por baixo) da habitação onde residiam as vítimas, a verdade é que a garagem – que era individual e com acesso à habitação – se encheu de fumo que rapidamente se propagou às áreas comuns (escadas) do prédio. As explosões que se seguiram (alegadamente pneus e plásticos), segundo os moradores, foram suficientes para “acordar” todos no prédio que, alarmados, só se conseguiram pôr a salvo graças a ajuda de vizinhos e dos bombeiros que colocaram escadas no exterior para que descessem pelas varandas.
Pedro Patrício, de 38 anos, reside no 1.º andar esquerdo e não esquece o que viveu naquela noite. Ainda não refeito do susto, conta que “eram 00h30 e estava tudo silencioso. Preparava-me para dormir e ouço um estrondo. Pensei que alguém ou alguma coisa teria caído. Mas seguiram-se mais estrondos. Tenho a sensação de que ouvi gritos. Mas não percebi. Ouvi estilhaços e o barulho era tanto”, diz, avançando que ainda se dirigiu à porta, mas quando se apercebeu do fumo negro acordou a esposa, retirou a filha menor (8 anos) da cama e correu para a varanda, por onde a família desceu. Os restantes quatro vizinhos fizeram o mesmo e, em poucos minutos, todos estavam a salvo.
“Não podíamos descer por outro lado, pelas escadas da porta principal não dava pois o fumo negro era irrespirável e por trás era muito alto. A única solução era a varanda da frente”, avançou. Foi aí, quando todos olhavam incrédulos para o prédio, que deram conta da falta da família do rés-do-chão direito.
Quando os Bombeiros Voluntários de Anadia chegaram ao local depararam-se com o trágico desfecho: dois corpos inanimados no hall de entrada dentro do prédio (o corpo do jovem André Daniel, deficiente profundo e invisual e o de Rui Gil). O corpo de Maria do Céu Almeida terá sido encontrado bastante queimada perto da garagem e das escadas de acesso a esta.
Maria do Céu Almeida era natural da freguesia limítrofe de Paredes do Bairro e trabalhava presentemente na Cereja no Bolo – Padaria e Pastelaria Riviera, em Anadia, juntamente com o companheiro Rui Gil.
Consternado por não poder ajudar a tia e o sobrinho, Paulo Almeida, que mora ali bem perto, contou a JB que a tia tinha chegado naquela tarde do hospital com o jovem que estivera internado 15 dias. “Que tristeza. Mal ouvi os estrondos, vim logo e vi fumo a sair da garagem. Não consegui entrar pela frente. Parti uma persiana e uma janela do apartamento mas era só fumo negro. Não pude fazer mais nada”.
Ao que apuramos, Rui Gil era natural de Vagos e residia em Aveiro. Há um ano que estava na Cereja no Bolo – Padaria e Pastelaria Riviera onde “fazia as vezes de sócio” revelou a JB, António Saraiva, gerente daquele estabelecimento, ainda incrédulo com o sucedido.
Maria do Céu Almeida deixou um outro filho menor, de 11 anos, que nessa noite estava a dormir em casa de familiares.
Segundo o comandante Eduardo Matos, dos Bombeiros Voluntários de Anadia, o alerta foi dado às 00h45, tendo sido deslocados para o local 22 bombeiros, apoiados por 8 viaturas.
Os corpos das vítimas foram encaminhados para o Gabinete de Medicina Legal de Aveiro.
Na manhã de sexta-feira, esteve no local uma equipa da Polícia Judiciária de Lisboa especializada neste tipo de sinistros. O caso está a ser investigado pela PJ de Aveiro.
Os funerais das vítimas (mãe e filho) realizaram-se na última terça-feira, em Sangalhos, enquanto que o corpo de Rui Gil foi a sepultar em Vagos, no mesmo dia.

Catarina Cerca