O Orçamento e as Opções do Plano da Câmara Municipal de Anadia para 2011 foram aprovados, na última Assembleia Municipal do ano, realizada no passado dia 22, com 26 votos a favor e sete abstenções (de toda a oposição: 4 do PS; 2 do CDS/PP e 1 da CDU).
Pela primeira vez, em vários anos, a bancada do PS não votou contra o Orçamento da maioria “laranja”, que para o próximo ano é de 30 milhões de euros, optando pela abstenção.
Um orçamento que, segundo o autarca Litério Marques, “terá sido, até hoje, o mais difícil de conseguir”, não só pelas limitações financeiras impostas, mas porque também, e apesar delas, “responde ao nosso projecto”. Litério Marques falaria à Assembleia de um orçamento “de consenso para que se gaste bem o dinheiro”, ou seja, um orçamento “de grande rigor no controle das despesas e na definição das prioridades”.
Cardoso Leal, líder da bancada socialista, reconheceu que o Orçamento para 2011 faz alguma aproximação às prioridades do PS (reforço das verbas para Educação, Saneamento e Desenvolvimento Económico – Zonas Industriais). No entanto, realçaria que “noutras áreas existe um afastamento ao que achamos mais necessário – redução das verbas para a Cultura, exiguidade de verbas na Acção Social e estradas, em contraste com a forte concentração no projecto de regeneração do centro urbano que sempre criticámos”. Por isso, nesta conjuntura de crise em que a Câmara foi afectada pela redução de transferências do poder central, o líder socialista congratulou-se pelo facto da Câmara cortar nas despesas correntes, embora considere que esta poderia ir mais longe “nesse bom exemplo de poupança”.
Assim, como o orçamento “nos suscita um misto de sentimentos diferenciados, leva-nos a alterar o voto contra que sempre apresentámos nos anos anteriores optando agora pela abstenção”, uma postura que considera de uma oposição “que não é cega nem sistemática”.
Por sua vez, Sidónio Carvalho e Tiago Castelo-Branco, pelo CDS/PP, consideram “importante que se fiscalizem as obras com maior rigor, pois nas obras públicas, uma fiscalização eficaz resulta numa economia de custos e na qualidade acrescida das obras”. Por outro lado, defendem que a localização dos Centros Escolares deve ser criteriosa por forma a poupar nos transportes escolares, assim como se opõem à ampliação da cobertura do estádio municipal: “parece-nos extemporânea face à situação de crise que o país atravessa”. Os deputados centristas defendem também que os edifícios públicos utilizem luminárias de tecnologia LED, “por terem consumos muito reduzidos face à iluminação tradicional e serem, por isso, soluções amigas do ambiente”, considerando também que os veículos da Câmara consomem muito combustível “450 mil euros. Não será gasóleo a mais?” De igual forma, João Morais, da CDU, optaria também pela abstenção.

Catarina Cerca