Os párocos do Arciprestado de Anadia decidiram mostrar publicamente o seu repúdio em relação ao diploma governamental que regula o apoio do Estado aos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo.
Através de um comunicado que foi lido nas missas deste fim-de-semana, e que chegou também à redacção do Jornal da Bairrada, falam do “atentado” do Governo, assim como não se coíbem em afirmar que aquele quer roubar aos pais e encarregados de educação “a liberdade de escolha da escola dos seus filhos”, colocando em risco os postos de trabalho de muitos docentes e não docentes.
Relativamente aos colégios de Famalicão e de Mogofores, os párocos do Arciprestado de Anadia apelam aos pais para que inscrevam os filhos, para o próximo ano lectivo, em ambos os colégios até ao final de Janeiro, como forma de manifestar “a sua determinação e liberdade de escolha da escola que só aos pais pertence”.
Os párocos sublinham ainda que “os Colégios servem a comunidade de Anadia há décadas, antes da existência das escolas estatais, sendo este um ataque a estabelecimentos de ensino públicos de gestão privada, onde só não entram todos os candidatos, porque o Ministério da Educação não permite a abertura de mais turmas”.
Escolas que, de resto, são gratuitas, pois os contratos de associação, celebrados há mais de 30 anos com o Estado, permite às pessoas de menor rendimento a escolha da escola para os seus filhos.
Para os párocos de Anadia, serão os mais pobres, uma vez mais, a serem prejudicados, explicando que um estudante nestas escolas custa menos mil euros por ano (dados da OCDE) do que um aluno nas escolas estatais.
“O Governo diz que não, mas não mostra as contas. Lá terá as suas razões”, afirmam.
A terminar, concluem que o Ministério irá impor aos colégios, até final de Janeiro, o número de turmas que lhe convier, ou seja, apenas as que não couberem nas escolas estatais do concelho . Por isso, concluem que “só razões ideológicas, no centenário da República, podem justificar o injustificável”.

Bispo acusa Governo de postura ditatorial. Também o bispo emérito de Aveiro, D.António Marcelino, através de um artigo de opinião, defende que “o governo socialista, em campos como o ensino, a solidariedade social, a saúde (…) passou a agir como novo ditador. Não ouve, não reflecte, não acolhe, desconhece a realidade, embrulha e deturpa a realidade”, assim como se nega “a procurar com parceiros obrigatórios soluções de consenso”.
Por outro lado, “rasga acordos bilaterais assinados, volta costas a quem realiza trabalho de qualidade, só agrada a clientelas discutíveis, vive obcecado pelo poder, dá péssimo exemplo de democracia e de isenção a quem tem o encargo de governar”, afirma, considerando também que “o Ministério da Educação está inquinado, desde há muito”.
A seu ver, as escolas com contrato de associação são uma alternativa credível. Mas contundente qb, refere que “o Estado não faz qualquer favor aos particulares, nem prejudica o país, ao proporcionar o ensino gratuito, através de escolas privadas, a todos os que já as podem escolher, pois a função do Estado é garantir um serviço público válido de educação, seja ele exercido por escolas estatais ou privadas”.
“O que o governo socialista faz agora e quer continuar a fazer, a falso pretexto da crise económica, e que é urgente denunciar, constitui um retrocesso democrático, uma ameaça grave de contornos ditatoriais, uma negação clara do mais legítimo pluralismo, uma injustiça que a história guardará com o seu juízo crítico inexorável”.

Catarina Cerca