“É preciso trabalhar com os meios disponíveis”, disse a JB, Eduardo Matos, comandante dos Bombeiros Voluntários de Anadia a propósito da apresentação do dispositivo distrital de combate a incêndios florestais para 2011.
Embora, não conheça (oficialmente) os meios disponíveis em concreto para o concelho de Anadia, Eduardo Matos admite que, de acordo com a informação de que dispõe, serão semelhantes aos de 2010.
Eduardo Matos, ainda que contido e parco em palavras, mostrou-se algo receoso em relação ao Verão de 2011, alertando que os incêndios florestais dependem de todos nós: “não se pode usar o fogo de forma descuidada”, sublinhando a proibição que existe quanto à realização de queimadas.
E na região da Bairrada, Anadia, a par com Águeda e Mealhada, possui uma vasta mancha florestal. São cerca de 11.500 hectares de mancha florestal com uma morfologia de terreno muito acentuada, sendo as freguesias de maior risco e aquelas que exigem uma atenção redobrada, Vila Nova de Monsarros, Moita e Avelãs de Cima.
Por isso, Eduardo Matos fala de uma preocupação acrescida com as populações serranas, já que, no interior desta vasta mancha florestal, existem várias aldeias. Daí lançar um apelo a madeireiros e proprietários de terrenos para que tenham mais cuidado na realização de limpezas nas matas. “Vemos no concelho vários locais, autênticos depósitos de detritos florestais e sobrantes de desmatações que ali ficam abandonados no interior das matas, encontrando-se nesta altura do ano bastante secos”, disse.
Por outro lado, reconhece a necessidade da Câmara Municipal continuar a cuidar os caminhos florestais que, no concelho, regra geral, se mantêm em bom estado.
A corporação de Anadia integra 111 bombeiros, e para o combate a fogos florestais possui dois veículos pesados e três ligeiros, assim como vários meios de apoio.
Redução de meios. Recorde-se que, na última semana, em declarações a um jornal diário, Duarte Caldeira, presidente da Liga de Bombeiros Portugueses mostrava-se preocupado com a redução de meios, nomeadamente militares, no combate aos incêndios florestais. Como é do conhecimento público, o Exército português vai reduzir, este ano, significativamente o número de militares em operações de combate aos incêndios florestais, face aos cortes financeiros impostos pelo Governo. Uma redução de meios que foi generalizada, atingindo todos os organismos ligados à protecção civil.

Meios disponíveis. No passado dia 10 de Maio, decorreu no Governo Civil de Aveiro, a apresentação do Dispositivo Distrital de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) para 2011. Meios de combate aos incêndios que se mantêm, praticamente, os mesmos que estiveram à disposição, no mesmo dispositivo em 2010.
Na ocasião, António Machado, Comandante Distrital, referiu que “as populações podem estar descansadas”, dado que, “apesar de alguns ajustamentos”, os meios disponíveis são “suficientes para garantir a segurança das populações”.
Por seu turno, o Governador Civil de Aveiro, José Mota, reforçou as palavras do comandante, referindo o esforço do Governo na manutenção dos meios, aproveitando para “agradecer o empenho e o trabalho” do Comando Distrital e enaltecendo ainda o trabalho “dos Bombeiros e das forças de segurança” que integram o dispositivo de combate a incêndios no distrito de Aveiro.
A Fase Bravo de combate aos incêndios florestais começou no domingo, dia 15, prolongando-se até 30 de Junho, envolvendo 6.438 homens (menos 213 que em 2010), 1.476 veículos (menos 52 que no ano anterior) e 24 meios aéreos (menos 10 relativamente a 2010).

Catarina Cerca