Por estes dias todos os caminhos vão dar ao Santuário de Fátima. A zona da Bairrada não é excepção e nos últimos dias, sobretudo, o IC 2 foi invadido por milhares de peregrinos que rumam a Fátima.
Sozinhos, ou em grupos, a passo acelerado ou devagar, com mais ou menos alento, homens e mulheres, mais ou menos jovens, caminham com um objectivo comum: cumprir promessas feitas a Nossa Senhora de Fátima e chegar ao Santuário durante o dia de hoje (quinta-feira) por forma a participarem nas celebrações do 13 de Maio.
São milhares, sobretudo, provenientes do Norte do país (Gaia, Porto, Famalicão, Santa Maria da Feira, Gondomar, Espinho, Ermesinde, etc). Peregrinos com grande devoção, dispostos a percorrer centenas de quilómetros a pé, com uma força e ânimo que só uma fé inabalável pode explicar.

Aumento de grupos organizados. Poucas semanas após a beatificação do Papa João Paulo II, esta caminhada para muitos tem, este ano, um significado, importância e motivação diferentes, na medida em que o Santo Padre era também grande devoto da Virgem de Fátima. Mas pagar promessas continua a ser a principal motivação da maioria dos caminhantes que, de ano para ano, integram grupos cada vez mais organizados.
Esta poderá ser uma das razões que leva os peregrinos a procurarem em menos número os vários postos de assistência distribuídos por vários concelhos, no longo percurso até Fátima.
Na Malaposta, no posto de apoio a peregrinos que os Bombeiros Voluntários de Anadia montaram, entre o dia 3 e 10 de Maio, foram assistidas 370 pessoas. “Um número bastante inferior ao de outros anos”, dizem-nos, não porque sejam menos os peregrinos (pelo contrário), mas porque quase todos vão integrados em grupos que trazem consigo toda a logística necessária (locais para dormir, verdadeiras cantinas ambulantes, massagistas, enfermeiros, pedologistas e até médicos). Por isso, a menor procura por estes postos que continuam a desempenhar um papel central no apoio a grupos mais pequenos e a peregrinos que caminham sozinhos.
Na Malaposta fomos encontrar um grupo de dez pessoas oriundas de Santa Maria da Feira. Fernando Silva tem 47 anos e é um estreante nestas andanças. Enquanto uma bombeira da corporação anadiense lhe massajava os pés, doridos da longa caminhada, o peregrino mostrava-se cheio de ânimo e fé: “sinto-me bem e não está a custar muito. Espero chegar a Fátima quinta-feira e assim cumprir a minha promessa”.
“O sacrifício vale a pena”, diz-nos, por sua vez, Clarinda Fernandes, de 62 anos. Veterana nas peregrinações (esta é a 36.ª vez que vai a Fátima a pé) é a líder do grupo e diz que assim se vai manter enquanto as forças lho permitirem.
A fé em Nossa Senhora de Fátima é, sem dúvida, o alimento da alma destes caminhantes, que apesar da distância, da dor, das bolhas nos pés e da exaustão física, seguem em frente, sem olhar para trás, sem vontade de desistir.
Maria Lucinda Pereira, de 62 anos, vai a Fátima há mais de 20 anos. Embora, não venha todos os anos fá-lo sempre que pode, por fé e para agradece uma graça concedida. “Este tipo de apoio é-nos muito útil e no percurso deveriam existir mais postos, pois algumas pessoas precisam de ajuda para chegar a Fátima”, disse a JB.
Mário Teixeira, presidente da direcção dos BVA, reconhece ser cada vez maior o número daqueles que, em grupos muito bem organizados e seguros, fazem a sua peregrinação até Fátima. Contudo, defende que os postos, como o da Malaposta, continuam a prestar um importante apoio a muitas centenas de pessoas, não deixando de agradecer a todos (bombeiros, pessoas da comunidade, voluntários, farmácias) que colaboraram no sentido de permitir que o posto funcionasse durante oito dias (3 a 10 de Maio).

Catarina Cerca