Embora ainda jovem, a Associação dos Carochas e Pão de Forma da Bairrada terá, em 2012, um ano repleto de atividades.
Com um ano de vida (foi oficialmente constituída em 2011) esta associação, com sede em Sangalhos, irá, no decorrer deste ano, inaugurar a sua sede (uma ampla sala cedida pela Junta de Freguesia, nas antigas Escolas Primárias da Fogueira), mas também levar a cabo mais uma edição do seu Festival de Carochas e Pão de Forma.

Uma paixão para toda a vida. A paixão pelos “carochas” e pelos “pão de forma” é, diz-nos Fernando Reis, “uma forma de estar na vida”.
“Temos carochas mas somos acérrimos defensores das carrinhas “pão de forma” que são emblemáticas. São como um membro da nossa família”, avança, dando conta que este gosto começa, em muitos casos, pequenino, vai crescendo, transformando um hobby numa grande paixão. Por isso, fala-nos não de uma associação, mas antes de uma “família” que começou a formar-se há oito anos. “Mais tarde veio a ideia de comprar carrinhas [pão de forma] velhas e começar a restaurá-las”.
Com a particularidade de ser a única associação no país a recuperar carrinhas “pão de forma”, Fernando Reis revela ainda que, ao longo dos últimos anos, a associação foi responsável pelo restauro de várias carrinhas. “Na associação já contabilizamos nove”, acrescenta.
Graças ao trabalho voluntário, ao know-how dos sócios, têm-se transformado e preservado muitas viaturas. “Trabalhamos todos para o bem comum. Fazemos muitas pesquisas e com a experiência adquirida, sempre que recuperamos uma viatura ela fica melhor do que a anterior.”
O trabalho de restauro é moroso e, como qualquer paixão, exige muita dedicação e espírito de sacrifício. Uma carrinha demora, em média, um ano e meio a restaurar. A carolice, o empenho e o gosto fazem com que noites a fio e fins de semana seguidos sejam dedicados ao restauro de viaturas. “Isto é um bichinho que nasce e cresce dentro de nós que contagiámos já as nossas esposas”, diz Fernando Reis, admitindo que hoje, tanto eles como elas se dedicam, de corpo e alma, à preservação dos “pão de forma”.
“É uma sensação única fazer renascer uma carrinha com mais de 40 anos. É como fazer nascer um filho”, diz.
O restauro é total. As viaturas são completamente desmontadas e cuidadosamente inspecionadas. Depois, passo a passo, como quem monta um lego, a viatura volta a ser construída: os trabalhos de mecânica, eletricidade, chaparia, montagem, pintura, acabamentos são cuidadosamente partilhados por todos os associados.
“Não existem dois pão de forma iguais. Cada um é feito à medida e imagem dos proprietários”, avança também Pedro Valente, vice-presidente da associação.
Embora não se possa considerar um hobby acessível a todos os bolsos, são cada vez mais aqueles que se juntam a este movimento. Contudo, os tempos de crise levam a que alguns simpatizantes pensem duas vezes antes de partir para esta aventura: “se tivermos em conta que se pode comprar uma carrinha pão de forma, na internet, por mil ou dois mil euros, o comprador sabe, à partida, que para a tornar num veículo seguro e confortável terá, no seu restauro, que gastar um mínimo entre sete ou oito mil euros, podendo esse valor facilmente chegar aos 15 mil euros”.
Quanto ao material utilizado no restauro, as peças e todo o equipamento necessário são facilmente encomendados na internet: “Não é difícil encontrar as peças. Há uma série de empresas na Europa a fazerem material específico para carros antigos”, revela Fernando Reis, sublinhando que “podemos dizer, com toda a segurança, que se tornam viaturas muito atrativas, seguras e confortáveis, permitindo inclusive a realização de viagens longas”. Mantendo uma condução atenta, desfrutando do prazer de uma viagem num pão de forma, conseguem-se consumos na casa entre os 8 e os 10 litros aos cem. Depois, só é necessário fazer uma vigilância aos níveis do óleo e pneus e não exceder a velocidade recomendada de 80/90 quilómetros/hora.

Festival em junho. O festival, inicialmente com realização anual, faz-se presentemente de dois em dois anos, marcando já a agenda da freguesia de Sangalhos, atraindo inúmeros visitantes de vários pontos do país. Com realização em junho, é um autêntico desfile destas emblemáticas viaturas que marcaram as gerações de 50, 60 e de 70, em todo o mundo.
“Neste momento, estamos a fazer alguns contactos para avançar com um novo encontro”, avançou a JB Fernando Reis, acrescentando que a presente edição, em virtude das dificuldades económicas, poderá sofrer algumas alterações: “como bons bairradinos e anfitriões, oferecíamos aos visitantes um almoço de leitão e espumante, os dois ex-líbris e embaixadores da região. Este ano, a ementa poderá ter de ser alterada por forma a não tornar o evento tão dispendioso”, acrescentou.

Nova sede. Instalados provisoriamente numa garagem em Sá, gentilmente sedida por Armando Castro (ex-autarca da freguesia e amigo da associação), onde levam a cabo a recuperação de algumas viaturas “pão de forma”, preparam-se para inaugurar uma nova sede, na Fogueira, nas antigas Escolas Primárias. “Há uma sala que estava vaga, depois de lhe ter caído o teto, há já algum tempo atrás. Depois de alguns contactos e diligências, com autorização da Junta de Freguesia, procedemos à limpeza e estamos a iniciar a recuperação do espaço por forma a ali instalarmos a nossa sede, mas ao mesmo tempo dando uma nova dinâmica àquele espaço que estava desocupado e a degradar-se.”

Catarina Cerca
catarina@jb.pt