O contrato de arrendamento das antigas Escolas Primárias de Anadia, entre o Município de Anadia e a Escola Profissional de Anadia (VITI), foi celebrado na última quarta-feira, dia 12, no salão nobre da Câmara Municipal de Anadia. O contrato, agora celebrado, com duração de cinco anos, é renovável automaticamente por períodos sucessivos de cinco anos, sendo a renda anual de 18 mil euros, pagável em duodécimos de 1.500 euros. Contudo, tendo em conta os investimentos já concretizados pela Escola Profissional naquele espaço, fica dispensada do pagamento das rendas nos primeiros três anos.
O autarca Litério Marques sublinhou o entendimento existente na vereação que permitiu a realização deste negócio. Ao mesmo tempo frisaria que, para além da autarquia, é desejável que as empresas da região sejam parceiros ativos e empenhados da VITI para que seja “uma grande escola” contrariando as perdas que Anadia tem vindo a sofrer, nomeadamente ao nível da Educação, Justiça e Saúde.

Excelente negócio. Na ocasião, perante uma plateia composta por funcionários e docentes da Escola, vereadores, parceiros e convidados, Adriano Aires, diretor da Escola Profissional de Anadia considerou tratar-se de “um excelente negócio” até porque permitiu a requalificação e valorização do património edificado.
A passagem da Escola Profissional para as antigas Escolas Primárias de Anadia, localizadas em pleno centro da cidade, veio, segundo este responsável “permitir trazer a Escola para a cidade”, já que “a Escola é da cidade, é nela e com ela que tem que caminhar”. Ao mesmo tempo reconhece que esta mudança de instalações permitiu trazer uma outra alegria e juventude a esta parte da cidade que “ganhou vivacidade com os nossos jovens”.
Escola de Referência. Já com 22 anos de vida, a existência da Escola nem sempre foi feliz. “Nasceu envergonhada”, houve “falta de vontade dos seus promotores”, “arrastou-se durante anos com um terrível complexo de menoridade”, admitiu Adriano Aires, dando conta de que os “tempos de frustração, parecendo transportar um pesado fardo”, deu lugar a um agente económico local respeitado pelo volume de negócio, pela qualidade dos quadros que forma, devendo-se esta excelência e diferença dos serviços que prestam, pelo grande esforço e empenho dos colaboradores.
Atualmente, frequentam a Escola 258 alunos, dos quais 73 originários de países africanos de língua oficial portuguesa. Dos alunos nacionais, 98 são do concelho de Anadia, 87 provenientes de concelhos limítrofes (Mealhada, Cantanhede, Oliveira do Bairro e Águeda).

Novos cursos. Com um vasto leque de cursos, Adriano Aires adianta que, enquanto que uns “são a consequência lógica da procura dos alunos, da empregabilidade, da elevada qualificação dos recursos humanos”, outros, os novos que pretende introduzir, são uma aposta da Escola num setor (Moldes) que tem vindo a crescer e a consolidar a sua notoriedade no mercado internacional, possuindo o país 530 empresas na área, empregando mais de 8.200 trabalhadores.
“Portugal encontra-se entre os principais fabricantes mundiais de moldes, nomeadamente na área dos moldes para injeção de plásticos, exportando mais de 90% da produção total”.
Assim, defendendo que “já não somos uma Escola concelhia, somos uma mais valia regional”, Adriano Aires destacou também que no próximo ano a Escola deverá ter em funcionamento cursos como: Auxiliar de Saúde, Técnico de Prótese, de Análises Laboratoriais, Técnico de Banca e Seguros, Restauração nas duas variantes Cozinha/Pastelaria e Restaurante/Bar, Viticultura e Enologia, Gestão de Desenho de Construções Mecânicas nas variantes de Desenho de Moldes e Modelação Gráfica de Moldes.
Por isso, fez um apelo ao edil Litério Marques, para que faça chegar à Delegada do Ministério da Educação para a Região Centro “esta vontade de contribuir para o desenvolvimento económico do país” nesta área. “Estamos conscientes dos elevados investimentos que tal curso exige, mas como o fizemos para outras áreas estamos motivados a fazê-lo também para esta” até porque “neste quadro de dinâmica empresarial, não existe oferta formativa de cursos profissionais para esta área”.

Curso pós secundário de especialização tecnológica
Adriano Aires revelou ainda estar em curso uma candidatura feita pelo Instituto Politécnico da Guarda para a realização de um curso pós secundário de especialização tecnológica, nível V, em técnicas de restauração, para o qual já se encontram abertas inscrições, fruto de um protocolo celebrado entre a Escola e aquele instituto do ensino superior. Esta formação funcionará nas instalações da Escola Profissional de Anadia, em horário pós laboral e destina-se preferencialmente a ex alunos, mas também a outros que o queiram frequentar.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt