Mais uma vez, não houve consenso. Na noite de terça-feira, dia 29 de outubro, dia em que teve lugar mais uma reunião/Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Paredes do Bairro, Amoreira da Gândara e Ancas, não houve entendimento entre os eleitos, pelo que, pela terceira vez, não foi possível escolher os vogais (secretário e tesoureiro) para o executivo da Junta de Freguesia, assim como não foi igualmente possível escolher o presidente e secretários da mesa da Assembleia de Freguesia desta União.
Embora na reunião anterior, realizada a 21 de outubro, se tenha conseguido instalar a nova assembleia (todos os elementos assinaram a ata referente à instalação), a verdade é que a partir deste ponto nada mais avançou.
A cidadã melhor posicionada na lista vencedora (MIAP), das eleições de 29 de setembro, Ema Pato tentou, uma vez mais, encontrar o consenso necessário para ultrapassar o impasse, mas a verdade é que se mantém tudo na mesma, sendo cada vez mais espectável que a solução passe inevitavelmente por uma decisão da tutela.
Uma vez mais, o salão nobre da Junta de Freguesia de Paredes do Bairro voltou a encher-se de populares das três freguesias.
Ema Pato, nesta terceira e derradeira tentativa, voltou a escolher para secretariar a reunião Anabela Santos, eleita pelo MIAP, natural de Ancas e que já nas duas anteriores reuniões assumira esta mesma função.
Depois de questionar os membros eleitos se a votação que se seguiria seria em lista ou uninominal, acabaria por se optar pela eleição em lista.
Ema Pato propôs, ao longo da noite, cinco conjuntos de pessoas diferentes para a acompanharem no executivo, nos lugares de secretário e tesoureiro.
Votação após votação, por voto secreto, todas as alternativas apontadas foram “chumbadas”.

Várias propostas a votação. A sua primeira proposta recaiu sobre os nomes de Anabela Santos, de Ancas e João Nunes Ferreira, de Paredes do Bairro, ambos eleitos pela lista do MIAP à qual também pertence a presidente. Esta, que já na anterior reunião fora a primeira opção de Ema Pato, voltou a ser chumbada com 5 votos contra e 4 a favor.
Seguiu-se nova proposta, recaindo a escolha nos nomes de Sílvio Moreira Marinha, de Paredes do Bairro, eleito pelo MIAP, e novamente Anabela Santos. Igual votação ditava que teria de se continuar a encontrar alternativas.
Seguiram-se os nomes de Artur Gorjão, de Paredes do Bairro, eleito pelo PS, e Anabela Santos. Na hora da votação, uma vez mais, não sofreu alterações, sendo a proposta novamente chumbada.
Uma quarta tentativa foi ensaiada com os nomes de André Domingues, de Paredes do Bairro, cabeça de lista pelo PSD, e Anabela Santos, que arrecadou 6 votos contra e 3 a favor.
Na última e derradeira tentativa, já por volta das 22h, em cima da mesa foram colocados os nomes de João Nunes Ferreira e de Maria de Lurdes Santos, eleita pelo PSD, residente em Ancas, que registou 4 votos a favor e 5 contra.
Face a este impasse, Ema Pato deu por encerrada a reunião, pelo que foi assinada nova ata pelos presentes.

Obrigatório entendimento. O facto de não se ter chegado a um entendimento já foi comunicado pela presidente de Câmara Municipal de Anadia, Teresa de Belém Cardoso, à CCDR-Centro, mas também ao secretário de Estado da Administração Local.
Ao JB, Teresa Cardoso revelou já ter inclusive enviado à tutela ofícios comunicando o acontecido. “As respostas que recebi de três locais diferentes (CCDR Centro – Recursos Jurídicos, Associação Nacional de Municípios e Secretário de Estado da Administração Local) vão no sentido de ser necessário encontrar o entendimento porque não há lugar a eleições. As eleições decorreram dentro de toda a normalidade e legalidade; a Assembleia de Freguesia está legalmente instalada pelo que agora caberá aos seus membros chegarem a um entendimento”, revelou.
Apesar das tentativas já realizadas, “será necessário continuar a tentar as vezes que forem precisas até conseguir escolher as pessoas”, admitiu a edil anadiense, lamentando que “uma Lei mal feita que impôs a união de freguesias e impôs o número de freguesias a existir no país, deveria ter dito claramente onde ficaria instalada a sede das novas uniões de freguesias”.
A autarca, todavia, não rejeita que, em último caso e depois de esgotadas todas as possibilidades, possa haver eleições intercalares, ainda que para tal “todos os eleitos tivessem de renunciar, assim como os suplentes de todas as listas”, diz.
Rejeitando que este impasse possa ser visto como uma forma de se querer boicotar o mandato da própria Ema Pato (o que será ilegal), Teresa Cardoso insiste que “cabe a Ema Pato escolher os seus vogais e só depois é que caberá à Assembleia de Freguesia propor e escolher os nomes para a mesa da Assembleia”.
Até ao fecho desta edição, ainda não foi marcada nova reunião, para tentar encontrar uma solução de consenso.
Podemos avançar ainda que, em caso de eleições intercalares, parece certo que nenhum dos agora eleitos poderá voltar a concorrer.
Catarina Cerca