Vinho e Fado são os dois pilares identitários do novo núcleo expositivo inaugurado no passado domingo, dia 18 de maio, no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia.
Neste dia (18 de maio) em que se celebrou o Dia Internacional dos Museus, o do Vinho recebeu uma multidão que não quis perder a inauguração de três novas exposições temporárias, que podem ser visitadas até ao próximo mês de outubro.
Na cerimónia inaugural, que contou com a presença da fadista Ana Moura, embaixadora oficial do evento, Pedro Dias, diretor do Museu do Vinho Bairrada, sublinharia “serem estes os dois elementos centrais do nosso património cultural e etnográfico”, que serviram de mote a três núcleos expositivos: um centrado em Amália Rodrigues, no qual estão patentes diversos objetos pessoais da diva do fado, cedidos pela Casa Museu Amália Rodrigues e pela Fundação Amália Rodrigues.
“Por muito que se queira fazer e dinamizar uma exposição sobre o fado, nomeadamente sobre a grande diva Amália, ficaremos sempre com a sensação que será pouco e/ou pequeno para homenagear tão grandes nomes e feitos”, diria, não deixando de se dirigir a Ana Moura, fadista convidada pela autarquia, para dizer: “Não há outra voz no fado como a de Ana Moura. Uma voz que se passeia pela tradição livremente, sem deixar de flirtar elegantemente com a música pop, alargando de uma forma muito pessoal o raio de ação da canção de Lisboa”.
Pedro Dias reconhece-lhe “um timbre grave e sensual como há poucos” e que, por isso, “tem elevado o nome de Portugal e a nossa cultura no mundo”.
Quanto aos outros dois núcleos expositivos, um é centrado no “Fado – Património da Humanidade”, fruto de um protocolo com o Museu do Fado, permitiu trazer à cidade uma mostra que revela a história do fado, lembra alguns dos seus protagonistas (podendo o visitante escutar e visualizar diversos registos) e não descura a sua ligação a outras artes. Pedro Dias diz ser “uma exposição fortemente interativa e de grande índole pedagógica”.
Já a mostra coletiva internacional “Vinho e Fado” de arte contemporânea, na qual participam cerca de 50 artistas, o diretor do Museu sublinhou a pareceria com os curadores José Sacramento e Nuno Sacramento, que trouxe a Anadia obras de consagrados artistas nacionais e estrangeiros.

Museu municipal na prossecução do interesse público. Na ocasião, a autarca Teresa Cardoso lembrou que numa altura de crise, “a ação dos museus pode ser difícil, mas enfrenta novos desafios que estimulam a criatividade e levam à apresentação de temas e de linguagens inovadores”. Por outro lado, este é um museu que “não obstante ter uma abrangência regional, é um museu municipal, gerido pela Câmara, segundo uma filosofia que não pode ser outra que não a da prossecução do interesse público”.
A edil anadiense reconheceria ainda que o visitante pode ficar a conhecer um pouco mais sobre o fado, a sua história e os seus protagonistas, enaltecendo ainda as parcerias com o Museu do Fado e com a Fundação Amália Rodrigues que tornaram possíveis estas mostras.
Sobre Ana Moura, a presidente do município de Anadia destacaria que a fadista, que dispensa apresentações, mostrou interesse no projeto, recordando os presentes da sua presença no encerramento (29 de junho) da Feira da Vinha e do Vinho, num espetáculo que acredita, irá ser “memorável”.
As exposições estarão patentes até ao próximo dia 31 de outubro, podendo ser visitadas de terça a sexta-feira, das 9 às 13h, e das 14 às 18h, e fins de semana e feriados, das 10h às 19h.
Catarina Cerca