O produtor executivo de espetáculos (production manager) Ricardo Ribeiro, natural de Oiã, mas a viver em Los Angeles, nos Estados Unidos, e atualmente em Tourné com a banda “30 Seconds To Mars”, é o vencedor do Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa. Trata-se de uma iniciativa que celebra este ano a sua 7.ª edição e que pretende distinguir cidadãos portugueses que, pela sua capacidade empreendedora e inovadora, têm destaque fora de Portugal nas suas atividades.

Ricardo nasceu em Oiã, está na casa dos 30 anos, mas com uma visão diferente do que, normalmente, os jovens pretendem para o seu futuro. Tirou um curso de Autocad para trabalhar em engenharia e arquitetura no Departamento de Matemática da Universidade de Aveiro, e não as licenciaturas, porque queria começar logo a fazer coisas. Hoje, com esse “know-how”, decifra os projetos de planificação e design dos espetáculos.

Em 2002, com 20 anos, foi para Londres. Uma decisão que de certa forma foi inspirada pela sua avó, que viveu em França.

Chegou num sábado a Londres e na segunda-feira já estava a tentar a sua sorte no London Astoria, uma das mais míticas casas da capital inglesa. “Fui lá perguntar se tinham um lugar para mim e consegui trabalho no bar. Não estava à espera, mas foi a minha rampa de lançamento”, afirmou ao JB Ricardo Ribeiro, na sexta-feira, quando estava a ultimar mais um concerto da banda “30 Seconds to Mars”, em Roma, Itália.

Três meses depois, era supervisor e ao nono mês passou para a equipa de palco para logo se tornar assistente de “stage manager”, cargo que ocupou até o Astoria fechar, em 2009. “Durante este tempo, trabalhei com nomes grandes que passaram por esta mítica sala de espetáculos. Passaram nomes tão famosos como a Madonna ou mesmo a banda Rolling Stones”, acrescentou.

Entretanto, o cargo de “stage manager” transformou-se no “Production Manager “(Produtor Executivo) quando começou a ser reconhecido profissionalmente, e a trabalhar pelo próprio nome.

Ricardo foi viver para Los Angeles, mesmo ao fundo da colina, “por baixo do sinal de Hollywood”, mas esteve muito pouco em casa porque se seguiram tournées com Raphael Saadiq (com quem conheceu Stevie Wonder, Earth Wind & Fire e Jennifer Hudson) ou trabalhos como production manager para Mick Jagger na primeira participação deste nos Grammy Awards. “O trabalho com Mick Jagger foi dos que mais me marcou”, confessou ao Jornal da Bairrada.

Sucesso

Hoje, Ricardo Ribeiro construiu uma empresa ligada ao mundo do “show business” com um volume de negócios de 57,7 milhões de euros. De uma forma direta, tem debaixo da sua alçada uma equipa de 60 pessoas. Nos espetáculos, esta equipa pode chegar aos 120. Nada pode falhar em cada espetáculo. É tudo da sua responsabilidade. Enquanto algum material segue por terra, outro segue pelo mar.

Ricardo não tem dúvidas de que a sua vida é uma grande aventura, num trabalho extremamente exigente. Diz ainda não saber quantos países percorreu ou quantas voltas já deu ao mundo. No dia em que o entrevistávamos, estava em Roma. No dia em que este jornal está em distribuição, Ricardo encontra-se na Alemanha e no dia seguinte na República Checa [para ver os últimos meses da tour http://www.thirtysecondstomars.com/tour].

Diz não pretender parar tão depressa, pois “é todo um conhecimento obtido, ao longo destes anos, que não merece descanso”. Confessa, no entanto, que “quando esta digressão terminar, vou dois meses para uma ilha deserta”.

Pedro Fontes da Costa

pedro@jb.pt

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