O projeto “Rotulagem termocromática” do anadiense Tiago Mouta foi o grande vencedor da 1.ª edição do Concurso de Ideias de Negócio da Vinha e do Vinho, promovido pela Câmara Municipal de Anadia e pelo Instituto Politécnico de Coimbra, em parceria com o Curia Tecnoparque.
A entrega de prémios decorreu no passado dia 25 de junho, pelas 17h, no Museu do Vinho Bairrada, no âmbito do seminário “Da vinha ao mercado – novos desafios”, que contou com a presença do Secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agroalimentar, Alexandre Nuno Vaz Brito que, à vasta plateia que encheu o auditório do Museu do Vinho, sublinhou a necessidade de, cada vez mais, “termos que sair deste estado difícil através do nosso próprio esforço”, como “uma forma diferente de ver e ter fé no futuro”, ou seja, sendo “empreendedor”.
Referindo-se claramente aos projetos a concurso, defendeu que “muitas das ideias, mesmo que não tenham sido premiadas, podem ser incubadas e entrar no mercado”.
Alexandre Nuno Vaz Brito considerou ainda o vinho “um produto altamente valorizado a nível nacional”, sendo um dos produtos em que Portugal deve apostar para exportação, já que tem atualmente como principais mercados estrangeiros, França, EUA, Reino Unido e Angola, com crescimento acentuado no Canadá e Rússia.
Por outro lado, disse que o vinho deve ser olhado como uma “oportunidade de negócio e de inovação”, na medida em que é um produto que também ajuda a catapultar o setor agrícola para “o momento feliz em que se encontra”, estando ainda “muito próximo da gastronomia e do turismo”, também estes intrinsecamente ligados à região.

Premiados. Tiago Mouta, de 34 anos, licenciado em Engenharia do Ambiente e residente em Aguim, apresentou como ideia de negócio a criação de rótulos termocromáticos que permitam ao consumidor mais desatento e inexperiente saber se o vinho ou espumante estão à temperatura certa para ser consumidos. Como funciona? “A mudança da tonalidade do rótulo forneceria a informação visual necessária para saber quando um vinho ou espumante está pronto a ser consumido nas condições ideais, por forma a maximizar as suas propriedades gustativas”, explicou o vencedor do concurso.
A menção honrosa do concurso foi para Vítor Sousa, residente na Mealhada. A proposta deste jovem engenheiro agro-pecuário, prende-se com a “limpeza” das vides dos terrenos dos viticultores bairradinos (ou seja, dos restos dos sarmentos das videiras que resultam da poda) e a transformação deste material, para setores de atividade como são os da biomassa ou da restauração, “alimentando” os fornos a lenha da região onde se assam os leitões, ou simplesmente, servir para fabrico de “pellets” e, desta forma, serem usadas no mercado doméstico.
Neste concurso, aberto a todo o território da Rota da Bairrada, participaram 44 candidaturas provenientes de 53 participantes, sabendo-se que do total de projetos, um terço foi apresentado por munícipes do concelho de Anadia.
O júri classificou com melhor nota o projeto com mais viabilidade, tendo em conta aspetos como a criatividade e a inovação, o perfil dos seus promotores e a qualidade da candidatura.
O prémio, no valor de 5 mil euros, foi dividido em duas parcelas: 2500 em dinheiro e o restante convertido num ano de serviços de incubação na Incubadora de Empresas do Curia Tecnoparque, caso os promotores constituam uma empresa, até final de 2014, resultante da sua ideia de negócio, no concelho de Anadia.
Concurso a repetir. Na presença do secretário de Estado, Teresa Cardoso, presidente da Câmara Municipal de Anadia, reconheceu o sucesso desta 1.ª edição e que será repetido “neste e noutros sectores de atividade económica do concelho”, sublinhou, reconhecendo que hoje a formação, o empreendedorismo e a atitude são questões determinantes para o sucesso.
O concurso está integrado no INOV.C, um sistema de apoio ao estímulo local e regional ao empreendedorismo e inovação, financiado pelo QREN através do Programa Operacional Regional do Centro.

Catarina Cerca
catarina@jb.pt