Eternos rivais a nível autárquico, PSD e CDS voltaram a esgrimir forças nas eleições intercalares para a assembleia da União de Freguesias Vagos/Santo António. Fernando Julião, candidato laranja, que tinha perdido o mandato na sequência de uma decisão judicial, venceu com maioria absoluta. Conquistou 9 dos 13 mandatos, quando há dois anos tinha obtido apenas seis, obrigando a coligar-se com o PS para formar o executivo da Junta.
Com a abstenção a cifrar-se nos 57%, as eleições, para as quais estavam recenseados 6949 eleitores, confirmaram a vitória histórica do PSD. Conquistou 1544 votos (1392 em 2013), e manteve a supremacia nas seis mesas de voto, com destaque para Santo António, onde Fernando Julião haveria de obter o resultado mais expressivo, com 704 votos contra 136 do CDS. Já na sede do concelho a diferença de votos seria menor, com o PSD a arrecadar 538 votos e os centristas 390.
António Bodas voltou a dar a cara pelo CDS. Apesar de, como referiu em declarações à comunicação social, estava “confiante” de que iria ganhar porque fez uma campanha “muito boa”, obteve apenas 586 votos quando em 2013 garantiu 1062. Vai continuar a ser oposição “saudável e séria”, e como tal compromete-se a “estar lá a vigiar”.
Para além dos centristas, o PS foi outro dos derrotados. Depois de obter 434 votos nas últimas autárquicas, a candidatura socialista, liderada por Cláudia Moreira, baixou de forma significativa a sua base de apoio, ficando pelos 237 votos. Um resultado que o presidente da Concelhia do PS, Bruno Julião, admitiu poder estar relacionado com o facto de “este ser o único partido que apresentou uma nova cabeça de lista”.
Quanto à CDU, cuja aposta em Alexandre Loff tinha por objetivo ser “a voz alternativa” na assembleia de freguesia, a votação foi alegadamente residual. Obteve apenas 48 votos (90 em 2013), sendo de registar que ficou em branco na mesa que funcionou no lugar de Lombomeão.

Reações vitoriosas

Uma “vitória histórica”, é a leitura da Concelhia do PSD/Vagos, que espera agora que os seus adversários políticos “saibam tirar daqui as ilações devidas, e que em nome de Vagos e dos seus cidadãos optem por uma postura mais séria e digna”.
Rotulando de “muito difícil” o período que foi vivido, a estrutura laranja reconheceu que a vitória do PSD nas urnas “veio demonstrar que, na verdade, em política não vale tudo”.
Na noite da vitória, Fernando Julião reconheceu e agradeceu a “solidariedade” do povo da freguesia, na confiança que lhe foi conferida para exercer mais um mandato. “Viram que de facto merecíamos, tanto eu como a minha equipa”, especificou, deixando claro que passou por “maus momentos, muito tristes”.
Convicto de que “não havia necessidade de se ter feito o que fez”, Julião admitiu que, afinal, tal sofrimento “deu resultado”.
Eduardo Jaques/Colaborador