A celebrar 25 anos de marca de vinhos, João Póvoa reuniu, no Curia Palace Hotel, no passado sábado, dia 1 de outubro, agentes económicos, vários distribuidores nacionais e estrangeiros, garrafeiras, clientes e colaboradores que trabalham consigo desde 1991, ano em que iniciou a atividade como produtor de vinhos, no concelho de Cantanhede.
Depois de ter promovido um outro evento dirigido mais concretamente à imprensa da especialidade, que contou com a presença do enólogo da marca, Anselmo Mendes, no sábado foram a distribuição e o comércio que estiveram no centro das atenções. Um evento que serviu de palco ao lançamento de alguns dos vinhos mais expressivos da sua carreira, como foi o caso do emblemático Baga 1991 – Coleção Privada.
Foi durante um almoço extremamente requintado, no Curia Palace Hotel e a recuperar de uma semana extremamente dolorosa (falecimento de sua mãe e de uma cirurgia), que o médico e produtor de referência na região da Bairrada, apresentou quatro novas colheitas (harmonizados com os pratos servidos) a um grupo de 60 convidados.

Kompassus, novo projeto voltado para a gama alta. Olhando para os 25 anos passados, fez um balanço extremamente positivo do percurso como produtor, sendo considerado uma das maiores referências da região. Foi com a Quinta de Baixo, na Cordinhã, que se lançou com alguns dos vinhos mais notáveis que a região já produziu. Agora, no novo projeto que batizou de Kompassus, trabalha apenas com vinhos de gama alta e de uma qualidade difícil de igualar.
O nome, como explicou, está associado ao compasso da vinha mais apertado. Daqui resulta uma maior competitividade entre plantas, uma produção mais controlada, logo qualitativamente superior.
À paixão de João Póvoa pelo seu terroir, juntou-se a mestria e o visionarismo de Anselmo Mendes, que resulta numa parceria única que dá já bons frutos, como são os casos do Kompassus Verdelho 2014, Kompassus Alvarinho 2014 e o Kompassus Private Collection 2014.

Olhar dececionado sobre a Bairrada. Na Curia, no entanto, não deixou de mostrar alguma deceção por se continuar a ter uma “Bairrada um pouco esquecida do público em geral, um pouco maltratada”, assim como lamentou que o poder autárquico continue a não olhar para a região com a devida e merecida atenção: “temos uma paisagem vitícola que não é preservada. Temos vinha ao lado de plantações de eucaliptos, temos vinha e ao lado caminhos atulhados de todo o tipo de lixo e resíduos. Há uma enorme falta de higiene ambiental que é preciso melhorar”, diz, explicando que esta paisagem vitícola (que também vende) tem sido vítima de desleixo.

Falta organização e reestruturação. Em dia de festa, o produtor João Póvoa avançou ao nosso jornal que gostaria que a região fosse, hoje, o porta-estandarte das marcas. “Falta-lhe organização, reestruturação dos terrenos, cuidado e profissionalismo na viticultura e na parte paisagística da região”. Ainda que admita que a Bairrada tem melhorado muito à custa do trabalho enológico e da tecnologia, refere que ao nível da vitivinicultura se continua a trabalhar muito mal, salvo uma dúzia de produtores.
“Estamos, hoje, no dia 1 de outubro e (embora afastado das vinhas, por 15 dias, por razões de saúde) foi com muita pena que reparei que na minha região (triângulo entre a Cordinhã, Ourentã e Póvoa da Lomba) 95% das uvas já tinham sido vindimadas quando só agora elas estão a começar a ficar no ponto. Nós, por exemplo, ainda não fizemos tinto nenhum. Acabámos ontem os brancos”. Com esta consideração exemplifica como se continua a trabalhar mal; a vindimar a casta Baga (que é tardia) de uma forma precoce.

Bairrada é uma região para brancos. Com duas décadas e meia como produtor, sublinha que a Bairrada é uma região de excelência para a produção de brancos. “Sempre fui mais virado para brancos do que para tintos. Só não fazia brancos porque na época, a Bairrada, se já não era bem vista nos tintos, pior era vista nos brancos”, recorda, realçando ter recomeçado com a produção de brancos com o projeto Kompassus.
“A minha grande  paixão são os brancos, mas faço tintos por uma questão genética  – o meu pai fazia grandes tintos que vendia para o Bussaco. Faço tintos porque gosto imenso de trabalhar a casta Baga: em tinto e espumante.”
Com cerca de 12 hectares entre vinha própria e arrendada, o projeto Kompassus nasceu para fazer vinhos da gama alta, mas também vinhos da gama de entrada, mas de qualidade.
Quanto ao futuro diz ser “amanhã”, mas que sendo um perfecionista por natureza, quer fazer sempre mais e melhor, “ainda que com muita mágoa deste país, muita desilusão relativamente à legislação laboral, aos impostos, à parte burocrática dos organismos ditos reguladores”.

Baga 1991 – coleção privada

O vinho Baga 1991 Coleção Privada é produzido exclusivamente com a casta Baga. Faz parte de um lote de vinho exclusivo em que apenas restam para a memória e lembrança dos apreciadores mais apaixonados, cerca de duas centenas de garrafas.
Neste célebre acontecimento, foi anunciado o lançamento para o mercado de apenas 30 exemplares, numerados e assinados pelo próprio João Póvoa.
“É um vinho que mostra que, na altura, um jovem médico (oftalmologista), conseguiu fazer um vinho que pessoas que andam aqui no mercado há décadas nunca fizeram. Ou pessoas que estão no mercado atualmente e acham que fazem os melhores vinhos do mundo não fazem. Aliás, desafio-os a daqui a 15 anos porem um vinho deles à prova com este.”
A par deste grande lançamento, foram igualmente divulgadas e dados à prova outras novidades recentemente colocadas no mercado, como é o caso do Kompassus Reserva Branco 2013, o Eskuadro e Kompassu Branco 2015, os Espumantes Kompassus Blanc de Noirs 2013 e Eskuadro e Kompassu Espumante 2014, além destes as garrafas Magnum de 1.5lt dos vinhos Kompassus Private Collection 2009 e Kompassus Espumante Rosé 2011.

Catarina Cerca
catarina.i.cerca@jb.pt