Litério Marques, um dos fundadores do MIAP, que venceu as últimas eleições autárquicas em Anadia, vai abandonar o movimento, considerando mesmo que a sua existência “já não faz sentido”. Esta decisão surge após “as críticas” feitas na sua ausência, “na última Assembleia Municipal”.
O criador do Movimento Independente Anadia Primeiro sublinha ter “plena consciência” de que foi “o principal responsável pelo desaire do PSD nas últimas eleições autárquicas” e “portanto penso ser legítimo assumir esse facto e pedir desculpa a todos aqueles que me seguiram votando MIAP”. Litério Marques vai mesmo mais longe, considerando que “a partir de agora este movimento não tem razão de ser”, pois “o MIAP foi de Litério Marques”.
O atual vereador afirmou ao JB ter percebido que o “seu” projeto “nunca teria sucesso a partir do momento que foi e continua assumido o compromisso com o PS e com os derrotados nas últimas eleições para a Comissão Política do PSD”. “Como toda a gente sabe, a maior parte dos nossos votantes vieram do PSD e do CDS, logo qualquer aliança devia aproximar-se dos partidos de onde, na lógica, esses votantes eram oriundos; o que, na realidade, não se verificou.”
Mas, continua Litério Marques, “foi-se mais longe – alguns autarcas do PSD cedo perceberam que a melhor forma de vencer o adversário era «aliar-se» ao MIAP. E assim fizeram – Vereador, Deputados e até Presidentes de Junta, esquecendo o partido que lhes proporcionou a sua eleição passaram a apoiar aqueles com quem se confrontaram nas últimas eleições autárquicas onde foram vencidos.”
Litério Marques considera, no entanto, que este não é o momento certo para revelar “as grandes razões desta atitude” e que o fará “em momento menos emocional”.
Diz, contudo, que o seu abandono do MIAP “é também uma resposta aos tais eleitos do PSD que em eleições para a concelhia, como disse, perderam e, portanto, não têm qualquer legitimidade para representar o PSD e então, para esses, seria de bom-tom também pedirem a exclusão do partido. Não o fazem – por razões que toda a gente atenta percebe, mas essa lista policromática não vai ter lugar para todos.”
Esta decisão, avança, “deveria abrir caminho à integração dos militantes do PSD que estão suspensos, caso os mesmos assim o entendam”. Da sua parte, afiança que tudo fará “para que no PSD acabe esta guerra de lugares” e deixa um apelo aos atuais dirigentes concelhios: “que saibam procurar nos seus militantes e simpatizantes as pessoas certas para elaborar um projeto credível e sério para Anadia”.
Teresa Cardoso garante que dará continuidade ao MIAP. Contactada pelo JB, a presidente da Câmara Municipal de Anadia, Teresa Cardoso, admitiu desconhecer a decisão do vereador Litério Marques, mas assegurou que vai dar continuidade ao movimento, pelo qual, aliás, já assumiu ser a candidata às próximas autárquicas. “Se eu dei a cara pelo MIAP desde o princípio, vou continuar a dar. Não só por mim, mas por todas as pessoas que acreditam e que estão cada vez mais empenhadas nesta causa.” Teresa Cardoso contraria mesmo Litério Marques, considerando que o MIAP “faz cada vez mais sentido”.
Questionada sobre se mantém a confiança no vereador e se encara a possibilidade de lhe retirar os pelouros, Teresa Cardoso diz que a confiança “é relativa, pois há muito tempo que o sr. Vereador toma posições com pouca ou mesmo nenhuma coerência com o Movimento e demonstrando até falta de lealdade, ao contrário da que eu mantive para com ele, durante os cerca de 20 anos em que trabalhámos juntos na autarquia.” Por isso, “se de facto o sr. vereador entende que não mantém confiança no MIAP e incita até elementos do executivo a abandonar as próprias funções, talvez devesse ele próprio colocar o seu lugar à disposição. Essa devia ser a primeira coisa a fazer, uma vez que não se identifica com o projeto do MIAP.”
Relativamente às críticas feitas a Litério Marques, na última Assembleia Municipal (na sua ausência) e ao facto de ninguém o defender, Teresa Cardoso afirma que “quem se manifestou foram os deputados municipais”. “Se não houve nenhum elemento, de nenhuma bancada, a apresentar o contraditório, foi porque não o quiseram.”
Oriana Pataco