Uma nova viatura com capacidade para transportar cadeiras de rodas e a renovação de vários equipamentos (ao nível da lavandaria e cozinha) estão na linha das prioridades do Centro de Apoio Social (CAS) de Vila Nova de Monsarros.
Sobre o primeiro ano de mandato e relativamente aos projetos para 2017, JB conversou com António Duarte, presidente da direção, que fez um balanço muito positivo, na medida em que conta com o apoio e empenho de um grupo unido e coeso que, de forma desinteressada, está determinado em engrandecer e fazer crescer esta jovem instituição.
Com apenas sete anos, a vida do CAS, como se costuma dizer, dava um filme, tal a quantidade de obstáculos e dificuldades que tem atravessado. Graças ao empenho e perseverança da direção, bem como de todos os que trabalham diariamente na instituição, a situação financeira – uma das maiores dores de cabeça dos últimos anos – foi aliviada. Uma gestão rigorosa, mas também a ajuda vinda do Fundo de Socorro da Segurança Social, permitiram diminuir em cerca de 2 mil euros mensais as prestações à banca. Com três empréstimos bancários, dois realizados aquando da construção e um mais recentemente, os encargos mensais à banca ultrapassavam os 4 mil euros.
Numa casa que presta assistência a cerca de uma centena de utentes, distribuídos por Creche, Centro de Atividades de Tempos Livres, Componente de Apoio à Família, Centro de Dia e Apoio Domiciliário e onde trabalham 20 colaboradores, a situação era muito difícil: “neste momento, só devemos 45 mil euros à banca e 18 mil aos sócios”, avançou António Duarte que realça o facto de todos os diretores terem sido avalistas nos empréstimos bancários. Com esta melhoria financeira, diz ser expectável que, quem vier a seguir (daqui a três anos) encontrará uma casa sem dívidas.

Iniciativas eventos vários. Por isso, a instituição vai-se desdobrando em iniciativas e eventos da mais variada índole por forma a angariar fundos para o seu bom funcionamento. O Cantar dos Reis, porta a porta; organização de uma caminhada solidária, prova de Todo-o-Terreno, Passeio de Motorizadas; participação na Feira da Vinha e do Vinho e na Feira Medieval são apenas alguns dos exemplos, estando ainda previsto, para abril de 2017, a organização de um novo evento, desta feita gastronómico, também com o mesmo objetivo.
Daí a necessidade da instituição recorrer a todos estes eventos e ainda à venda de lembranças e miminhos, realizados pelos utentes e amigos do centro, que são garantia de uma receita anual de cerca de 35 mil euros, para fazer face às necessidades que não param de surgir.

Nova viatura. “Numa instituição com sete anos de atividade, precisamos urgentemente de adquirir uma viatura de nove lugares, capaz de transportar cadeiras de rodas”, avançou. Um veículo cujo custo aproximado de 50 mil euros vai exigir mais um esforço acrescido da parte de todos. “Estamos, por isso, a organizar a realização, a 4 de fevereiro de 2017, de um jantar de angariação de fundos.” Uma vez mais, a população é convidada a colaborar, estando António Duarte certo de que a instituição poderá continuar a contar, como sempre, com a generosidade, reconhecimento e amizade da população que, ao longo dos anos, “tem sido incansável”.
Mais uma vez, a instituição espera contar com a colaboração da Câmara Municipal de Anadia, da Junta de Freguesia local e da Segurança Social para que o sonho da aquisição da viatura não seja tão penosa para o CAS e se concretize.
Para já, foi adiada a construção do Lar, uma vez que o projeto, por duas vezes, não foi contemplado com o imprescindível apoio dos fundos comunitários. Daí que seja prioritário, face à atual situação da instituição, a ampliação da capacidade de Centro de Dia e do Serviço de Apoio Domiciliário, respostas sociais com a capacidade lotada, o que canaliza o encaminhamento para outras instituições. Uma ampliação que poderá ter de passar por algumas obras de adaptação das infraestruturas atuais, que são sempre mais fáceis de concretizar.
Mas, no imediato e paralelamente com a viatura, está a necessidade de renovar equipamentos (cozinha e lavandaria), que começam a acusar o peso dos anos e o desgaste inerente a uma utilização intensiva. Por outro lado, António Duarte reconhece que, ao nível da eficiência energética, muito também há a fazer.
Numa freguesia envelhecida e pobre, que tem apenas seis lugares, estes são os apoios prioritários a prestar junto da população idosa. António Duarte não deixa de sublinhar a generosidade e apoio das gentes da freguesia que, não podendo contribuir com dinheiro, apoia com géneros a instituição: batatas, fruta e muita hortaliça, que ajudam a encher a despensa do CAS. Uma outra forma de contribuir e ser solidário.
E falando de solidariedade e generosidade, recordou com alguma emoção as ajudas de dois grandes amigos e benfeitores: Francisco Porto, falecido recentemente, que entre outras ajudas, ofereceu todo o tijolo usado na construção do CAS, e Manuel Campos Dias, que deixou todos os seus bens à instituição.
A finalizar, o presidente, em nome da direção, agradece todo o apoio ao CAS, desejando uma quadra festiva excecional para todos, recordando que a finalidade de uma IPSS é garantir o bem estar e a resolução dos problemas das pessoas, na medida em que “todas as outras instituições tremendamente importantes na sociedade são opções de vida”.
Catarina Cerca