Os dados mais recentes relativos à violência doméstica no concelho de Anadia no ano de 2018 são preocupantes. Quem o avança é a enfermeira Silvana Marques, coordenadora da UCC (Unidade de Cuidados na Comunidade) de Anadia.
No ano passado, a UCC acompanhou 42 casos de violência doméstica no concelho, dos quais 32 foram novos casos. “Mas estes, são os que necessitaram de intervenção da Saúde, pois haverá muitos mais que desconhecemos e terão sido só denunciados à GNR, ou então desconhecidos de todos porque sabemos que a violência doméstica ainda se fecha entre quatro paredes e do núcleo familiar só chega o que a família quiser”, alerta Silvana Marques para uma problemática que está a mudar de perfil no concelho.
Tipologias estão a mudar. Ainda que se tenha registado uma redução de 16 casos relativamente a 2017 (ano que registou 58 casos), a enfermeira Silvana Marques sublinha que “o crime é mais violento”, ou seja, as “mulheres vítimas de crimes sexuais e muito maltratadas fisicamente têm vindo a aumentar”.
Os dados recolhidos e que vão ser revelados em plenário da Rede Social de Anadia, mostram uma tendência alarmante: “o crime de violência doméstica está a assumir um perfil um pouco diferente do habitual tanto para a vítima, como ao nível do agressor”. Ou seja, para a coordenadora da UCC Anadia é já possível constatar que “o agressor (geralmente marido ou companheiro) é cada vez mais jovem.
“Até aqui, o crime de violência doméstica era essencialmente cometido por homens acima dos 55 anos, agora estamos abaixo dessa idade. Por outro lado, a vítima, que em 2016 era mulher, tinha em média 38 anos, hoje está acima dos 40 anos. Uma mudança do perfil registada também ao nível da própria violência em si, mais violenta”.
 
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