Tal como aconteceu no ano passado, a última etapa do 40.º Grande Prémio ABIMOTA assistiu à mudança do camisola amarela. António Angulo, da equipa Efapel, vestiu-a em duas etapas, mas acabou por ceder, sendo relegado para a segunda posição. Gotzon Martin, da formação Euskadi, que partiu para a última tirada que ligou Anadia a Águeda (ganha por Pedro Andrade – Vito-Feirense -PNB), a 16 segundos do seu compatriota, foi segundo na Av. 25 de Abril, que lhe valeu festejar o triunfo à geral individual.
A equipa da Vito-Feirense-PNB venceu a classificação geral coletiva, tendo  Antonio Angulo, da mesma equipa, ganho a geral dos pontos. Patrick Videira (Fortunna-Maia) foi coroado rei da montanha, as metas-volantes foram prémio para David de La Fuente (Aviludo-Louletano), a geral da Juventude foi para Jorge Magalhães (W52-FC Porto), a geral Autarquias foi para Rafael Lourenço (Oliveirense-Inout) e a camisola bolinhas ficou com David Ribeiro (LA – Alumínios). O melhor corredor de equipa de clube foi Daniel Tello (Kuota).
Etapas
Aquela que é a segunda prova mais antiga do calendário velocipédico nacional no que toca a etapas, a 40.ª edição do Grande Prémio ABIMOTA foi vivida com grande intensidade por todos os corredores durante quatro dias. Estiveram presentes 18 equipas e um total de 120 ciclistas (terminaram 94), onde foram pedalados 537,9 quilómetros distribuídos por quatro etapas.
E do vasto pelotão faltaram alguns nomes sonantes, como por exemplo Gustavo Veloso, Edgar Pinto, Ricardo Mestre, Rafael Reis e Joaquim Silva (W52-FC Porto); Joni Brandão, Sérgio Paulinho e Henrique Casimiro (Efapel); Vicente de Mateos (Aviludo-Louletano); Alejandro Marque (Sporting-Tavira), e outros ao serviço da Seleção Nacional nos Jogos Europeus.
Estas ausências, sem qualquer responsabilidade da organização (voltou a estar num nível bastante alto), acabaram por não tirar brilho ao 40.º Grande Prémio ABIMOTA, pois houve bastante competitividade e incerteza até ao último segundo quanto ao vencedor da prova.
A competição iniciou-se a alta velocidade com um contrarrelógio por equipas. Num circuito a duas voltas na distância de 7,8 quilómetros em redor do Campo Grande e Campo Pequeno, a W52 – FC Porto foi a equipa mais forte, com o seu bloco a imprimir um ritmo diabólico, mostrando, nesta fase da temporada, ser melhor do que a concorrência.
Raul Alarcon vestiu a camisola amarela, num crono onde há a realçar a excelente prestação da equipa espanhola Euskadi, que mais tarde viria a confirmar-se.
A primeira etapa em linha foi disputada entre Ourém e Mortágua na distância de 170,3 quilómetros.
Com 118 corredores, a etapa foi dominada no início por um grupo de sete ciclistas que, apesar dos cerca de quatro minutos para o pelotão, nunca conseguiram uma estabilidade sólida na dianteira, com a Euskadi a controlar todos os movimentos.
Houve mais tentativas de fuga que foram sempre anuladas à medida que o pelotão se aproximava da meta. Nos últimos quilómetros, os homens da W52-FC Porto lançaram o ataque, sem efeitos práticos, e a chegada a Mortágua foi disputada ao sprint, com Óscar Pelegri (Vito-Feirense-PNB), a 100 metros da meta, a ser mais forte sobre Antonio Angulo (Efapel) que, face às bonificações, arrebatou a camisola amarela, numa etapa presenciada por muito público nas duas passagens pela meta.
A 3.ª etapa, foi a mais longa (185,3kms), entre Almeida e Vouzela, e com três contagens de montanha de 3.ª categoria. Face às várias desistências, alinharam à partida 111 ciclistas e 14 dos quais isolaram-se nos primeiros quilómetros. Outros ciclistas tentaram a sua sorte, um dos quais o camisola amarela. Antonio Angulo isolou-se na cabeça do pelotão; a 60kms da meta não se livrou de uma queda, e tudo voltou à estaca zero nos últimos dez quilómetros. E mesmo com um grupo constituído por mais de 30 corredores, o espanhol da Efapel, num momento de grande perseverança e querer, acabou por ganhar ao sprint e reforçar a posição de liderança.
Estava tudo em aberto para a última etapa entre Anadia e Águeda (174,5km), pois a W52-FC Porto tinha quatro corredores nos cinco primeiros e era a grande candidata à vitória final individual e coletiva. Assim não aconteceu, para surpresa geral.
Disputada com chuva e vento, o pelotão rolou a alta velocidade na primeira hora de prova, houve fugas até que vieram as dificuldades montanhosas com passagens por Sever do Vouga e Talhadas. A cerca de 20kms da meta, Raul Alarcon (W52-FC Porto), que vinha na fuga com mais três elementos, acabaria por sofrer uma queda (fraturou a clavícula esquerda). Os últimos quilómetros foram intensos, com o triunfo a pertencer a Pedro Andrade (Vito-Feirense-PNB), filho do diretor desportivo da equipa da Feira e neto de Joaquim Andrade, que venceu a Volta a Portugal em 1969 pelo Sangalhos.
Gotzon Martin foi segundo, ganhou tempo a Antonio Angulo e inscreveu pela primeira vez o seu nome no Grande Prémio ABIMOTA.
“Ainda me custa a acreditar, mas quando estava em fuga sabia que podia acontecer. Nunca baixei os braços e acabei por ganhar”, disse o corredor basco, que celebrou o seu primeiro título como profissional.
 
Balanço
João Miranda, presidente da direção da ABIMOTA, na hora do balanço, afirmou que “foi bastante positivo, com mais gente na estrada e interessada pelo ciclismo”, o que na sua opinião trouxe mais visibilidade ao Grande Prémio, realçando ainda o papel das autarquias e dos patrocinadores para o êxito da prova.
João Miranda, para o próximo ano, “vamos tentar que o Grande Prémio seja ainda mais visível e que continue a ser uma das principais provas a nível nacional”.
Vital Almeida, diretor da prova, também era um homem feliz e com a missão do dever cumprido. “O balanço é positivo, houve competição até ao fim, o que foi importante. Para alguns, a última etapa era relativamente fácil e, apesar de médias altas, que chegou a atingir 46km/h, tornou-se, a exemplo das outras, uma etapa difícil, e no fim muitos ciclistas pagaram pela ousadia, cuja parte final era complicada, com subidas e descidas. Ganhou o melhor.”
Sobre a ausência, uma vez mais, de alguns nomes sonantes do pelotão nacional, Vital Almeida disse: “Faz parte do ciclismo e é uma situação para a qual temos de estar preparados. Os diretores desportivos fazem as suas escolhas, veja-se o caso do Raul Alarcon, que esteve presente para ganhar forma para a Volta a Portugal e sofreu uma queda que o vai obrigar a parar um mês. São percalços que acontecem no ciclismo.”
O diretor da prova comentou que houve algumas modificações na organização, o que trouxe mais pessoas e, pensando já em 2020, “há câmaras municipais interessadas e o objetivo passa sempre por fazermos o melhor possível e dignificar a ABIMOTA”.