Aproveitando a presença de D. Ximenes Belo em Vagos, onde concelebrou (no Santuário da Senhora de Vagos) com o bispo diocesano, D. António Moiteiro, na peregrinação anual, o município condecorou, com mérito municipal, o Prémio Nobel da Paz timorense.
Trata-se de uma “figura incontornável da história da humanidade e da portugalidade”, justificou o presidente da câmara, que na sua intervenção fez questão de recordar a “luta” do povo de Timor, que continua a preservar a língua portuguesa. “Um povo humilde e trabalhador, que sempre reconheceu o envolvimento que D. Ximenes teve, pela independência e pelo estado de paz que ainda hoje existem em Timor”, sublinhou Silvério Regalado.
Na resposta, o bispo emérito de Díli agradeceu o “contínuo apoio e solidariedade” para com o povo de Timor-Leste, e reconheceu que foram tempos difíceis que os timorenses viveram. “Lutámos, chorámos e sofremos, muitos dos nossos jovens foram torturados nas prisões, muitas mulheres foram violadas, e muitos guerrilheiros desapareceram”, vincou Carlos Ximenes Belo, para quem, apesar da independência ter sido reconhecida, pelas Nações Unidas, “ainda temos muito que andar”. No decorrer da sua intervenção, o prelado timorense desafiou, ainda, os jovens presentes a respeitarem a dignidade humana. “Só respeitando é que podemos ser respeitados pelos outros”, referiu, a terminar.

Outras distinções

No decorrer da cerimónia, foi ainda homenageado o Bispo de Aveiro. Surpreendido pela distinção, D. António Moiteiro dedicou o galardão recebido a todos quantos procuram “cuidar da casa comum”, do mundo que “vive os valores do Evangelho, e onde se realça a justiça, o bem-estar e o amor ao próximo”. Destaque, ainda, para os diplomas de mérito atribuídos ao município de Cantanhede, e às confrarias gastronómicas As Sainhas (Vagos), Sabores da Abóbora (Soza), Sabores da Fava (Fonte de Angeão) e Rojões da Bairrada com Grelo e Batata à Racha (Bairrada).
Mantendo a tradição, em dia de feriado municipal, foram igualmente distinguidos os melhores alunos (125 no total) pertencentes ao Agrupamento de Escolas de Vagos, Colégio de Calvão e Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural (EPADR).

Eduardo Jaques/Colaborador