A Câmara de Águeda ofereceu, esta semana, 300 máscaras adaptadas a pessoas surdas à Associação Cultural dos Surdos de Águeda (ACSA), num momento simbólico que decorreu no salão nobre da autarquia.

A máscara é certificada e está dotada de uma área frontal transparente, o que permite a leitura labial. Esta é uma característica importante e determinante para a comunidade surda, tanto para entender as pessoas ouvintes como para comunicar entre surdos, uma vez que na língua gestual o uso da boca para determinadas expressões é fundamental.

Edson Santos, vice-presidente da Câmara de Águeda, salientou que esta máscara “é um passo importante para uma sociedade cada vez mais inclusiva, ao qual a Autarquia não poderia ficar indiferente”. Com esta oferta, é possível apoiar as pessoas com deficiência auditiva da região, cabendo à ACSA a sua distribuição onde definirem por mais premente.

Entretanto, para além desta entrega, a Câmara de Águeda vai dotar os serviços camarários com estas máscaras, como por exemplo o GAM (Gabinete de Atendimento ao Munícipe), para ser usado pelo funcionário sempre que um cidadão surdo a eles recorra.

No momento da entrega, estiveram presentes representantes da Direção da ACSA, da comunidade de surdos e de intérpretes. “Esta oferta vem corresponder a uma necessidade muito grande, para além de ser uma medida de inclusão”, referiu António Gomes, secretário da Direção da ACSA, agradecendo o “relevante e extremamente importante gesto” da Câmara de Águeda.

“Não temos ouvidos e agora taparam-nos a boca”, disse a representante da comunidade surda, alertando que a pandemia da Covid-19 veio alterar o paradigma de comunicação destes cidadãos, acentuando as dificuldades já existentes. “Se já antes era difícil comunicar com as pessoas não surdas, agora com a máscara ficou impossível”, frisaram, acrescentando que a máscara tornou-se mais uma barreira que distancia e discrimina esta comunidade.

Deste modo, a máscara com viseira labial permite reduzir os obstáculos de comunicação que esta comunidade sente normalmente no seu dia-a-dia, quando precisa de recorrer a qualquer serviço público ou privado. “Agora a comunicação vai ser mais facilitada”, disse a representante dos surdos, sublinhando que, desta forma, não se sentem “tão discriminados” e ficam “ao mesmo nível do ouvinte”.

António Gomes explicou que estas máscaras vão ser, agora, distribuídas nos locais onde “é mais útil aos surdos, onde é necessária a leitura labial”, dotando de máscaras alguns serviços, como correios, finanças, segurança social, farmácia ou hospital, entre outros.

A ACSA fará acompanhar a oferta de máscara de uma carta da direção, onde explicam a dificuldade no acesso à comunicação da comunidade surda com os ouvintes, pedindo que sempre que sejam abordados por uma pessoa surda, seja colocada a máscara oferecida pela Câmara de Águeda.

Refira-se que a ACSA é a única associação de surdos da região de Aveiro, tendo 283 sócios, dos distritos de Aveiro, Viseu e Coimbra.