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Anadia // Sociedade  

Exposição revela memórias de 12 habitantes da Curia

A mostra, patente no Posto de Turismo e que reúne 12 retratos de habitantes da Curia, surge pela mão da renascida ADECURIA. Retratos que falam com o visitante, contam histórias e dão a conhecer memórias de uma Curia vivida por quem dela faz parte

Intitulada “Já não há flores”, a exposição integra 12 retratos de habitantes da Curia. Inaugurada na tarde do penúltimo domingo, dia 25 de outubro, no Posto de Turismo da Curia, esta mostra, que irá estar patente ao público até ao dia 15 de dezembro, dá a conhecer alguns dos rostos que ao longo de várias décadas acompanharam as mudanças na Curia.

Homens e mulheres que trabalharam nos hóteis, nas pensões, no Parque das Termas, nas lojas e nos cafés de uma Curia que pulsava movimento e glamour.

“Cada fotografia é, assim, mais do que um retrato. É um fragmento de uma história, de uma experiência e de uma relação com a Curia.

Juntas, estas imagens constroem um lugar feito de muitas histórias”, lê-se na folha de sala da exposição que assinalou ainda a reativação da ADECURIA, que há mais de 15 anos se encontrava inativa.

Valorizar a identidade local

Foi num tom emocionado que Joana Saavedra, presidente da ADECURIA, começou por agradecer a presença de tantas pessoas naquela tarde, especialmente os fotografados, pela genorosidade na partilha “não só da vossa imagem, mas também das vossas memórias”.

“Este é apenas o início de um projeto maior”, acrescentou, já que a ADECURIA (que na manhã daquele dia, em Assembleia-geral elegera os novos corpos sociais) quer voltar a ser “um espaço aberto, de participação e colaboração, que contribua para valorizar o património e a identidade da Curia, mas também para pensar e construir o seu futuro”.

Um trabalho que pretendem realizar “em conjunto com a comunidade, com as instituições, as empresas e as entidades públicas”, avançou Joana Saavedra, convicta de que só assim será possível “chegar mais longe”.

Como explicou, a ADECURIA defende a necessidade de preservar o passado e o património, mas também olhar para o futuro com outros olhos e trabalhar com a inovação para também atrair novos públicos para a Curia.

A mostra surge em parceria com a SUNO – Movimento pela Imagem, com a qual a ADECURIA tem vindo a desenvolver várias atividades ao longo dos últimos meses, nomeadamente dois workshops e três dias de sessão fotográfica.

Também Susana Jesus, da SUNO, não ficou indiferente à presença de tantas pessoas, sobretudo dos fofografados. “A maioria das pessoas fotografadas estão cá hoje e isso deixa-nos muito felizes”, vincou, dando ainda a nota de que este trabalho resulta de um apoio proveniente da CCDR Centro, sendo esta a terceira etapa de um projeto intitulado “Lugar aberto – Curia” que começou com dois workshops de fotografia, já que a SUNO, com sede em Ílhavo, desenvolve projetos com a comunidade ligados à fotografias experimental e processos alternativos, ligados ao analógico. “Tentamos que as pessoas se desliguem um bocadinho dos ecrãs, e optem por trabalhos mais manuais, mais artesanais”, explicou.

Quanto à exposição, revelou que a escolha recaiu em fotografias tiradas com uma máquina média, em película 120 mm, a preto e branco, tendo todas as impressões sido realizadas em laboratório, a preto e branco.

Presente na inauguração, a vereadora anadiense, Cristina Azevedo também se referiu à moldura humana presente no Posto de Turismo: “É um enorme gosto ter a casa cheia e acredito que quem nos visita também terá gosto em conhecer estes rostos que fazem parte da história da Curia”, frisou ainda, sublinhando o trabalho já desenvolvido pela autarquia para que este espaço “pudesse também ser da comunidade e para quem nos visita pudesse conhecer um bocadinho melhor o que era a Curia”.

A vereadora recordou ainda que a exposição anterior, inaugurada em agosto, voltará a 15 de dezembro.

A terminar, o edil Jorge Sampaio, agradado com o renascimento da ADECURIA, que acredita será “um importante parceiro”, não deixou de destacar o facto de ser “um grupo jovem, cheio de força e de vontade que veio fazer renascer a associação”, com a qual a autarquia quer dialogar para “construirmos o futuro da Curia”.

Construir o futuro

Ciente de que a estância termal já teve tempos “grandiosos”, vincou que esta também já teve tempos menos bons: “estamos a trabalhar para que isto mude”, disse, referindo-se ao processo de diálogo iniciado em janeiro com os vários agentes da Curia, sobretudo com o Parque das Termas e outras estruturas que o Município quer fazer renascer.

“Estamos também a trabalhar na questão do campo de golfe com a administradora da insolvência e penso que brevemente teremos boas novidades”. Contactos, disse, para que “a Curia volte a ser um marco na nossa região centro e no nosso país”.

Defendendo que a mostra “honra quem fez a história da Curia”, o autarca vincou a importância de “quando estamos a preparar o futuro, não esqueçamos o passado, quem construiu o presente, pois só assim poderemos consolidar a construção do futuro”, avançou, deixando um repto à ADECURIA: “Falta aqui muita gente, mas sei que vamos ter essa gente aqui fotografada no futuro”.

Na mesma linha, deixou igualmente um apelo a todos e a cada um dos presentes para que o trabalho de revitalização da Curia seja feito “com todos”.