Armor Pires Mota
Escritor

O caso do menino da EB2.3 de Mirandela, que, não suportando mais violência física e ameaças, se atirou ao rio, é o paradigma (triste) do ensino que temos: permissivo, (nada exigente para os alunos, demasiado cabotino e desencorajador para os professores), anedótico, viciado, sem o sal de toda a educação – a ordem e a disciplina, afinal, uma certa hierarquia e autoridade que têm vindo a ser minadas pelos ministérios tutelares, que só trabalham para as estatísticas, que obrigam a passar quem deveria chumbar, que querem fazer de burrinhos futuros frustes doutores.

A violência é o pão de cada dia em muitas escolas, assim se forjam gangues. Os professores (e auxiliares) têm medo de uma simples repreensão. Falta-lhes a força: têm vindo sistematicamente a ser desautorizados. Têm de fechar os olhos e os ouvidos. Se o não o fizerem, sobram-lhes problemas. Isto é o reflexo da violência e educação na família, de uma sociedade que não respeita valores. Em 2008, foram registados 160 inquéritos. Muitos mais ficaram por fazer. Há casos silenciados, denúncias por fazer, dores e marcas por exibir. É o medo de pior. Agora, outro inquérito. Irá valer alguma coisa?

O PGR defende legislação para o bullying, mas ninguém defende que a escola tem de ser um local de respeito e de trabalho, de todos os actores, de ordem e disciplina, factores essenciais à formação dos jovens. Esta mole e pervertida educação, (com os filhos a mandar hoje nos pais), é preocupante. Sem o regresso da autoridade à escola, não há ministra que preste, educação que valha. Não basta apaziguar, com rebuçados, os professores. É necessário igualizar por cima, restituir a disciplina, a autoridade. Sem isso, estamos feitos. No futuro, vai aumentar o número dos pais a levar tareia dos filhos.

Armor Pires Mota