Confrontada com um pedido de apoio financeiro, por parte do GARVA – Grupo de Alcoólicos Recuperados de Vagos, a autarquia vaguense decidiu, antes de se pronunciar, pedir “esclarecimentos adicionais” à referida associação, nomeadamente para saber se esta se encontra legalmente constituída.
Justificando as diligências, o presidente da Câmara de Vagos considerou que qualquer associação de interesse social “deve ser tratada como todas as outras”. E, pelos vistos, falta alguma documentação, incluindo plano de actividades e orçamento para o corrente ano, inscrição nos serviços de Finanças de Vagos, e uma declaração de inexistência de dívidas ao Estado, às Finanças e à Segurança Social.
Refira-se que o pedido de apoio foi assinado por um grupo de alegados “dirigentes”, dos quais faz parte Mário Soares, ex-presidente do Centro de Alcoólicos Recuperados do Distrito de Aveiro (CARDA). Esta instituição, que mantém a sua sede no edifício João Grave, deixou entretanto de exercer actividade em Vagos, depois daquele dirigente ter sido envolvido num processo judicial.
Na carta remetida ao presidente da Câmara de Vagos, assinada por Mário Soares, na qualidade de presidente da assembleia-geral, e publicitada num jornal diário, o GARVA queixa-se das condições logísticas e financeiras, que diz serem “muito reduzidas ou quase nulas”.
E alerta para o facto do orçamento camarário, para o corrente ano, não contemplar “de maneira alguma” a instituição. Apesar de, conforme é referido, “em devido tempo e a pedido da autarquia termos feito chegar aos vossos serviços toda a documentação necessária para a atribuição de um subsídio e de condições logísticas”.
O pedido vai ser reavaliado em próxima reunião de Câmara, mas o vereador Mário Martins (Vagos Primeiro) já fez saber que o pedido é relevante, e que a Câmara “deve olhar com atenção para os problemas do alcoolismo no concelho”.
E se o GARVA não estiver, de facto, legalmente constituído? O vereador da oposição, que diz saber que a associação tem obtido “bons resultados”, entende que a autarquia “não deve deixar de dar apoio, que o mesmo necessita para fazer o seu trabalho, procurando que a situação de legalidade se resolva”.

Eduardo Jaques/Colaborador