A Associação Empresarial de Águeda (AEA) considera, em carta enviada ao primeiro-ministro, “abusivo o aumento do preço do gás natural”.
Ricardo Abrantes, presidente da AEA, diz que “com estes aumentos não há competitividade internacional que resista, estando em causa a sobrevivência de milhares de PME nacionais e, consequentemente, o aumento do desemprego”.
Na missiva enviada ao primeiro-ministro, José Sócrates, o presidente da AEA manifesta “repúdio pelos aumentos superiores a 50% verificados desde 1 de Janeiro do corrente ano. Até 30 de Junho de 2010, as tarifas do gás natural aumentaram mais de 18%, em Julho passado cerca de 15% mais e, em Agosto, mais 17%. Quer isto dizer que as empresas estão a pagar 50% mais caro o gás natural comparativamente a Janeiro de 2010”.
Garante que “a situação é inconcebível e as empresas não conseguem suportar estas subidas contínuas, até porque nada justifica um aumento de 50% em apenas 8 meses”. “Aliás, analisados os indexantes da fórmula do preço do gás natural, constatamos que a evolução de tais indexantes não justificam o aumento verificado de 50%”, acrescenta.

Aumentos. Miguel Roques, administrador da Porcel, em Oliveira do Bairro, uma das muitas empresas prejudicadas pelo aumento, refere, em ofício enviado à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que “as novas tarifas de acesso às redes de gás natural originaram um súbito aumento de custos que têm como efeito imediato uma diminuição da nossa competitividade”.
Miguel Roque afirma que “o governo faz um apelo às empresas para exportarem e a ERSE, com esta medida de secretaria, provoca um efeito no sentido contrário, diminuindo a capacidade competitiva dessas mesmas empresas exportadoras”.

Competitividade. Duarte Garcia, presidente da direcção da Associação Portuguesa da Indústria de Cerâmica (APICER), esclarece que “o aumento, agora decidido pela ERSE, significa só por si, e estamos apenas a falar de tarifas de rede de gás natural, um acréscimo de custos que, no caso de algumas empresas, ultrapassa o meio milhão de euros por ano”.
Duarte Garcia comunga da mesma opinião de Ricardo Abrantes, sublinhando que “a melhoria da nossa competitividade é assim prejudicada por decisões internas, que nada têm a ver com qualquer crise, muito menos internacional”.
“O empreendedorismo e a ambição que se pede aos empresários está, afinal, nas mãos de que vê o mercado com falta de realismo e às vezes até de bom senso! Está nas mãos de quem se esquece ou não quer lembrar-se, de que subir os preços dos produtos só se torna entendível para quem tiver que vender.”
Recorda que o sector da cerâmica, com um volume de negócios que ultrapassa os 1.200 milhões de euros, é o maior consumidor de gás natural da indústria transformadora.

Pedro Fontes da Costa