Já foi uma das casas “mais antigas” do concelho de Vagos, onde terá funcionado uma cadeia. Ainda conserva, no topo, duas janelas de vão e pano de peito rectangulares, e um escudo de armas do final do século XVII. Tudo em pedra de Ançã. Está localizada na freguesia de Santo André, mais propriamente na povoação de S. Romão.
Na actualidade, o imóvel, popularmente conhecido por “Casa dos Margaças”, encontra-se em ruínas. E, tanto quanto se sabe, nem sequer está classificado, apesar de exibir o respectivo brasão. Daí que o seu proprietário, João Carlos Ferreira, tenha solicitado à Câmara a sua demolição.
Sucessivamente adiada, a questão chegou agora a reunião camarária, tendo o Executivo de Rui Cruz decidido, por maioria (votos contra da vereadora da Cultura, Cláudia Oliveira, e Dina Ribeiro, do “Vagos Primeiro”), que o referido imóvel podia ser demolido… mas com determinadas condições. Na prática, a demolição só será possível mediante o acompanhamento dos trabalhos por um “técnico especializado na área arqueológica”. Contratado pela Câmara de Vagos, é ele que vai “fiscalizar a demolição a todo o tempo”, e avaliar a cada momento, a cedência de direitos mobiliários e de interesse histórico, a favor do município.
Uma pequena “conquista” da titular do pelouro da Cultura, que no decorrer da reunião defendeu o pedido de um parecer, ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, para se poder pronunciar “com mais certezas”. Essa foi, também, a vontade da vereadora da Oposição.
Para Rui Cruz, o valor histórico do imóvel que se pretende defender “já estará destruído”, pois “as ruínas com maior historicidade estão na parte de baixo”.

Eduardo Jaques/Colaborador