A reestruturação que o Ministério da Saúde está a implementar no concelho de Anadia foi motivo de protestos na última Assembleia Municipal, realizada no passado dia 22.O anúncio do encerramento das Extensões de Saúde de Ancas, Tamengos e Vila Nova de Monsarros está a gerar uma onda de revolta e indignação junto das populações. Por isso, alguns autarcas não rejeitam a possibilidade dos populares virem a tomar medidas drásticas como forma de protesto contra encerramentos que são dados como certos. Formas de luta estão já a ser equacionadas, uma vez que as freguesias não estão dispostas a perder serviços de Saúde de proximidade. Por exemplo, em Vila Nova de Monsarros fala-se já num eventual “boicote” às presidenciais. Certo é que hoje, dia 30, haverá Assembleia de Freguesia, onde os deputados de Vila Nova de Monsarros tomarão uma decisão quanto às formas de luta a implementar para não perder a Extensão de Saúde.
Depois de, no passado dia 7, Ana Oliveira, directora do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Vouga I, juntamente com membros da sua Direcção, terem reunido o presidente da Câmara, vereadores e os autarcas das 15 Juntas de Freguesia do concelho, no salão nobre da Câmara Municipal, onde foi dada a conhecer a reestruturação em curso que dita, para breve, o encerramento de três extensões de Saúde (Vila Nova de Monsarros, Ancas e Tamengos) e a criação de três Unidades de Saúde de Cuidados Personalizados (USCP) em Anadia, S.Lourenço do Bairro e Sangalhos, coube agora aos autarcas mostrarem a toda a assembleia a indignação e revolta que sentem perante as medidas em curso.
António Duarte, autarca de Vila Nova de Monsarros, considera o encerramento “um atentado contra a população”, de uma freguesia rural de parcos recursos. De igual forma, Arménio Cerca, presidente da Junta de Freguesia de Ancas, expressou também a sua indignação quanto à reestruturação em curso, que considera “péssima para as populações”. O facto de encerrarem estas três Extensões de Saúde levam-no a falar no afastamento das pessoas ao acesso à Saúde de proximidade. “É lamentável que, onde existem serviços de proximidade das populações, esta direcção decrete a sua eliminação”, diz, criticando ainda que um grande número de população idosa, a receber reformas irrisórias, “não têm dinheiro para os medicamentos quanto mais para um táxi para irem a uma consulta ou levantar o seu receituário”.
Arménio Cerca acusou esta direcção do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Vouga I, de “estar a retirar às populações o pouco apoio que estas ainda vão tendo.” Por isso, admite que, perante tantas alterações, “as populações comecem a pensar na forma de dar o grito de revolta e indignação pelos direitos que lhes estão a ser retirados todos os dias”.
Ainda durante a Assembleia Municipal, João Morais, da CDU, acusou Litério Marques de estar conivente com estas mudanças. O edil anadiense avançou que não cabe a ele decidir abertura e encerramentos da área da Saúde, e que os autarcas tomarão as medidas adequadas para defender os direitos das populações. Embora tenha sido desafiado a revelar o conteúdo da reunião realizada a 7 de Dezembro, na Câmara Municipal, Litério Marques escusou-se, dizendo que não lhe competia fazê-lo.

Catarina Cerca