Cerca de 20 moradores de Nossa Senhora de Fátima, em Aveiro, entregaram esta noite um abaixo-assinado contra o traçado proposto pela autarquia para a via de acesso à futura Unidade de Tratamento Mecânico-Biológico (UTMB).

Na petição, subscrita por cerca de 700 pessoas, os signatários consideram que o traçado da via de ligação da EN235 à UTMB, que a ERSUC está a construir em Eirol, “corta uma área significativa de terrenos agrícolas” e “é mais um eixo de fragmentação do território”.

Em declarações à Lusa, Carlos Lopes, da comissão de cidadãos da Freguesia de Nossa Senhora Fátima, realçou ainda que a solução defendida pela autarquia “intercepta duas vezes o traçado previsto para o TGV, com todos os custos que estas obras de arte vão ter”.

Em alternativa, os moradores defendem um traçado que passa mais a norte, no limite da freguesia, atravessando terrenos florestais e que não intercepta a linha do TGV.

“O traçado que propomos é mais curto em cerca de 300 metros e o volume de aterro necessário para executar a obra é substancialmente menor do que com a proposta da autarquia”, acrescentou Carlos Lopes.

Segundo o mesmo responsável, esta solução já foi apresentada em 2009 ao presidente da câmara, Élio Maia, que a “aceitou de braços abertos”.

Carlos Lopes questiona, por isso, o que terá levado o autarca, que lidera a maioria PSD/CDS-PP que gere o executivo camarário, a desistir desta solução e a voltar atrás.

Na resposta ao grupo de cidadãos, Élio Maia desafiou os órgãos representativos da freguesia a tomarem uma decisão sobre o traçado proposto pela câmara e lembrou que a decisão “terá de ser tomada o mais depressa possível”.

“Já lá vão quase três anos que andamos com isto e, seja para que lado for, é exigido que se tome uma decisão o mais depressa possível, porque, nesta altura, já não sei se vamos ter aquilo pronto quando se registar o aumento do tráfego”, avisou o autarca.

Élio Maia lembrou ainda que o actual traçado “é abrangido pelas incidências ambientais” da UTMB, evitando assim mais atrasos, enquanto que “uma outra solução teria de passar por uma avaliação de impacto ambiental”, o que foi negado pelos contestatários.

A futura UTMB, que está a ser construída pela ERSUC em Eirol, vai receber 190 mil toneladas de resíduos por ano.

De acordo com as previsões da empresa, a unidade deverá ficar concluída no verão, entrando depois na fase de testes, e o aterro de Aveiro será encerrado.