Valores inquestionáveis em qualquer sociedade, “lealdade ou frontalidade” não fazem, afinal, parte do léxico do Executivo camarário vaguense. Quem o afirma é a vereadora independente Cláudia Oliveira, que há duas semanas foi “despojada” do pelouro da Cultura, que detinha na Câmara de Vagos.
A autarca, eleita pelas listas do PSD nas últimas autárquicas, apenas teve conhecimento da decisão através de um despacho, datado de 21 de Janeiro, e entretanto dirigido à Divisão Administrativa daquela autarquia. Foi-lhe comunicada por e-mail, tendo Rui Cruz aproveitado para agradecer a colaboração da vereadora. Um desfecho que não constitui surpresa, face aos acontecimentos que “marcaram as dificuldades que me foram impostas no que respeita ao exercício das funções”, refere Cláudia Oliveira.
Privada, desde Agosto passado, de um gabinete para desempenhar as suas funções, a vereadora admite que acabaria por verificar que “a boa fé política e pessoal de alguns elementos deste Executivo em relação à minha pessoa não passava, afinal, de uma ilusão minha”.
Na declaração que ditou para a acta, a que JB teve acesso, mas apenas oficialmente disponível a partir da próxima terça-feira, a vereadora em causa critica Rui Cruz pelo facto deste se ter “refugiado num e-mail”, em vez de lhe ter comunicado a decisão pessoalmente.
“Na minha inocência esperava bem mais”, referiu. Argumentando que “nunca pediu nada em troca”, Cláudia Oliveira denuncia, por outro lado, os “ataques, nalguns casos insultuosos”, feitos à sua pessoa, quando se encontrava ausente, e que curiosamente terá ignorado.

Grande coragem. No balanço “positivo” que fez da sua passagem pelo Executivo, Cláudia Oliveira admite ter reduzido os custos da autarquia com a Cultura, relativamente ao último ano do anterior mandato. E assegura que respeitou “na íntegra o parco orçamento”, confirmando que manteve uma programação cultural “que mereceu, em diversas e repetidas ocasiões, os elogios de muitos vaguenses, das colectividades e, pasme-se, da oposição”. Manifestações elogiosas que, segundo Cláudia Oliveira, não são do conhecimento do presidente da Câmara e de outros elementos do Executivo, e em particular daqueles que desempenharam antes funções no pelouro da Cultura.
“Afinal, poucas ou nenhumas vezes estiveram presentes nas inúmeras iniciativas, nomeadamente quando foram as associações e colectividades do concelho as protagonistas”, referiu.
Uma postura de “grande coragem e descomprometimento político”, foi como a vereadora Dina Ribeiro, do Movimento Vagos Primeiro, classificou a declaração de Cláudia Oliveira. “Mostra que sabe estar”, admitiu a vereadora da oposição, destacando o papel interventivo da ex-titular da Cultura, que executava funções nas áreas da museologia, património e animação cultural.

Eduardo Jaques/Colaborador