Mais de 500 pessoas responderam afirmativamente ao apelo da família de Cecília Andrea, de Torres, Vilarinho do Bairro, que luta, desde Junho de 2010, contra uma leucemia. Como não existe compatibilidade para transplante na família, entre amigos ou qualquer dador compatível na base nacional de dadores de medula óssea, o Projeto CADI, da Misericórdia de Anadia, em parceria com a CADES e o Centro de Histocompatibilidade do Centro, levou a cabo, no último sábado, uma recolha de sangue para dadores de medula óssea. O evento teve lugar no Salão Polivalente da Misericórdia, que foi pequeno para acolher tantas pessoas que, ao longo do dia, foram passando, mostrando não estarem indiferentes ao apelo realizado.
A recolha terminaria mesmo antes da hora prevista (17h) por se ter esgotado todo o material para recolha, revelou a JB Paula Figueiredo, da Santa Casa de Anadia. Por isso, a possibilidade de vir a ser calendarizada uma nova recolha por forma a que as dezenas de pessoas que passaram pelo local, mas já não puderam dar sangue, o possam fazer.
Patrícia Martins, coordenadora do Projecto Cadi e prima da Cecíla, foi uma das mentoras da iniciativa e destaca a forma generosa como as pessoas da freguesia de Vilarinho do Bairro, de onde Cecília é natural, se associaram à iniciativa, comparecendo em massa.
Uma causa também abraçada de forma exemplar por muitos jovens do concelho, sobretudo por estudantes e atletas do Moita Rugby Clube, da Associação Recreativa Aguinense e do Atlético Clube de Famalicão, que compareceram em grande número para dar sangue e assim entrarem para o banco de dadores de medula.
Cecília Andrea, de 24 anos (feitos na última semana), natural de Torres, luta há nove meses, de forma corajosa, contra uma leucemia. A jovem precisa urgentemente de encontrar um dador compatível e, numa luta contra o tempo, passou este último mês em coma induzido devido a uma pneumonia. Apesar de muito debilitada fisicamente, os pais acreditam na sua melhora, que depende agora de encontrar um dador compatível.
O último internamento de Cecília aconteceu em Janeiro deste ano: “Já fez seis tratamentos de quimioterapia, mas ciclicamente regressa ao hospital”, diz a mãe Manuela Dias, adiantando que a jovem tem permanecido calma e que, apesar do seu espírito calado e introvertido, tem sabido dar força aos familiares mais directos que a apoiam na batalha que vem travando. “Ela tem-nos surpreendido a todos pela sua força e coragem”, diz Patrícia Martins.
Marco Machado, treinador dos Infantis do AFC, era um dos rostos conhecidos que passou pelo salão da Misericórdia. A JB admitiu ter vindo “pelo apelo feito para tentar salvar a vida da jovem, pois fiquei sensível a este caso concreto”. Nelson Simões, de 22 anos, é de Espairo. Embora não conheça a Cecília, avançou que soube da iniciativa pela internet “e como a jovem é filha de uma grande amiga da minha mãe, fiquei sensibilizado”. Já Jeny Tavares, do concelho vizinho de Oliveira do Bairro, soube da campanha pelo JB. Decidiu “vir ajudar”, já que acredita na possibilidade de encontrar um dador compatível.

Catarina Cerca