A Casa do Povo de Amoreira da Gândara necessita de urgentes obras de ampliação e remodelação, por forma a melhorar as condições de funcionamento e dar uma resposta adequada às necessidades dos utentes e populações que serve.
Orçadas em cerca de 400 mil euros, as obras são determinantes para que a instituição possa continuar a funcionar, até porque não possui licença de utilização.
De facto, desde a sua fundação em 1972, esta IPSS nunca teve licença de utilização. Contudo, nos dias que correm, esse documento é obrigatório, mas a Casa do Povo só terá direito a ele depois das obras realizadas. O grande problema é que a falta desta licença inviabiliza a candidatura a apoios financeiros, pelo que as obras a realizar terão de ser suportadas integralmente pela instituição.
“Andamos há sete anos para regularizar a parte burocrática, porque quando a obra nasceu nada era preciso. Agora, com as sucessivas alterações, são-nos impostas uma série de exigências e normas que temos de cumprir”, diz Andreia Pêgo, directora-técnica da instituição.

Falta de condições físicas. Manuel Ferreira, presidente da direcção, é o rosto do desalento por não poder, de imediato, avançar com melhoramentos que considera fundamentais. É que a Casa do Povo precisa com urgência de obras de ampliação e remodelação do Centro de Dia, uma das valências com mais frequência. “Como não temos Lar, esta resposta está com lotação esgotada e não temos mais espaço para acolher idosos”. A valência está lotada com 40 idosos e muitos deles são “obrigados” a passar o seu tempo nos corredores, em cadeiras desconfortáveis, porque a exígua sala de estar não dá para todos.
As instalações antigas, deterioradas e desadaptadas ao fim a que se destinam, colocam mais dificuldades no dia-a-dia. Na verdade, comparativamente a muitas outras instituições do concelho, a Casa do Povo parece uma velha casa de habitação particular, onde predominam os espaços pequenos e corredores estreitos. Enfim, um sem número de constrangimentos que têm de ser ultrapassados.
“Uma cadeira de rodas não entra num gabinete, o refeitório e a cozinha são pequenos, só existe uma sala para banhos e a lavandaria funciona numa garagem”, diz-nos Andreia Pêgo, reconhecendo que só a dedicação, empenho, espírito de equipa e de sacrifício das colaboradoras e funcionárias permite continuar a prestar serviços de grande qualidade numa infra-estrutura tão deficiente.
A ampliação em 400 m2 e a remodelação das instalações vai aliviar a Casa do Povo que, embora não consiga alargar o número de vagas, terá as condições necessárias para funcionar de acordo com as exigências actuais em relação aos acordos que mantém.

Almoço de angariação de fundos. “Trata-se de uma obra prioritária e urgente, pelo facto de estarmos em ruptura física para dar adequada resposta às necessidades da população que servimos”, diz Manuel Ferreira, reconhecendo que a Casa do Povo não possui meios para levar a cabo tão importante investimento. Por isso, vai realizar já no próximo sábado, dia 28 de Maio, um almoço de angariação de fundos para as obras. Um almoço aberto à comunidade e no qual cada um é convidado a colaborar financeiramente como puder.
A obra será realizada por fases. Primeiro avançará a ampliação e só depois a remodelação do espaço actual. “A estrutura fica feita para quando se puder avançar com a construção do Lar”, revela o presidente, reconhecendo que as instalações da Casa do Povo “são uma pensão de 4.ª classe comparando com muitas outras IPSS do concelho, autênticos hotéis de 5 estrelas”. Por isso, diz que é urgente meter mãos à obra que deverá contar com o apoio de todos: população, poder local e central. Com 39 anos de vida, a instituição que apoia crianças e idosos da freguesia, bem como de freguesias e lugares limítrofes, é frequentada por 165 utentes e dá emprego a 30 pessoas.

Catarina Cerca