O salão nobre dos Paços do Concelho de Oliveira do Bairro foi pequeno para acolher os inúmeros familiares, amigos e conhecidos do escritor, jornalista e poeta Armor Pires Mota que, no último sábado, apresentou o seu oitavo livro de poesia. Intitulado “No Coração da Memória”, a obra de pendor intimista, homenageia a esposa e pais do autor, já falecidos.
O livro divide-se em duas partes: “Frutos e afectos” e “Cinco assoalhadas de solidão”, e foi sobre esta segunda parte que o autor mais se debruçou, dizendo estar “marcada por amor e morte, flor e ferida, saudade, mágoa e memória de quem tão cedo partiu da terra dos vivos”.
Emocionado mas, de certa forma contido nas palavras, avançou que cada leitor retirará da obra as conclusões que entender, admitindo, contudo, que ela está marcada por um “fundo sentimento de perda que desagua em gritos de revolta e afiadas facas de solidão para uma ferida permanente, ainda que com Deus e os anjos por perto”. Ou seja, Armor Mota admite que a segunda parte da obra está marcada pelo “amor e morte, de revolta e solidão, onde escorrem as lágrimas e o sal da humana expiação”.
Aos presentes deixaria ainda a indicação de que a obra se destina sobretudo à oferta de exemplares aos amigos como uma forma de retribuir a simpatia e amizade, mas também, porque “não era capaz de vender a ninguém o lado que me dói”.
A sessão de apresentação em que o autor faz questão de oferecer a cada um dos presentes um exemplar, devidamente autografado, teve lugar no passado dia 7 de Maio.
Na oportunidade, Manuel Nunes Simões, presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Bairro, teceu rasgados elogios ao autor pelos motivos que estiveram na gênese da obra . “Obra de sentido humanista e de fortes sentimentos pelos seus entes queridos mais próximos e que se pode extrapolar para todos os cidadãos”, considerando ainda Armor Mota como um “autor, escritor, poeta e jornalista multifacetado e que todos os oliveirenses se habituaram a apreciar e admirar”.
A apresentação esteve a cargo do escritor, poeta e historiador Denis Ramos, que avançou tratar-se de uma obra com poesias de grande beleza, cadência de ritmo que intitulou de – “o livro” -, já que os sentimentos mais profundos são uma constante: “o amor ilumina, transfigura, sustenta”, num livro que considerou de “afectos”.
Amigo de longa data de Armor Pires Mota, Denis Ramos realçou que “No Coração da Memória” anda à volta do grande coração do autor, sendo “um livro em que a beleza de sentimentos se casa com a pureza dos sentimentos”, logo, um livro do qual não se fala, mas que se lê: “lê-se em voz alta”.
Aos presentes revelou que a obra representa ainda um marco na carreira do autor que, com “No coração da Memória”, assinala 50 anos de vida literária. Por isso, o apresentador aproveitaria para lançar um repto ao autarca Mário João Oliveira, para que promovesse ou apadrinhasse a edição de uma antologia de poesia portuguesa, no âmbito dos 50 anos de actividade literária do autor.
Atento ao repto, Mário João Oliveira concluiria a cerimónia dizendo que a autarquia aposta de uma forma sistemática e regular na cultura e que, por isso, a Câmara irá patrocinar as reedições de todas as obras que se encontrem esgotadas, não só de Armor Mota mas de outros escritores do concelho.
“Existe total disponibilidade da minha parte para este trabalho”, disse, desafiando ainda Armor Pires Mota a continuar a escrever. “Quero felicitá-lo não só pelo lançamento do livro, mas por todos os livros e tanto tempo (50 anos) de escrita de intervenção. Goste-se ou não. Um grande feito e grande trabalho.”

Catarina Cerca