A investigadora da Universidade de Aveiro Maria Eduarda Pereira, ontem, para a necessidade de restringir a pesca na ria de Aveiro, na zona do largo do Laranjo, face ao perigo de contaminação por mercúrio, um poluente de elevada toxidade.

O alerta foi deixado durante as Jornadas da Ria de Aveiro, organizadas pelo Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro, que hoje terminam.

Durante décadas, esta zona, no concelho da Murtosa, sofreu descargas de metais pesados provenientes das indústrias do complexo químico de Estarreja.

Maria Eduarda Pereira estima que existam cerca de 27 toneladas de mercúrio nesta área da ria, sob uma camada de sedimentos com 30 a 40 centímetros.

Segundo a investigadora do CESAM, recentemente foram recolhidos alguns organismos vivos, nesta zona, que, por vezes, atingem valores de mercúrio que excedem o limite máximo permitido para o consumo humano.

“Devia haver uma preocupação em dizer às pessoas que tenham particular atenção. Não se devia lá andar a apanhar caranguejos ou bivalves, porque têm níveis de concentração que podem ser um risco para a saúde humana”, avisa.

Os peixes “também têm concentrações elevadas”, mas a especialista em química ambiental diz que a pesca “não é muito problemática, porque o esforço de pesca é muito grande e as espécies também são muito poucas”.

“A probabilidade de um pescador da zona comer todos os dias peixe contaminado e ficar ele próprio contaminado é relativamente pequena”, explica a investigadora.

Eduarda Pereira defende também que não deve haver qualquer intervenção nesta zona, para não haver a deslocação de sedimentos e a consequente dispersão do mercúrio por toda a ria.

A investigadora reconhece que estamos perante uma espécie de “bomba relógio”, mas defende que é preferível deixar a situação tal como está, acrescentando que “estudos feitos em outros ecossistemas demonstram que o melhor é não mexer”.

“Os sedimentos mais superficiais têm concentrações que, não sendo consideradas muito baixas, também não são problemáticas e a actual dispersão provocada pela entrada e saída da água na bacia é pequena”, diz.

A especialista sublinha ainda que “é um mito falar sobre contaminação de mercúrio na ria de Aveiro”, alegando que com excepção desta zona problemática, “os níveis são iguais a qualquer outro sistema”.