A candidatura apresentada pela Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural (EPADR), para leccionar o curso profissional Auxiliar de Saúde, não foi inserida na oferta formativa negociada nas reuniões de rede. A decisão foi transmitida por Luís Carvalho, técnico da DREC, à escola, que ao consultar o mapa, validado pela Equipa de Apoio às Escolas (EAE) de Aveiro, deu conta que o referido curso fora parar à Secundária de Vagos.
A exclusão, alegadamente “sem justificação, sem informação, sem critério e sem respeito”, acabaria por suscitar alguma “revolta e indignação”. Contudo, de acordo com o director da EPADR, Fernando Santos, tal desagrado “nunca foi manifestado a nenhuma instância”.
Em declarações ao Jornal da Bairrada, aquele docente admitiu ter ficado “admirado por não ter sido respeitado o acordado” em reunião de rede. O que se passou, admitiu Fernando Santos, é “uma grande falta de ética, de respeito pela instituição, pelo trabalho de quem a gere, mas principalmente pelos jovens”. E os jovens merecem “mais e melhor”, dado que “todos somos poucos para tirarmos o país do atoleiro em que nos mergulharam”, acrescentou.
Segundo o director da EPADR, a ordem de preferências dos cursos apresentados foi a seguinte: Produção Agrária, Manutenção Industrial, Restauração, Gestão Equina e Auxiliar de Saúde. Isso mesmo foi reafirmado à coordenadora da EAE, Ana Covas.

Dúvidas. Ainda de acordo com Fernando Santos, no decorrer da reunião, o representante do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), António Marques, questionou a oferta daquela escola sobre o curso de Gestão Equina, alegando que, embora considerasse “magnificas” as condições da escola, duvidava que a região tivesse capacidade de absorver todos os técnicos. A dúvida seria desfeita por Fernando Santos, que garantiu que os alunos são em grande parte de fora do concelho.
Ao Jornal da Bairrada, aquele docente confirmou que, actualmente “90 por cento dos alunos inscritos no curso, não são da região mas de regiões com tradição equina”.
De referir que, chamada a pronunciar-se sobre o “Plano de Formação”, para o triénio 2011/2014, a Câmara de Vagos também “chumbou” o referido curso, depois da vereadora da Educação, Albina Rocha, que tinha estado presente na reunião de harmonização da oferta formativa, ter revelado que foi o Ministério da Educação a alertar para o facto da EPADRV “não ter condições nem vocação” para o ministrar.
O director da escola, Fernando Santos, veio entretanto desmentir, tendo confirmando, em declarações a este jornal, que a questão “nem sequer foi aflorada na reunião”. Segundo aquele docente, as escolas “só ofertam cursos onde possuam o mínimo de condições logísticas para os mesmos funcionarem, nas suas instalações ou através de protocolos com entidades e empresas”.

Eduardo Jaques